A pior das penas é viver indignamente. Entre uma vida feia e uma morte bela, é clara a única decisão racional a tomar. A morte voluntária só deveria ser lamentada quando resultado de pressões
externas ou de desespero temporário, a minha não é nada disso. Sêneca muito bem colocava a morte voluntária como um presente do deus: ela garante que nós nunca podemos perder a liberdade, garante que ninguém pode ser obrigado a viver o que não considera digno de viver. A minha morte é um exercício de liberdade e racionalidade, não de ódio, medo ou impulso momentâneo. Não há portanto, ninguém a culpar nem coisa alguma a lamentar. Pode-se sentir a falta de companheiro de cela
quando ele finalmente consegue por em prática seu plano de fuga, mas a sua falta não deve ser motivo de lamentações ou acusações, devendo, ao contrário, ser celebrada. Sinto não ter feito mais, sinto não ter sido melhor do que fui, e espero que a minha ausência permanente no final se mostre antes motivo de alívio do que motivo de pena.
sábado, agosto 09, 2008
Das muitas e variadas nulidades com que se ocupa minha mente vazia
* Guerra na Ásia central
Ontem a Rússia e a Geórgia declararam guerra. O presidente georgiano
resolveu atacar a Ossétia mesmo sabendo que lá havia tropas russas.
A OTAN resolveu se manter afastada, apesar dos pedidos georgianos.
Esperemos que a situação não se agrave.
* Guerra na alma
Ao que parece eu perdi completamente o combate contra mim mesmo.
Estes versos do Petrarca me deram algum alento:
Pochi compagni avrai per l'altra via:
tanto ti prego piú, gentile spirto
non lassar la magnanima tua impresa.
E talvez o Buda esteja certo, e eu deve reconhecer que eu não sou nada
disso. Nem minhas sensações, nem minhas percepções, nem meus
pensamentos.
* Nada
Carteiro veio interromper meu fluxo de pensamento. Vou agora ver pela
última vez o ASH/ASM. Terminei, apenas um maluco falando sobre suas
crenças religiosas malucas.
* Barreto
Lendo alguns pedaços do "Diário Íntimo".
* Mais nada
Li pela última vez o zombiesquad. Não sei qual a graça de ler aqueles
ianques criançolas.
* Desejos
Muitas vezes eu invejo os surdos. A brutalidade sonora das cidades
contemporâneas torna aparelhos auditivos em boas condições em
verdadeiros instrumentos de tortura. Pensando bem, com a feiúra, o
fedor, a temperatura, e a péssima comida do mundo contemporâneo,
pareceria melhor estar privado de todos os sentidos. Alma pura!, é o
que eu gostaria de ser neste momento.
* Sobre os onívoros
Um grupo de onívoros conversa sobre os animais e partes de animais que
comeriam ou se recusariam a comer. Se eu ainda existisse,
dir-lhes-ia: então a única coisa que lhes importa na comida é que ela
lhes saia bem ao paladar. Pois o que lhes impede de comerem-se uns aos
outros? Ora, acaso não é evidente que a alimentação não é apenas uma
questão de paladar, e que os princípios éticos se sobrepõem às
demandas do gosto?
Ontem a Rússia e a Geórgia declararam guerra. O presidente georgiano
resolveu atacar a Ossétia mesmo sabendo que lá havia tropas russas.
A OTAN resolveu se manter afastada, apesar dos pedidos georgianos.
Esperemos que a situação não se agrave.
* Guerra na alma
Ao que parece eu perdi completamente o combate contra mim mesmo.
Estes versos do Petrarca me deram algum alento:
Pochi compagni avrai per l'altra via:
tanto ti prego piú, gentile spirto
non lassar la magnanima tua impresa.
E talvez o Buda esteja certo, e eu deve reconhecer que eu não sou nada
disso. Nem minhas sensações, nem minhas percepções, nem meus
pensamentos.
* Nada
Carteiro veio interromper meu fluxo de pensamento. Vou agora ver pela
última vez o ASH/ASM. Terminei, apenas um maluco falando sobre suas
crenças religiosas malucas.
* Barreto
Lendo alguns pedaços do "Diário Íntimo".
* Mais nada
Li pela última vez o zombiesquad. Não sei qual a graça de ler aqueles
ianques criançolas.
* Desejos
Muitas vezes eu invejo os surdos. A brutalidade sonora das cidades
contemporâneas torna aparelhos auditivos em boas condições em
verdadeiros instrumentos de tortura. Pensando bem, com a feiúra, o
fedor, a temperatura, e a péssima comida do mundo contemporâneo,
pareceria melhor estar privado de todos os sentidos. Alma pura!, é o
que eu gostaria de ser neste momento.
* Sobre os onívoros
Um grupo de onívoros conversa sobre os animais e partes de animais que
comeriam ou se recusariam a comer. Se eu ainda existisse,
dir-lhes-ia: então a única coisa que lhes importa na comida é que ela
lhes saia bem ao paladar. Pois o que lhes impede de comerem-se uns aos
outros? Ora, acaso não é evidente que a alimentação não é apenas uma
questão de paladar, e que os princípios éticos se sobrepõem às
demandas do gosto?
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