A pior das penas é viver indignamente. Entre uma vida feia e uma morte bela, é clara a única decisão racional a tomar. A morte voluntária só deveria ser lamentada quando resultado de pressões
externas ou de desespero temporário, a minha não é nada disso. Sêneca muito bem colocava a morte voluntária como um presente do deus: ela garante que nós nunca podemos perder a liberdade, garante que ninguém pode ser obrigado a viver o que não considera digno de viver. A minha morte é um exercício de liberdade e racionalidade, não de ódio, medo ou impulso momentâneo. Não há portanto, ninguém a culpar nem coisa alguma a lamentar. Pode-se sentir a falta de companheiro de cela
quando ele finalmente consegue por em prática seu plano de fuga, mas a sua falta não deve ser motivo de lamentações ou acusações, devendo, ao contrário, ser celebrada. Sinto não ter feito mais, sinto não ter sido melhor do que fui, e espero que a minha ausência permanente no final se mostre antes motivo de alívio do que motivo de pena.
sábado, agosto 09, 2008
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