quinta-feira, fevereiro 13, 2003

Filosofia do direito

Sólon dizia ser a lei como uma teia de aranha, isto é, capaz de prender objetos pequenos e leves, mas inútil em relação aos grandes e pesados. O que, talvez, seja apenas uma bela maneira de dizer que a lei é a vontade do mais forte.

Lição de moral: se és grande e pesado, arrebenta todas as leis, entretanto, se fores leve e pequeno procura fortalecer-lhes os nós.

segunda-feira, fevereiro 10, 2003

Ecos de uma antiga lembrança, de um velho e bom colega que poderia ter sido um magnânimo amigo, agora no outro lado do mundo. Enquanto isso fico aqui, morrendo a vida dos outros.

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segunda-feira, fevereiro 03, 2003

A última semana da minha morte

Abre-se hoje a última semana da minha longa morte. Seja qual for o resultado do inquisitória de sexta-feira, estou certo de ali levantar o meu cadáver do túmulo e romper as barreiras do cemitério. Disposto estou a olhar o céu e o chão, o sol e a lua, o dia e a noite, despencar nos abismos e escalar as montanhas, aceitar as derrotas e exultar com as vitórias. Tudo se resolverá, ou melhor, tudo resolverei no fatídico dia, dia 7. Só temo que o cansado coração não consiga resistir a qualquer que seja o resultado. Que a Graça me proteja!

domingo, fevereiro 02, 2003

Dicionário cabedário de ilusões, ou, escrita automática de um computador na era digital, ou ainda, as maravilhas literárias de um gerador de números aleatórios.

A título de subtítulo: Documento desdentado que apaga a água das verdades altaneiras que se estendem sobre as bananeiras verdes do sertão de veredas íngremes e francesas


RESUMO: Mui douta experiência de um processador binário-surrealista.

eu adora digitar eu digito muito bem não é verdade senhor bush? digito muito bem simplesmente porque posso usar a tecla backspace e apagar os erros cometidos por mim mesmo, e não pelo computador tolo de dar dó. e assim passam os dias com a vontade da forca cada vez mais forte e insuperável, a minha capacidade de qualquer coisa chegou ao fim, triste fim de uma não-vida de uma besteira imensa que arrasto dia após dia sem saber como poder mudar nada que não é nada, onde foi a filosofia do nada,? onde anda a morte desesperada? onde está a rendição aguardada? na água prócere mortal dos cadáveres dos homens passados e dos esquifes dos homens presentes, que não passam de zumbis mortos-vivos da mercadoria total. Ponto final quebra do pensamento quebra da atitude quebra do fio. Nada é nada, mais chega de nada agora devo continuar digitando besteiras e ver quando estoura o buffer do mozzila, pois ele é muito grande é impossível um endereço de página tão grande assim que não seja um atentado ao pudor dos jovens moralistas aristocráticos que não andam senão nas bicicletas do poder armado pela constituição nacional dos porcos que passam por aí chamando de chiqueiro a vida dos vivos mortos que andam por aí pelas janelas dos cárceres individuais de luxo transatlântico sem se perceber a constituição da miséria corporal dos próceres novamente iluminados pelas chamas do além bolo transformado em via andanti dos mestres dos capital lâmpada lamparina pirilampo ventania é um fator externo que influência na mente das pessoas é preciso acabar com as ventanias tristes e assoladoras das nossas personalidades pobres de vida e de paixão perdida sem tempo de saber como se fala do amor das flores ardentes que ana pegou no campo dos lírios líricos afônicos pois as liras tinham-se partido em mil pedaços que caíram em mil lugares do mar e da terra e dor ar e do fogo e do vegetal. Vegetal é tudo que é verde e bom e belo e criativo e verdadeiro sem pretensão de verdade viva, porém alumiando os caminhos dos abajures da terra perdida dos monstros destrutivos dos dias nublados das nuvens tétricas e pálidas de ardor libertário. contudo a morte que nos domina é a morte dos burgueses tolos e capitalistas idiotas que andam por aí de novo fazendo andanças sem sentido em torno da mercadoria que anda sem andar que se move sem se mover e fala sem falar. Tudo é nada e nada é tudo. é preciso bons dedos para digitar como eu digito assim sem nem olhar o vídeo e sem marcar as desavenças da união entre o teclado e o cérebro que tecla sem razão e sem futuro, sem consciência e sem paixão.