quinta-feira, agosto 19, 2004
Precognições do surrealismo/Arqueologia Surrealista
Argumento que Breton retomaria depois nos Manifestos: passamos sonhando imensa parte da nossa vida, por que desprezamos então o sonho? Bem verdade que na antiguidade o sonho tinha um caráter prodigioso, ligando o divino ao mundano, ligando as dimensões do tempo, as dimensões do espaço, é bem verdade que hoje a ciência também explora o sutil terreno do onírico, todavia só a empreitada surrealista procurou colocar o problema na sua total radicalidade. Por que falharam?
quinta-feira, agosto 05, 2004
Da busca da verdade
Não é coisa fácil de encontrar, a tal da verdade. Diáfana, fugidia, recôndida, sempre que a cremos ter agarrado, escapa-nos. Árdua e extensa é a preparação para os que decidem votar sua vida a agarrá-la:
"Nam si singulas disciplinas percipere magnum est, quanto maius omnis; quod facere is necesse est, quibus propositum est ueri reperiendi causa et contra omnes philosophos et pro omnibus dicere." (Cícero. De Natura Deorum, I,V)
"Nam si singulas disciplinas percipere magnum est, quanto maius omnis; quod facere is necesse est, quibus propositum est ueri reperiendi causa et contra omnes philosophos et pro omnibus dicere." (Cícero. De Natura Deorum, I,V)
[Fragmenta] Do fazer
Recentemente um destes seres ativos, construtores de pontes e prédios, em meio à desconcertante e desvairada discussão que se costuma chamar filosófica, acusou a filosofia de nada fazer, de ser mera discussão estéril, vazia, morta. Cabe não discutir o mundo, mas transformá-lo, é o que diria certamente se tivesse lido mais antes de partir à ação. Pois aos sequazes da ação pergunto eu, que fez Sócrates? Aquele irritante e ignorantíssimo ateniense, que passava os dias a discutir, sem nunca chegar a lugar algum, sem nunca propor tese alguma, sem fundar escola alguma, sem nunca ter escrito uma linha sequer. Teria ele realmente nada feito? seria tão-somente um tagarela incontrolável, inútil, desprezível, insignificante? Se o importante é a ação, e ação pensada unicamente como ação positiva, construção de objetos sensíveis, atuação direta no meio, Sócrates foi dos mais desimportante dos humanos que passaram pela terra, é bem verdade que foi grande soldado e cidadão, e portanto fez algo naquele sentido estrito, mas certamente existiram outros grandes soldados e cidadãos, cuja obra, todavia, aos homens pareceu tão ínfima que não cuidaram de guardar-lhes nem mesmo os nomes. Porém cuidaram diligentemente de guardar a Sócrates não só o nome, mas todo o resto.
Agrade ou não, Sócrates é um dos poucos pais do Ocidente, fez o seu não-fazer este gigante que hoje chamamos Civilização Ocidental, belo ou feio, bom ou ruim, reverendo ou detestando, gigante de todo modo, marco indelével, impossível de ser ignorado.
Agrade ou não, Sócrates é um dos poucos pais do Ocidente, fez o seu não-fazer este gigante que hoje chamamos Civilização Ocidental, belo ou feio, bom ou ruim, reverendo ou detestando, gigante de todo modo, marco indelével, impossível de ser ignorado.
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