Sententiae Memorandae
Publílio Siro é realmente um tesouro de sentenças memorandas, encher-me-á certametente delas até que termine a sua obra.
Ainda uma nota. Sempre tive a tendência a repudiar toda tentativa de encontrar alguma "natureza humana'", e acusava todos os que a afirmavam de ignorantes. Agora vejo que o ignorantíssimo sou eu. Ao ler o Publílio, e a literatura clássica em geral, é-me impossível não me lhe sentir próximo, e pensar que eu mesmo poderia ter escrito o que ele mesmo escreveu. Assim, deve haver alguma fugidia "natureza" humana escondida em cada um nós. Deve-se, contudo, não extrapolar a medida, e notar a gigantesca diferença existente entre as diversas culturas, além do que, qualquer tentativa de reduzir a história a tal "natureza humana" há de fracassar.
Porfim, estas sentenças, pretendia lançá-las a conta-gotas, comentando-as uma a uma. Urgência, entretanto, impede-mo. Fá-lo-ei a baldadas.
2.Ab alio expectes, alteri quod feceris. - Não faça aos outros, o que não queres que te façam
4.Auxilia humilia firma consensus facit. - A união faz a força
6.Aut amat aut odit mulier, nil est tertium. - A mulher ou ama ou odeia, não há terceira opção.
10.Amici vitia si feras, facias tua. - Se imitas os vícios do amigo, fá-los-ás teus.
17.Ad calamitatem quilibet rumor valet. - Qualquer rumor prevalece na calamidade.
18.Amor extorqueri non pote, elabi pote. - O amor não pode ser extorquido, mas pode escapar.
22.Amare et sapere vix deo conceditur. - Dificilmente o deus concede amar e saber.
24.Astus cinaedum celat, aetas indicat. - A astúcia esconde o pervertido, a idade o indica.
27.Animo dolenti nil oportet credere. - Convém não acreditar em nada a um animo dolente.
28.Aliena nobis, nostra plus aliis placent. - As nossas coisas agradam mais aos outros, e a dos outros a nós.
30.Anus cum ludit, morti delicias facit. - O velho quando brinca, faz delícias à morte.
(Publilius Syrus. Publilii Syri Sententiae)
sábado, novembro 29, 2003
Notícias da Democracia
Armazenada para futura aferição
Lula terminou o discurso com uma crítica indireta ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Este governo vai fazer o que o governo de alguns não conseguiu fazer durante tantos anos. Nós vamos fazer, meus companheiros e companheiras, porque quando terminar o mandato deste governo nenhum ministro vai morar em Paris, nenhum ministro vai morar em Nova York, nenhum ministro vai trabalhar para um banco, nenhum ministro vai prestar serviço para grandes multinacionais", atacou o presidente.
Ele se referia, sem citar nomes, ao próprio Fernando Henrique, que está dando aulas em Nova York e passou meses em Paris e ao ex-ministro da Fazenda Pedro Malan, recém-nomeado vice-presidente do Unibanco.
"Eu, particularmente, quero voltar para a minha São Bernardo do Campo e poder levantar de manhã, olhar na cara dos metalúrgicos que me fizeram ser político e dizer: nós não fizemos tudo, mas fizemos mais do que muita gente já fez na História republicana deste país", repetiu o presidente.
Em vários trechos do discurso, Lula destacou a necessidade de todos os setores do governo manterem disposição ao diálogo em busca de solução "para que o meio ambiente não seja um entrave ao desenvolvimento sustentável deste país".
Assegurou, ainda, que irá resolver o problema da água no Nordeste brasileiro. "É muito fácil ficar em São Paulo ou em Brasília, fazendo críticas. Eu convido esse crítico a passar uma seca no semi-árido nordestino, para que ele saiba que nós vamos levar água para o Nordeste brasileiro", declarou ele, acrescentando que "é muito fácil as pessoas colocarem obstáculos ao invés de quererem construir".
Segundo o presidente, o seu governo atua para fortalecer a sociedade porque acredita que, "só assim, será possível, transformar o Estado em ferramenta republicana a serviço de todos". Para Lula, ouvir a sociedade tem de ser a regra, "não pode ser a exceção ou o recurso derradeiro na hora do impasse e da crise".
Em seguida, salientou que o Brasil precisa traçar a rede que vai garantir seu futuro sustentável no século 21 e o que se está vendo hoje, neste encontro do meio ambiente, é parte da formação dessa teia. "A integração econômica deve ser feita fortalecendo-se a integração ecológica e cultural", disse Lula, que acredita que o avanço tecnológico - vital para que o Brasil integre de modo cada vez mais soberano no mundo - pode e deve ser alcançado de modo ambientalmente sustentável.
Armazenada para futura aferição
Lula terminou o discurso com uma crítica indireta ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Este governo vai fazer o que o governo de alguns não conseguiu fazer durante tantos anos. Nós vamos fazer, meus companheiros e companheiras, porque quando terminar o mandato deste governo nenhum ministro vai morar em Paris, nenhum ministro vai morar em Nova York, nenhum ministro vai trabalhar para um banco, nenhum ministro vai prestar serviço para grandes multinacionais", atacou o presidente.
Ele se referia, sem citar nomes, ao próprio Fernando Henrique, que está dando aulas em Nova York e passou meses em Paris e ao ex-ministro da Fazenda Pedro Malan, recém-nomeado vice-presidente do Unibanco.
"Eu, particularmente, quero voltar para a minha São Bernardo do Campo e poder levantar de manhã, olhar na cara dos metalúrgicos que me fizeram ser político e dizer: nós não fizemos tudo, mas fizemos mais do que muita gente já fez na História republicana deste país", repetiu o presidente.
Em vários trechos do discurso, Lula destacou a necessidade de todos os setores do governo manterem disposição ao diálogo em busca de solução "para que o meio ambiente não seja um entrave ao desenvolvimento sustentável deste país".
Assegurou, ainda, que irá resolver o problema da água no Nordeste brasileiro. "É muito fácil ficar em São Paulo ou em Brasília, fazendo críticas. Eu convido esse crítico a passar uma seca no semi-árido nordestino, para que ele saiba que nós vamos levar água para o Nordeste brasileiro", declarou ele, acrescentando que "é muito fácil as pessoas colocarem obstáculos ao invés de quererem construir".
Segundo o presidente, o seu governo atua para fortalecer a sociedade porque acredita que, "só assim, será possível, transformar o Estado em ferramenta republicana a serviço de todos". Para Lula, ouvir a sociedade tem de ser a regra, "não pode ser a exceção ou o recurso derradeiro na hora do impasse e da crise".
Em seguida, salientou que o Brasil precisa traçar a rede que vai garantir seu futuro sustentável no século 21 e o que se está vendo hoje, neste encontro do meio ambiente, é parte da formação dessa teia. "A integração econômica deve ser feita fortalecendo-se a integração ecológica e cultural", disse Lula, que acredita que o avanço tecnológico - vital para que o Brasil integre de modo cada vez mais soberano no mundo - pode e deve ser alcançado de modo ambientalmente sustentável.
sábado, novembro 08, 2003
segunda-feira, outubro 13, 2003
[Fragmenta] Da Lógica
A lógica, pode-se-a dividir em três períodos: a tradicional, a de port-royal e a moderna. A primeira apresenta-se “ontológica”, aristotélica e escolástica. A segunda,“espistemológica”, nasce bastarda com Descartes e toma a realeza com Kant e Hegel. A última, “lingüística”, surge incógnita com Frege e é popularizada com Russel.
É de se notar que a lógica acompanha (guia?) a filosofia. Dos áureos dias em que cheia de si desvelava o mundo, aos apequenados bancos da academia em que envergonhada procura algo de que possa falar.
A lógica, pode-se-a dividir em três períodos: a tradicional, a de port-royal e a moderna. A primeira apresenta-se “ontológica”, aristotélica e escolástica. A segunda,“espistemológica”, nasce bastarda com Descartes e toma a realeza com Kant e Hegel. A última, “lingüística”, surge incógnita com Frege e é popularizada com Russel.
É de se notar que a lógica acompanha (guia?) a filosofia. Dos áureos dias em que cheia de si desvelava o mundo, aos apequenados bancos da academia em que envergonhada procura algo de que possa falar.
segunda-feira, outubro 06, 2003
Notas Zero - Meditações
“(...) estabelecer algo firme e constante nas ciências.” (Meditações, 13)
Tal foi o objetivo de Descartes, estabelecer algo firme e constante. Tal é o objetivo da filosofia desde Sócrates. Que se conseguiu? Inconstância, aparência. O sucesso das ciências naturais parecia ter mostrado-nos o caminho, no entanto o máximo conseguido foi uma mole tentativa de desestabilizá-las. Será a filosofia de fato apenas uma ciência ratée? Nada além de literatura sem graça? Dever-nos-íamos voltar à saudável skepsis? ao imutável panta rhei do efésio?
“(...) estabelecer algo firme e constante nas ciências.” (Meditações, 13)
Tal foi o objetivo de Descartes, estabelecer algo firme e constante. Tal é o objetivo da filosofia desde Sócrates. Que se conseguiu? Inconstância, aparência. O sucesso das ciências naturais parecia ter mostrado-nos o caminho, no entanto o máximo conseguido foi uma mole tentativa de desestabilizá-las. Será a filosofia de fato apenas uma ciência ratée? Nada além de literatura sem graça? Dever-nos-íamos voltar à saudável skepsis? ao imutável panta rhei do efésio?
terça-feira, setembro 30, 2003
Notas Zero
Kant ? Idée d?une histoire universelle au point de vue cosmpolitique.
A despeito do conceito que se tenha da liberdade do querer, a sua manifestação fenomênica, as ações humanas, são determinadas pelas leis universais da natureza, tanto quanto os fenômenos naturais.
A história propõe-se contar estas manifestações fenomênicas, e, considerando globalmente o jogo da liberdade humana, pode encontrar um curso regular. Assim, o que para os indivíduos parece ser confuso e irregular, do ponto de vista da espécie pode ser reconhecido como um desenvolvimento constante, embora lento, das suas disposições originais.
Do mesmo modo que, os nascimentos, casamentos e mortes sejam enormemente influenciados pela livre vontade, não parecendo seguir regra alguma, podem ser, a partir de dados estatísticos, previsíveis e seguem um determinado curso, segundo leis naturais. Assim como as variações atmosféricas tomadas isoladamente são inconstantes e imprevisíveis, todavia tomadas globalmente submetem-se a leis naturais constantes.
Assim os homens individualmente parecem seguir apenas seus fins individuais incondicionados, no entanto tomados como espécie vê-se que eles orientam-se por determinado fio condutor estabelecido pela natureza.
Não se pode encontrar nos homens nenhum desejo pessoal razoável, cabe portanto buscar na marcha humana um desejo da natureza. Havendo assim uma história segundo um plano determinado da natureza, um fio condutor da história.
.1.
Todas as disposições naturais de uma criatura estão destinadas e se desenvolver de maneira exaustiva e final.
Verificado em todos os animais. Um órgão que não deve ser usado desaparece [? E o apêndice e os pelos?]. Abandonando este princípio, abandona-se uma concepção de natureza conforme a leis, a indeterminação toma o lugar do fio condutor da razão [Rejeitar a teleologia significa rejeita uma natureza mecânica? E todos os materialistas não-teleológicos?].
.2.
No homem as disposições naturais que visam o desenvolvimento da razão devem desenvolver-se completamente não no indivíduo, mas na espécie.
======falha geral======
Kant na História Universal, tenta mostrar que a humanidade enquanto espécie não está dissociada da natureza, e que, portanto, também está sujeita ao seu plano e às suas leis.
O movimento da espécie humana pode ser apreendido pela razão, mesmo que se afirme a liberdade do indivíduo. Afinal, a análise estatística de eventos sociais, como casamentos, parece mostrar uma certa constância, apesar de que hoje isto seja no mínimo muito duvidoso. Da mesma forma que ao se estudar o tempo em um centímetro quadrado da superfície ele parecerá completamente inconstante, ao se o tomar globalmente constar-se-á que ele segue determinadas leis. Kant, contudo parece querer preservar a liberdade do indivíduo, dizendo que a natureza apenas orienta a espécie para a realização do seu plano.
Sendo assim, Kant deseja colocar a nu o fio condutor da história, elaborado pela natureza, sem contudo fazer um estudo da história segundo tal fio.
A natureza teria posto nas criaturas certas disposições a ser plenamente desenvolvidas, no homem as disposições naturais que visam o uso da razão devem realizar-se completamente apenas na espécie e não no indivíduo. Isso se dá por ser a vida humana curta, e a razão necessitar de exercício. Assim é impossível que alguém consiga desenvolver plenamente as suas disposições, entretanto o conhecimento acumulado pelas gerações pode-o.
A natureza quis que o homem tirasse dele mesmo, criando a partir da razão, as felicidades ou perfeições de que toma parte, ultrapassando a mecanicidade da sua existência animal. Ao dar ao homem a razão e a liberdade da vontade, que se funda sobre aquela, fez com que ele não devesse ser guiado pelo instinto, mas deveria tirar o conhecimento de si mesmo.
Kant ? Idée d?une histoire universelle au point de vue cosmpolitique.
A despeito do conceito que se tenha da liberdade do querer, a sua manifestação fenomênica, as ações humanas, são determinadas pelas leis universais da natureza, tanto quanto os fenômenos naturais.
A história propõe-se contar estas manifestações fenomênicas, e, considerando globalmente o jogo da liberdade humana, pode encontrar um curso regular. Assim, o que para os indivíduos parece ser confuso e irregular, do ponto de vista da espécie pode ser reconhecido como um desenvolvimento constante, embora lento, das suas disposições originais.
Do mesmo modo que, os nascimentos, casamentos e mortes sejam enormemente influenciados pela livre vontade, não parecendo seguir regra alguma, podem ser, a partir de dados estatísticos, previsíveis e seguem um determinado curso, segundo leis naturais. Assim como as variações atmosféricas tomadas isoladamente são inconstantes e imprevisíveis, todavia tomadas globalmente submetem-se a leis naturais constantes.
Assim os homens individualmente parecem seguir apenas seus fins individuais incondicionados, no entanto tomados como espécie vê-se que eles orientam-se por determinado fio condutor estabelecido pela natureza.
Não se pode encontrar nos homens nenhum desejo pessoal razoável, cabe portanto buscar na marcha humana um desejo da natureza. Havendo assim uma história segundo um plano determinado da natureza, um fio condutor da história.
.1.
Todas as disposições naturais de uma criatura estão destinadas e se desenvolver de maneira exaustiva e final.
Verificado em todos os animais. Um órgão que não deve ser usado desaparece [? E o apêndice e os pelos?]. Abandonando este princípio, abandona-se uma concepção de natureza conforme a leis, a indeterminação toma o lugar do fio condutor da razão [Rejeitar a teleologia significa rejeita uma natureza mecânica? E todos os materialistas não-teleológicos?].
.2.
No homem as disposições naturais que visam o desenvolvimento da razão devem desenvolver-se completamente não no indivíduo, mas na espécie.
======falha geral======
Kant na História Universal, tenta mostrar que a humanidade enquanto espécie não está dissociada da natureza, e que, portanto, também está sujeita ao seu plano e às suas leis.
O movimento da espécie humana pode ser apreendido pela razão, mesmo que se afirme a liberdade do indivíduo. Afinal, a análise estatística de eventos sociais, como casamentos, parece mostrar uma certa constância, apesar de que hoje isto seja no mínimo muito duvidoso. Da mesma forma que ao se estudar o tempo em um centímetro quadrado da superfície ele parecerá completamente inconstante, ao se o tomar globalmente constar-se-á que ele segue determinadas leis. Kant, contudo parece querer preservar a liberdade do indivíduo, dizendo que a natureza apenas orienta a espécie para a realização do seu plano.
Sendo assim, Kant deseja colocar a nu o fio condutor da história, elaborado pela natureza, sem contudo fazer um estudo da história segundo tal fio.
A natureza teria posto nas criaturas certas disposições a ser plenamente desenvolvidas, no homem as disposições naturais que visam o uso da razão devem realizar-se completamente apenas na espécie e não no indivíduo. Isso se dá por ser a vida humana curta, e a razão necessitar de exercício. Assim é impossível que alguém consiga desenvolver plenamente as suas disposições, entretanto o conhecimento acumulado pelas gerações pode-o.
A natureza quis que o homem tirasse dele mesmo, criando a partir da razão, as felicidades ou perfeições de que toma parte, ultrapassando a mecanicidade da sua existência animal. Ao dar ao homem a razão e a liberdade da vontade, que se funda sobre aquela, fez com que ele não devesse ser guiado pelo instinto, mas deveria tirar o conhecimento de si mesmo.
Notas Zero
Heidegger – O que é uma coisa?, intro.
.1.
A questão “que é uma coisa?” é uma questão fundamental da metafísica, isto é, pertence ao cerne e ao centro da filosofia.
.2.
Pode-se dizer “é uma coisa” dos mais variados objetos, dos mais imediatos, como uma mesa ou um teclado, aos mais abstratos e afastados de nós, como o número 44, Deus ou o ódio. A coisa diz-se, então, em três sentidos: estrito (coisa que está ao alcance de mão), lato (planos, resoluções, convicções, maneira de pensar...) e ainda mais lato (qualquer coisa que não seja o nada). Tal fixação arbitrária dos sentidos de “coisa” fixa também o domínio e a direção da questão.
À questão “que é uma coisa?”, então, precisa-se definir em que sentido está-se dizendo “coisa”, sob pena de procurar algo sem saber o que se está procurando. Heidegger começa pela coisa no sentido estrito.
.3.
As coisas em sentido estrito já foram determinadas pela ciência e pela técnica. O que é um sapato diz-nos rápida e certeiramente o sapateiro. Chegamos demasiado tarde, nada se pode começar pela questão “que é uma coisa”.
Contudo, com a nossa questão queremos saber o que são as coisas enquanto coisas, o que a ciência e a técnica não nos podem responder, pois se preocupam com as coisas em suas relações com as outras coisas.
Com a pergunta “que é uma coisa” deseja-se sabe o que torna-coisa a coisa, e não madeira, mesa, número (tarefa da ciência). Não pergunta-se pela coisa enquanto determinada espécie, mas pela coisalidade da coisa. Esta coisalidade já não pode ser coisa, deve ser incondicionado. Devemos ir até o que já-não-é-coisa.
Devemos saber o que o cientista não quer saber. E não nos trará nenhuma vantagem prática sabê-lo.
Colocamo-nos fora das ciências, sem pretender melhorá-las ou lhe sermos melhores. Cabe a questão: é a ciência a única medida para o saber, ou há um outro saber que fundamenta e determina os limites da ciência? Se há, pode-se passar sem ele?
.4.
Onde está a coisa? Não se encontra jamais a coisa, porém apenas coisas particulares. Por quê? Por causa de nós ou da própria coisa?
O Sol é visto de modo diferente pelo astrônomo e pelo pastor, qual dos dois é o Sol verdadeiro? Para decidi-lo é necessário saber que é uma coisa, e nem o pastor nem o astrofísico no-lo podem responder, nem mesmo necessitam fazê-lo.
.5.
A experiência mostra-no serem as coisas coisas singulares. Não há coisa geral, a coisa é sempre esta coisa e nenhuma outra.
O cientista não se preocupa com este aspecto da coisa enquanto coisa, dado que está interessado não no particular, mas no geral. São-lhe os particulares apenas exemplares do universal. A determinação universal da coisa “consiste no fato de ela ser ‘esta coisa’, a sua ‘istidade’”.
Terá isto validade universal? Não há duas coisas idênticas? Como dois baldes iguais? Mesmo as coisas ditas idênticas dão-se como coisas particulares, pois possui cada uma um espaço-tempo distinto. Nunca há duas coisas iguais.
O questão da coisa inclui então as questões “que é espaço?” e “que é tempo?”. Por que espaço e tempo estão unidos um ao outro? A unidade do espaço e tempo determina a istidade da coisa.
Mas espaço e tempo são determinações da própria coisa? São espaço e tempo apenas um quadro para as coisas (onde as colocamos) ou algo de diferente?
Onde está o espaço e o tempo? No interior das coisas, ou lhes é atribuição exterior? Espaço e tempo são exteriores às coisas. São domínios susceptíveis de acolher as coisas, indiferentes a elas. A coisa só é “esta coisa” na perspectiva do tempo e do espaço. Pode então haver duas coisa iguais?
A questão do modo de ser das coisas está totalmente dependente da questão do Ser.
Heidegger – O que é uma coisa?, intro.
.1.
A questão “que é uma coisa?” é uma questão fundamental da metafísica, isto é, pertence ao cerne e ao centro da filosofia.
.2.
Pode-se dizer “é uma coisa” dos mais variados objetos, dos mais imediatos, como uma mesa ou um teclado, aos mais abstratos e afastados de nós, como o número 44, Deus ou o ódio. A coisa diz-se, então, em três sentidos: estrito (coisa que está ao alcance de mão), lato (planos, resoluções, convicções, maneira de pensar...) e ainda mais lato (qualquer coisa que não seja o nada). Tal fixação arbitrária dos sentidos de “coisa” fixa também o domínio e a direção da questão.
À questão “que é uma coisa?”, então, precisa-se definir em que sentido está-se dizendo “coisa”, sob pena de procurar algo sem saber o que se está procurando. Heidegger começa pela coisa no sentido estrito.
.3.
As coisas em sentido estrito já foram determinadas pela ciência e pela técnica. O que é um sapato diz-nos rápida e certeiramente o sapateiro. Chegamos demasiado tarde, nada se pode começar pela questão “que é uma coisa”.
Contudo, com a nossa questão queremos saber o que são as coisas enquanto coisas, o que a ciência e a técnica não nos podem responder, pois se preocupam com as coisas em suas relações com as outras coisas.
Com a pergunta “que é uma coisa” deseja-se sabe o que torna-coisa a coisa, e não madeira, mesa, número (tarefa da ciência). Não pergunta-se pela coisa enquanto determinada espécie, mas pela coisalidade da coisa. Esta coisalidade já não pode ser coisa, deve ser incondicionado. Devemos ir até o que já-não-é-coisa.
Devemos saber o que o cientista não quer saber. E não nos trará nenhuma vantagem prática sabê-lo.
Colocamo-nos fora das ciências, sem pretender melhorá-las ou lhe sermos melhores. Cabe a questão: é a ciência a única medida para o saber, ou há um outro saber que fundamenta e determina os limites da ciência? Se há, pode-se passar sem ele?
.4.
Onde está a coisa? Não se encontra jamais a coisa, porém apenas coisas particulares. Por quê? Por causa de nós ou da própria coisa?
O Sol é visto de modo diferente pelo astrônomo e pelo pastor, qual dos dois é o Sol verdadeiro? Para decidi-lo é necessário saber que é uma coisa, e nem o pastor nem o astrofísico no-lo podem responder, nem mesmo necessitam fazê-lo.
.5.
A experiência mostra-no serem as coisas coisas singulares. Não há coisa geral, a coisa é sempre esta coisa e nenhuma outra.
O cientista não se preocupa com este aspecto da coisa enquanto coisa, dado que está interessado não no particular, mas no geral. São-lhe os particulares apenas exemplares do universal. A determinação universal da coisa “consiste no fato de ela ser ‘esta coisa’, a sua ‘istidade’”.
Terá isto validade universal? Não há duas coisas idênticas? Como dois baldes iguais? Mesmo as coisas ditas idênticas dão-se como coisas particulares, pois possui cada uma um espaço-tempo distinto. Nunca há duas coisas iguais.
O questão da coisa inclui então as questões “que é espaço?” e “que é tempo?”. Por que espaço e tempo estão unidos um ao outro? A unidade do espaço e tempo determina a istidade da coisa.
Mas espaço e tempo são determinações da própria coisa? São espaço e tempo apenas um quadro para as coisas (onde as colocamos) ou algo de diferente?
Onde está o espaço e o tempo? No interior das coisas, ou lhes é atribuição exterior? Espaço e tempo são exteriores às coisas. São domínios susceptíveis de acolher as coisas, indiferentes a elas. A coisa só é “esta coisa” na perspectiva do tempo e do espaço. Pode então haver duas coisa iguais?
A questão do modo de ser das coisas está totalmente dependente da questão do Ser.
segunda-feira, setembro 29, 2003
TC – anotações ilegíveis
Edwin Arthr Burtt – As Bases Metafísicas da Ciência Moderna, Cap. III Galileu.
Galileu trocou volumosa correspondência com Kepler, no entanto decidiu investigar não só o movimento dos astros, que desde a antiguidade eram tidos como perfeitos e tendo movimento regulares, logo, previsíveis, mas igualmente o movimento aqui na terra. Fez a aposta de que sublunarmente os corpos dever-se-iam comportar com a mesma regularidade que os supralunares. Assim, era capaz de matematicamente prever fatos, como o alcance máximo de um projétil de canhão. Para ele a natureza possuía uma estrutura matemática, ela era um livro escrito em matemática independente da vontade dos homens. Ao contrário da tradição preocupou-se antes em descrever o movimento (como) do que em o explicar (por que). A visão matemática da natureza induziu-o a vê-la como composta por leis necessárias e universais, apreensíveis pelos homens através da matemática, dando portanto grande importância ao conhecimento a priori (através da matemática pura). O que também, por outro lado, levou-o a excluir o homem da natureza, pois nele nada é universal e necessário. Também relevou a observação como confirmação da teoria, e abandonou a causalidade aristotélica.
Edwin Arthr Burtt – As Bases Metafísicas da Ciência Moderna, Cap. III Galileu.
Galileu trocou volumosa correspondência com Kepler, no entanto decidiu investigar não só o movimento dos astros, que desde a antiguidade eram tidos como perfeitos e tendo movimento regulares, logo, previsíveis, mas igualmente o movimento aqui na terra. Fez a aposta de que sublunarmente os corpos dever-se-iam comportar com a mesma regularidade que os supralunares. Assim, era capaz de matematicamente prever fatos, como o alcance máximo de um projétil de canhão. Para ele a natureza possuía uma estrutura matemática, ela era um livro escrito em matemática independente da vontade dos homens. Ao contrário da tradição preocupou-se antes em descrever o movimento (como) do que em o explicar (por que). A visão matemática da natureza induziu-o a vê-la como composta por leis necessárias e universais, apreensíveis pelos homens através da matemática, dando portanto grande importância ao conhecimento a priori (através da matemática pura). O que também, por outro lado, levou-o a excluir o homem da natureza, pois nele nada é universal e necessário. Também relevou a observação como confirmação da teoria, e abandonou a causalidade aristotélica.
segunda-feira, agosto 25, 2003
Notas para a (re)tomada do mundo
1.O objetivo da revolução não pode ser tomar o Estado, senão tomar o mundo
1.1.Tomar o mundo significa antes de tudo (re)tomar o controle da própria vida.
2.A revolução não se dará de um dia para o outro, através de um confronto direto votado em assembléia ou decidido pelos líderes.
2.1.A experiência dos sécs. XIX e XX mostraram que o confronto direto impede o alastramento da revolução e causa a necessidade do terror.
2.2.A revolução trava-se na vida quotidiana modificando, corrigindo, desviando, comprometendo, erodindo, corrompendo, revolvendo a situação.
2.2.1. A rebeldia quotidiana deve ela mesma dar provas da sua salubridade, e não evocar o sacrifício postergando os pretensos bons tempos a um futuro inexistente.
(Alexander Trocchi. Téchnique du coup du monde, IS 8)
1.O objetivo da revolução não pode ser tomar o Estado, senão tomar o mundo
1.1.Tomar o mundo significa antes de tudo (re)tomar o controle da própria vida.
2.A revolução não se dará de um dia para o outro, através de um confronto direto votado em assembléia ou decidido pelos líderes.
2.1.A experiência dos sécs. XIX e XX mostraram que o confronto direto impede o alastramento da revolução e causa a necessidade do terror.
2.2.A revolução trava-se na vida quotidiana modificando, corrigindo, desviando, comprometendo, erodindo, corrompendo, revolvendo a situação.
2.2.1. A rebeldia quotidiana deve ela mesma dar provas da sua salubridade, e não evocar o sacrifício postergando os pretensos bons tempos a um futuro inexistente.
(Alexander Trocchi. Téchnique du coup du monde, IS 8)
sexta-feira, agosto 22, 2003
segunda-feira, agosto 18, 2003
quinta-feira, agosto 14, 2003
sábado, agosto 02, 2003
A questão, que escrever? Os dias alongam-se, o tédio aprofunda-se, no arrastar-se vivo-morrente da mediocridade da vida, ou melhor, da morte-vivente quotidiana só nos resta a opção derradeira, entenda-se aí o que se quiser. Com efeito, Epicuro estava corretíssimo: a morte nada nos é, esqueceu-se contudo, ou talvez nem se lhe afigurasse naqueles bravos tempos em que os homens eram homens, deste estado que assustadoramente aprisiona os homens-mercadoria: a morte-viva, a aniquilação da vida ativa, altiva, pelo tempo morto, a transfiguração daqueles anthropoi em autômatos. Nossa consciência, nosso efetivo eu aquela e mais alta e mais nobre parte da alma acorrentou-se a si mesma e reduziu-se a servil escrava de seus próprios fantasmas. O fetiche da mercadoria revelou-se o mais macabro dos demônios, até os antigos radicais anticlericais sonham com os bons tempos da velha Igreja, com o seu assaz saudável e inofensivo fetiche.
Nada, nada nos cabe a não ser spectare. Morreu a humanidade, por que diabos continuamos nós insignificantes fantasmas rondando por esta terra desolada?
Nada, nada nos cabe a não ser spectare. Morreu a humanidade, por que diabos continuamos nós insignificantes fantasmas rondando por esta terra desolada?
domingo, julho 27, 2003
Notas acerca da Santa Igreja Bolchevique
Um partido não pode ser outra coisa senão uma organização que via dirigir e dominar.
Enquanto uma classe é um agrupamento de pessoas que ocupam determinada posição no processo produtivo, tendo por conseqüência certos interesses definidos, um partido é um agrupamento de pessoas que têm pontos de vista idênticos no que se trata de grandes questões sociais. A teoria dizia que num partido de classe, a diferença entre partido e classe desapareceria.
O desenvolvimento da social-democracia mostrou que nada disso ocorreu.
O objetivo dos partidos operários atuais é tomar o poder e exercitá-lo em seu proveito. questi ultimi devono essere delle formazioni politiche caratterizzate da strutture rigide, da una coesione che viene assicurata mediante statuti, misure disciplinari, procedure di ammissione e espulsione.
Nella loro qualità di apparati di potere, essi lottano per il potere, e per mantenere i militanti sulla rette via, servono di quei punti di forza di cui essi dispongono in modo sovrano, pur sforzandosi di accrescere costantemente la propria espansione, la propria influenza. Non si danno certo il compito di educare i lavoratori a pensare con la propria testa, ma al contrario, si ritengono investiti del dovere di ammaestrarli, di trasformarli in fedeli e devoti seguaci delle loro dottrine.
All?interno dei partiti "democratici" questo risultato viene ottenuto con dei metodi che salvano le apparenze della libertà, nei partiti dittatoriali con una repressione brutale e dichiarata.
il partito si è rivelato essere un ostacolo per la rivoluzione. E questo perchè esso vuol essere qualcosa di più di un organo di propaganda e di chiarificazione. Perchè si attribuisce come missione sua specifica quella di dirigere e di governare.
Infatti ogni volta che le masse sono intervenute per rovesciare un governo ed hanno in seguito affidato il potere a un nuovo partito, ci siamo trovati di fronte ad una rivoluzione borghese, alla sostituzione di una classe dominante con una nuova classe dominante. Così accade a Parigi nel 1830, quando la borghesia del denaro successe ai grandi proprietari fondiari, e nel 1848 quando la borghesia industriale prese il posto della borghesia finanziaria, mentre nel 1870 si installò al potere la borghesia nel suo insieme, sia la grande che la piccola.
Così accadde durante la rivoluzione russa, quando la burocrazia di partito si accaparro il potere in qualità di categoria incaricata dei compiti di governo.
Um partido não pode ser outra coisa senão uma organização que via dirigir e dominar.
Enquanto uma classe é um agrupamento de pessoas que ocupam determinada posição no processo produtivo, tendo por conseqüência certos interesses definidos, um partido é um agrupamento de pessoas que têm pontos de vista idênticos no que se trata de grandes questões sociais. A teoria dizia que num partido de classe, a diferença entre partido e classe desapareceria.
O desenvolvimento da social-democracia mostrou que nada disso ocorreu.
O objetivo dos partidos operários atuais é tomar o poder e exercitá-lo em seu proveito. questi ultimi devono essere delle formazioni politiche caratterizzate da strutture rigide, da una coesione che viene assicurata mediante statuti, misure disciplinari, procedure di ammissione e espulsione.
Nella loro qualità di apparati di potere, essi lottano per il potere, e per mantenere i militanti sulla rette via, servono di quei punti di forza di cui essi dispongono in modo sovrano, pur sforzandosi di accrescere costantemente la propria espansione, la propria influenza. Non si danno certo il compito di educare i lavoratori a pensare con la propria testa, ma al contrario, si ritengono investiti del dovere di ammaestrarli, di trasformarli in fedeli e devoti seguaci delle loro dottrine.
All?interno dei partiti "democratici" questo risultato viene ottenuto con dei metodi che salvano le apparenze della libertà, nei partiti dittatoriali con una repressione brutale e dichiarata.
il partito si è rivelato essere un ostacolo per la rivoluzione. E questo perchè esso vuol essere qualcosa di più di un organo di propaganda e di chiarificazione. Perchè si attribuisce come missione sua specifica quella di dirigere e di governare.
Infatti ogni volta che le masse sono intervenute per rovesciare un governo ed hanno in seguito affidato il potere a un nuovo partito, ci siamo trovati di fronte ad una rivoluzione borghese, alla sostituzione di una classe dominante con una nuova classe dominante. Così accade a Parigi nel 1830, quando la borghesia del denaro successe ai grandi proprietari fondiari, e nel 1848 quando la borghesia industriale prese il posto della borghesia finanziaria, mentre nel 1870 si installò al potere la borghesia nel suo insieme, sia la grande che la piccola.
Così accadde durante la rivoluzione russa, quando la burocrazia di partito si accaparro il potere in qualità di categoria incaricata dei compiti di governo.
Notas acerca da Fortaleza Vermelha
Rühle sobre a sua visita a URSS.
Russia was suffering in all of its limbs, from every disease
The Russian tactic is the tactic of authoritarian organisation. It has been so consistently developed and in the end carried to extremes, by the Bolsheviks to the fundamental principle of centralism that it has led to over-centralism.
Centralism is the organisational principle of the bourgeois-capitalist age. With it the bourgeois state and the capitalist economy can be built up. Not however the proletarian state and the socialist economy. They demand the council system.
On the contrary: these methods produce in an advanced proletariat such as the German exactly the opposite result. They strangle initiatives, paralyse the revolutionary activity, impair the combativeness, reduce the personal feeling of responsibility.
The necessary freedom therefore will however never be won in the coercive system of centralism, the chains of bureaucratic-militaristic control, under the burden of a leader-dictatorship and its inevitable accompaniments: arbitrariness, personality cult, authority, corruption, violence.
1 The communists are duty-bound to set themselves up in a rigid centralist, iron-hard, militaristic, dictatorial organisation.
2 The communists are duty-bound to take part in parliamentary elections, and to enter parliament to carry out a new type of revolutionary parliamentary work there.
3 The communists are duty-bound to remain in the trade unions so as to help the revolution to victory in these revolutionarily-transformable institutions.
(Otto Rühle. Report from Moscow, 1920)
Rühle sobre a sua visita a URSS.
Russia was suffering in all of its limbs, from every disease
The Russian tactic is the tactic of authoritarian organisation. It has been so consistently developed and in the end carried to extremes, by the Bolsheviks to the fundamental principle of centralism that it has led to over-centralism.
Centralism is the organisational principle of the bourgeois-capitalist age. With it the bourgeois state and the capitalist economy can be built up. Not however the proletarian state and the socialist economy. They demand the council system.
On the contrary: these methods produce in an advanced proletariat such as the German exactly the opposite result. They strangle initiatives, paralyse the revolutionary activity, impair the combativeness, reduce the personal feeling of responsibility.
The necessary freedom therefore will however never be won in the coercive system of centralism, the chains of bureaucratic-militaristic control, under the burden of a leader-dictatorship and its inevitable accompaniments: arbitrariness, personality cult, authority, corruption, violence.
1 The communists are duty-bound to set themselves up in a rigid centralist, iron-hard, militaristic, dictatorial organisation.
2 The communists are duty-bound to take part in parliamentary elections, and to enter parliament to carry out a new type of revolutionary parliamentary work there.
3 The communists are duty-bound to remain in the trade unions so as to help the revolution to victory in these revolutionarily-transformable institutions.
(Otto Rühle. Report from Moscow, 1920)
sábado, julho 26, 2003
Situacionistas avant la lettre?
-Seria necessário organizar a vida de modo que cada instante tivesse uma certa significação - proferiu pensativo Arcádio
-Concordo! O que significa alguma coisa, ainda que seja um engano, é agradável. Com o que nada significa podemos ainda concordar... O mal consiste nessas mil e uma coisas sem valor algum, indignas de qualquer atenção e incômodos...
(Ivan Turgueniev. Pais e Filhos, XXI)
-Seria necessário organizar a vida de modo que cada instante tivesse uma certa significação - proferiu pensativo Arcádio
-Concordo! O que significa alguma coisa, ainda que seja um engano, é agradável. Com o que nada significa podemos ainda concordar... O mal consiste nessas mil e uma coisas sem valor algum, indignas de qualquer atenção e incômodos...
(Ivan Turgueniev. Pais e Filhos, XXI)
quarta-feira, julho 23, 2003
Notas acerca do último espasmo da revolução
O artigo de Ciliga é, sem dúvida, decepcionante. Pouco, ou quase nada, fala de relevante sobre as origens de Kronstadt, a sua significação e a relação com o bolchevismo e os vindouros processos de Moscou
Há um paralelo entre o que ocorrera em 1921 (Kronstadt) e o que ocorreu em 1938 (Processos de Moscou).
No inverno de 20-21 a revolução passava por uma fase crítica: a ofensiva contra a Polônia terminara com uma derrota, a revolução não estourara no Ocidente, a fome e a desorganização tomara conta do país inteiro.
O Partido decidira enfrentar a situação aumentando o poder da burocracia. Pediam por um bonapartismo proletário a fim de impedir a restauração burguesa.
Foi precisamente o fim da guerra que gerou a divisão da sociedade pós-revolucionária em dois: os burocratas e as massas.
(Ante Ciliga. The Kronstadt Revolt)
O artigo de Ciliga é, sem dúvida, decepcionante. Pouco, ou quase nada, fala de relevante sobre as origens de Kronstadt, a sua significação e a relação com o bolchevismo e os vindouros processos de Moscou
Há um paralelo entre o que ocorrera em 1921 (Kronstadt) e o que ocorreu em 1938 (Processos de Moscou).
No inverno de 20-21 a revolução passava por uma fase crítica: a ofensiva contra a Polônia terminara com uma derrota, a revolução não estourara no Ocidente, a fome e a desorganização tomara conta do país inteiro.
O Partido decidira enfrentar a situação aumentando o poder da burocracia. Pediam por um bonapartismo proletário a fim de impedir a restauração burguesa.
Foi precisamente o fim da guerra que gerou a divisão da sociedade pós-revolucionária em dois: os burocratas e as massas.
(Ante Ciliga. The Kronstadt Revolt)
segunda-feira, julho 21, 2003
Quelque chose à détourner
A pólvora e a bombarda servem bem de metáfora à mercadoria e ao capital.
26.
Come trovasti, o scelerata e brutta
Invenzïon, mai loco in uman core ?
Per te la militar gloria è distrutta;
Per te il mestier de l'arme è senza onore;
Per te è il valore e la virtú ridutta,
Che spesso par del buono il rio migliore:
Non più la gagliardi, non più l'ardire
Per te può in campo al paragon venire.
27.
Per te son giti et anderan sotterra
Tanti Signori e Cavalieri tanti,
Prima che sia finita questa guerra,
Che'l mondo, ma più Italia ha messo in pianti;
Che s'io v'ho detto, il detto mio no erra,
Che ben fu il più crudele, e il più di quanti
Mai furo al mondo ingegni empii e maligni,
Ch'imaginò si abominosi ordigni.
(Ariosto. Orlando Furioso, Canto XI)
A pólvora e a bombarda servem bem de metáfora à mercadoria e ao capital.
26.
Come trovasti, o scelerata e brutta
Invenzïon, mai loco in uman core ?
Per te la militar gloria è distrutta;
Per te il mestier de l'arme è senza onore;
Per te è il valore e la virtú ridutta,
Che spesso par del buono il rio migliore:
Non più la gagliardi, non più l'ardire
Per te può in campo al paragon venire.
27.
Per te son giti et anderan sotterra
Tanti Signori e Cavalieri tanti,
Prima che sia finita questa guerra,
Che'l mondo, ma più Italia ha messo in pianti;
Che s'io v'ho detto, il detto mio no erra,
Che ben fu il più crudele, e il più di quanti
Mai furo al mondo ingegni empii e maligni,
Ch'imaginò si abominosi ordigni.
(Ariosto. Orlando Furioso, Canto XI)
A queda dum anjo: a literatura portuguesa entre o paraíso das Serras e o degredo na Cidade
A queda dum anjo é uma novela de 1862 de um dos maiores nomes da literatura portuguesa, Camilo Castelo Branco. Como a própria data sugere, Camilo foi um dos expoentes do romantismo português, todavia A queda dum anjo não se encaixa facilmente sob o rótulo ultra-romântico.
A novela conta a história do venerando Calisto Elói, morgado das serras que, fora as atividades quotidianas, enterrava-se na sua biblioteca abarrotada de clássicos. Eram os clássicos gregos, latinos e lusos a sua vida, e era a mulher e prima, com quem se casara por mera inércia e tradição, que o arrastava às convenções sociais da província. A erudição e a loquacidade que aprendera com os clássicos dava-lhe idéias inusitadas, reclamava pela volta da velha moral, dos velhos costumes, da velha língua e das velhas leis lusitanas, quando retrucavam-lhe que as coisas haviam mudado bastante em 700, replicava afirmando que a verdade era sempre a mesma. Mas o morgado não era homem de palavras vazias, acreditava e agia segundo os seus clássicos.
A cultura, a retidão e a suas idéias classicistas levaram-no aos quarenta e quatro anos, ainda que a contragosto, ao parlamento em Lisboa. Lá ele choca a sociedade com seus hábitos e idéias rudes, com a sua indumentária e os seus discursos no parlamento, e acaba ganhando fama, como motivo de galhofa para uns, como motivo de admiração para os ultra-conservadores. Ele combate tenazmente na sua cruzada para moralização de Portugal, até que um mal inesperado o atinge: o amor, sentimento que lhe era completamente desconhecido, toma-o de assalto quando uma jovenzinha filha de um correligionário torna-se-lhe amiga. Ensandecido pelo amor ele paulatinamente transmuta-se num lisboeta modernoso, do mesmo jaez dos que ele antes desprezava. A menina que lhe foi a primeira paixão o refuta, mas ao coração do morgado nem é dado o tempo de esfacelar-se em lamúrias, uma deidade brasileira bate-lhe certa vez à porta pedindo ajuda, e ambos apaixonam-se loucamente.
A transmutação sofrida em virtude do amor, fá-lo afastar-se da sua região. A sua mulher, preocupada por não ter as suas cartas respondidas, ver seu marido gastando fortunas e nunca mais dar as caras na Agra, investiga e acaba por descobrir que seu marido mantinha como princesa a amante brasileira em Lisboa. Impelida pelas intrigas de um primo trambiqueiro desejoso de casar-se-lhe para abocanhar a sua riqueza, separam-se nada amistosamente Calisto e sua mulher. Ambos deixam a velha rudeza e ajustam-se aos novos tempos, saem do estado letárgico em que estiveram e passam a ser felizes.
A queda dum anjo ainda que escrita por um ultra-romântico, tem pouco de romantismo, tanto que recebe a alcunha de crítica social. Como o titulo deixa claro, o livro conta a história da queda de um anjo, Calisto, e também a sua mulher, que vivia num estado paradisíaco nas serras, quando vem para a cidade e é expostos aos achaques do amor é expulso do Éden e transforma-se em mais um de nós, pecadores filhos do pecador Adão. A temática do livro é semelhante a que outros escritores portugueses, como Garrett e Eça, que escreveram logo após o advento da revolução liberal, que iniciou a modernização portuguesa, trata da oposição entre as serras ainda puras e a decadente cidade, já enlevada pela avalanche capitalista. Aquele tipo singular que era o Calista torna-se o qualquer um, igual aos outros na cidade. Do indivíduo completo que era na agra, vira um ser vazio,que se vende e se adapta adequadamente à situação para manter seu amor, o íntegro, o integral, provinciano vira o político sem estofo que segue a moda, que faz o que lhe mandam fazer, tudo a fim de garantir a sua felicidade com a fidalga brasileira. É bem verdade que Camilo não trata a questão com a verve crítica dos seus pares, nem pinta tacitamente seja a cidade como o problema sejam as serras como a solução. Não, não cai ele num dualismo maniqueísta e panfletário, parece apenas apontar-nos ingenuamente o que se perdeu e o que se ganhou, ele somente conta a trajetória da queda de um anjo, não tem a pretensão de julgá-la.
A queda dum anjo é livro agradabilíssimo, escrito com uma linguagem rica e inteligente, é colorida e rica mas não é pedante e forçada, é um fluir gracioso e natural. Ainda que não seja uma obra propriamente romântica, não se escapa completamente do gênero, pelo contrário, apenas o enfoque não se dá precisamente no amor romântico, ainda que ele seja o eixo que sustente a narrativa. Enfim é uma obra excelente, a qual todo lusófono deve ler.
A queda dum anjo é uma novela de 1862 de um dos maiores nomes da literatura portuguesa, Camilo Castelo Branco. Como a própria data sugere, Camilo foi um dos expoentes do romantismo português, todavia A queda dum anjo não se encaixa facilmente sob o rótulo ultra-romântico.
A novela conta a história do venerando Calisto Elói, morgado das serras que, fora as atividades quotidianas, enterrava-se na sua biblioteca abarrotada de clássicos. Eram os clássicos gregos, latinos e lusos a sua vida, e era a mulher e prima, com quem se casara por mera inércia e tradição, que o arrastava às convenções sociais da província. A erudição e a loquacidade que aprendera com os clássicos dava-lhe idéias inusitadas, reclamava pela volta da velha moral, dos velhos costumes, da velha língua e das velhas leis lusitanas, quando retrucavam-lhe que as coisas haviam mudado bastante em 700, replicava afirmando que a verdade era sempre a mesma. Mas o morgado não era homem de palavras vazias, acreditava e agia segundo os seus clássicos.
A cultura, a retidão e a suas idéias classicistas levaram-no aos quarenta e quatro anos, ainda que a contragosto, ao parlamento em Lisboa. Lá ele choca a sociedade com seus hábitos e idéias rudes, com a sua indumentária e os seus discursos no parlamento, e acaba ganhando fama, como motivo de galhofa para uns, como motivo de admiração para os ultra-conservadores. Ele combate tenazmente na sua cruzada para moralização de Portugal, até que um mal inesperado o atinge: o amor, sentimento que lhe era completamente desconhecido, toma-o de assalto quando uma jovenzinha filha de um correligionário torna-se-lhe amiga. Ensandecido pelo amor ele paulatinamente transmuta-se num lisboeta modernoso, do mesmo jaez dos que ele antes desprezava. A menina que lhe foi a primeira paixão o refuta, mas ao coração do morgado nem é dado o tempo de esfacelar-se em lamúrias, uma deidade brasileira bate-lhe certa vez à porta pedindo ajuda, e ambos apaixonam-se loucamente.
A transmutação sofrida em virtude do amor, fá-lo afastar-se da sua região. A sua mulher, preocupada por não ter as suas cartas respondidas, ver seu marido gastando fortunas e nunca mais dar as caras na Agra, investiga e acaba por descobrir que seu marido mantinha como princesa a amante brasileira em Lisboa. Impelida pelas intrigas de um primo trambiqueiro desejoso de casar-se-lhe para abocanhar a sua riqueza, separam-se nada amistosamente Calisto e sua mulher. Ambos deixam a velha rudeza e ajustam-se aos novos tempos, saem do estado letárgico em que estiveram e passam a ser felizes.
A queda dum anjo ainda que escrita por um ultra-romântico, tem pouco de romantismo, tanto que recebe a alcunha de crítica social. Como o titulo deixa claro, o livro conta a história da queda de um anjo, Calisto, e também a sua mulher, que vivia num estado paradisíaco nas serras, quando vem para a cidade e é expostos aos achaques do amor é expulso do Éden e transforma-se em mais um de nós, pecadores filhos do pecador Adão. A temática do livro é semelhante a que outros escritores portugueses, como Garrett e Eça, que escreveram logo após o advento da revolução liberal, que iniciou a modernização portuguesa, trata da oposição entre as serras ainda puras e a decadente cidade, já enlevada pela avalanche capitalista. Aquele tipo singular que era o Calista torna-se o qualquer um, igual aos outros na cidade. Do indivíduo completo que era na agra, vira um ser vazio,que se vende e se adapta adequadamente à situação para manter seu amor, o íntegro, o integral, provinciano vira o político sem estofo que segue a moda, que faz o que lhe mandam fazer, tudo a fim de garantir a sua felicidade com a fidalga brasileira. É bem verdade que Camilo não trata a questão com a verve crítica dos seus pares, nem pinta tacitamente seja a cidade como o problema sejam as serras como a solução. Não, não cai ele num dualismo maniqueísta e panfletário, parece apenas apontar-nos ingenuamente o que se perdeu e o que se ganhou, ele somente conta a trajetória da queda de um anjo, não tem a pretensão de julgá-la.
A queda dum anjo é livro agradabilíssimo, escrito com uma linguagem rica e inteligente, é colorida e rica mas não é pedante e forçada, é um fluir gracioso e natural. Ainda que não seja uma obra propriamente romântica, não se escapa completamente do gênero, pelo contrário, apenas o enfoque não se dá precisamente no amor romântico, ainda que ele seja o eixo que sustente a narrativa. Enfim é uma obra excelente, a qual todo lusófono deve ler.
quinta-feira, julho 17, 2003
Notas sobre o último espasmo da revolução
Lênin e o Politbureau dirigiram toda a operação.
A Oposição foi contra as medidas tomadas contra os rebeldes, mas nada fez ou falou.
As “provas” dos bolcheviques de que Kronstadt havia sido planejado e teleguiado pela Entente baseiam apenas em clippings de jornais “burgueses” da Europa Ocidental. Se os bolcheviques realmente tivessem as provas, porque não fizeram julgamentos públicos dos revoltosos, mostrando indubitavelmente a Rússia e ao mundo que Kronstadt não passara de um putsch imperialista?
(Ida Mett. THE KRONSTADT UPRISING 1921, V. What was said at the time)
Lênin e o Politbureau dirigiram toda a operação.
A Oposição foi contra as medidas tomadas contra os rebeldes, mas nada fez ou falou.
As “provas” dos bolcheviques de que Kronstadt havia sido planejado e teleguiado pela Entente baseiam apenas em clippings de jornais “burgueses” da Europa Ocidental. Se os bolcheviques realmente tivessem as provas, porque não fizeram julgamentos públicos dos revoltosos, mostrando indubitavelmente a Rússia e ao mundo que Kronstadt não passara de um putsch imperialista?
(Ida Mett. THE KRONSTADT UPRISING 1921, V. What was said at the time)
quarta-feira, julho 16, 2003
9. ?
Os marinheiros estavam decepcionados com todos os partidos políticos, pois os partidos desejam apenas tomar-se do poder, enquanto eles queriam livrar-se do poder.
O Comitê Provisório rejeitou a ajuda proposta por Tchernov, SR de direita e líder da Assembléia Constituinte.
(Ida Mett. THE KRONSTADT UPRISING 1921, V. What was said at the time)
Os marinheiros estavam decepcionados com todos os partidos políticos, pois os partidos desejam apenas tomar-se do poder, enquanto eles queriam livrar-se do poder.
O Comitê Provisório rejeitou a ajuda proposta por Tchernov, SR de direita e líder da Assembléia Constituinte.
(Ida Mett. THE KRONSTADT UPRISING 1921, V. What was said at the time)
7. A reação em Petrogrado
O Governo comprou apressadamente provisões, para subornar o proletariado de Moscou e Petrogrado.
Parte do operariado de Petrogrado continuou a greve durante os eventos de Kronstadt. Eles exigiam a liberação dos prisioneiros.
Em várias fábricas os operários recusaram-se a censurar Kronstadt ou abertamente se lhe aliaram.
Para conter as greves nas principais fábricas de Petrogrado, o governo demitiu os trabalhadores grevistas.
Em outras cidades greves também começaram a surgir, no entanto a repressão, as mentiras e o suborno dos bolcheviques conseguiram que Kronstadt ficasse isolada.
8. A batalha
Em 6 de março Trotsky lançou por rádio um apelo a Kronstadt, incitando os rebeldes a renderem-se ou sofrer as conseqüências.
Em 8 de março um avião soltou uma bomba sobre Kronstadt. Nos dias seguintes a cidade foi bombardeada pela artilharia, além de aviões.
O Comitê Revolucionário havia proibido uma incursão a uma cidade vizinha (Orinenbaum), apesar de seus estoques de munição e comida estarem baixos. Eles recusavam-se a disparar o primeiro tiro, esperando ganhar o apoio da Rússia inteira ao evitar o ataque.
A fortaleza tinha poucos homens, especialmente se comparado com a força que a atacou. No inverno ela era muito vulnerável, por causa do gelo.
As fileiras do Exército Vermelho não escondiam a sua reluta em combater os marinheiros de Kronstadt. Por isso tiveram de ser reorganizadas.
O Exército Vermelho atacou Kronstadt na noite de 8 de março. Um desastre.
O exército teve de ser reogarnizado, simpatizantes de Kronstadt foram transferidos ou severamente punidos, membros do Partido foram designados para diversos batalhões para agitar e vigiar. Apesar da repressão e da propaganda, ainda no dia 14 havia atos de insubordinação. Pequenos grupos rendiam-se e passavam a lutar por Kronstadt. Foram trazidos soldados de regiões longínquas, néscios da fama de Kronstadt.
Enquanto os assaltantes reorganizavam-se e fortaleciam-se, Kronstadt enfraquecia e cansava-se.
O assalto final contra Kronstadt deu-se na noite do dia 16 para 17 de março. Depois de tomados os fortes, começa a sangrenta luta nas ruas da cidade. O combate durou até a manhã do dia 18.
Após a vitória bolchevique, os tribunais revolucionários começaram o seu cruento trabalho.
(Ida Mett. THE KRONSTADT UPRISING 1921, IV. The Kronstadt Events - Background)
O Governo comprou apressadamente provisões, para subornar o proletariado de Moscou e Petrogrado.
Parte do operariado de Petrogrado continuou a greve durante os eventos de Kronstadt. Eles exigiam a liberação dos prisioneiros.
Em várias fábricas os operários recusaram-se a censurar Kronstadt ou abertamente se lhe aliaram.
Para conter as greves nas principais fábricas de Petrogrado, o governo demitiu os trabalhadores grevistas.
Em outras cidades greves também começaram a surgir, no entanto a repressão, as mentiras e o suborno dos bolcheviques conseguiram que Kronstadt ficasse isolada.
8. A batalha
Em 6 de março Trotsky lançou por rádio um apelo a Kronstadt, incitando os rebeldes a renderem-se ou sofrer as conseqüências.
Em 8 de março um avião soltou uma bomba sobre Kronstadt. Nos dias seguintes a cidade foi bombardeada pela artilharia, além de aviões.
O Comitê Revolucionário havia proibido uma incursão a uma cidade vizinha (Orinenbaum), apesar de seus estoques de munição e comida estarem baixos. Eles recusavam-se a disparar o primeiro tiro, esperando ganhar o apoio da Rússia inteira ao evitar o ataque.
A fortaleza tinha poucos homens, especialmente se comparado com a força que a atacou. No inverno ela era muito vulnerável, por causa do gelo.
As fileiras do Exército Vermelho não escondiam a sua reluta em combater os marinheiros de Kronstadt. Por isso tiveram de ser reorganizadas.
O Exército Vermelho atacou Kronstadt na noite de 8 de março. Um desastre.
O exército teve de ser reogarnizado, simpatizantes de Kronstadt foram transferidos ou severamente punidos, membros do Partido foram designados para diversos batalhões para agitar e vigiar. Apesar da repressão e da propaganda, ainda no dia 14 havia atos de insubordinação. Pequenos grupos rendiam-se e passavam a lutar por Kronstadt. Foram trazidos soldados de regiões longínquas, néscios da fama de Kronstadt.
Enquanto os assaltantes reorganizavam-se e fortaleciam-se, Kronstadt enfraquecia e cansava-se.
O assalto final contra Kronstadt deu-se na noite do dia 16 para 17 de março. Depois de tomados os fortes, começa a sangrenta luta nas ruas da cidade. O combate durou até a manhã do dia 18.
Após a vitória bolchevique, os tribunais revolucionários começaram o seu cruento trabalho.
(Ida Mett. THE KRONSTADT UPRISING 1921, IV. The Kronstadt Events - Background)
terça-feira, julho 15, 2003
5. Começa a revolução – O Comitê Revolucionário Provisório
Ante as ameaças do poder (Kouzmin e Vassillev), a assembléia decidiu formar um Comitê Revolucionário Provisório. A maioria dos seus membros era formada por marinheiros de longa data.
A primeira proclamação do Comitê dizia: “Estamos preocupados em evitar o derramamento de sangue. Nosso objetivo é criar através do esforço conjunto da cidade e da fortaleza as condições adequadas para eleições regulares e honestas para o novo soviet.”
No mesmo dia, os habitantes de Kronstadt ocuparam, sob a liderança do Comitê, posições estratégicas na cidade. A maioria dos destacamentos do Exército Vermelho uniram-se aos revoltosos.
6. A Reação Bolchevique
Os bolcheviques tentam fazer passar a idéia de que o movimento de Kronstadt era uma insurreição contra-revolucionária sob o comando de Kozlovsky e teleguiada pelo serviço secreto francês.
Kozlovsky era ex-oficial czarista e general de artilharia que permanecera em Kronstadt. Contudo, de modo algum comandou ou sequer simpatizou com a revolta.
Em 2 de março Kronstadt havia mandado uma delegação oficial para tratar com Lênin.
Em 7 de março o Governo lançou o ataque a Kronstadt.
O Comitê decidira armar os trabalhadores, e exigiu novas eleições para os sindicatos.
As bases bolcheviques desertaram em massa do Partido, aliando-se ao Comitê.
Durante a revolta nenhum bolchevique preso foi morto. E a vasta maioria permaneceu completamente livre.
Em Petrogrado, ao contrário, as famílias de marinheiros de Kronstadt foram presas como reféns.
Não houve terror em Kronstadt.
(Ida Mett. THE KRONSTADT UPRISING 1921, IV. The Kronstadt Events - Background)
Ante as ameaças do poder (Kouzmin e Vassillev), a assembléia decidiu formar um Comitê Revolucionário Provisório. A maioria dos seus membros era formada por marinheiros de longa data.
A primeira proclamação do Comitê dizia: “Estamos preocupados em evitar o derramamento de sangue. Nosso objetivo é criar através do esforço conjunto da cidade e da fortaleza as condições adequadas para eleições regulares e honestas para o novo soviet.”
No mesmo dia, os habitantes de Kronstadt ocuparam, sob a liderança do Comitê, posições estratégicas na cidade. A maioria dos destacamentos do Exército Vermelho uniram-se aos revoltosos.
6. A Reação Bolchevique
Os bolcheviques tentam fazer passar a idéia de que o movimento de Kronstadt era uma insurreição contra-revolucionária sob o comando de Kozlovsky e teleguiada pelo serviço secreto francês.
Kozlovsky era ex-oficial czarista e general de artilharia que permanecera em Kronstadt. Contudo, de modo algum comandou ou sequer simpatizou com a revolta.
Em 2 de março Kronstadt havia mandado uma delegação oficial para tratar com Lênin.
Em 7 de março o Governo lançou o ataque a Kronstadt.
O Comitê decidira armar os trabalhadores, e exigiu novas eleições para os sindicatos.
As bases bolcheviques desertaram em massa do Partido, aliando-se ao Comitê.
Durante a revolta nenhum bolchevique preso foi morto. E a vasta maioria permaneceu completamente livre.
Em Petrogrado, ao contrário, as famílias de marinheiros de Kronstadt foram presas como reféns.
Não houve terror em Kronstadt.
(Ida Mett. THE KRONSTADT UPRISING 1921, IV. The Kronstadt Events - Background)
sexta-feira, julho 11, 2003
Notas acerca do último espasmo da revolução
3. Contexto – A fome, as greves de Petrogrado
A população de Petrogrado havia diminuído em dois terços. Desde de fevereiro de 17 havia falta de comida, mas a situação vinha piorando progressivamente.
A burocracia só piorara a situação. Cada um buscava alimento do jeito que podia, sendo a permuta direta com os camponeses um dos meios mais comuns.
Os mercados haviam sido abolidas oficialmente, mas em praticamente todas as cidades havia mercados ilegais semi-tolerados. No verão de 1920 Zinoviev decretou ilegal toda atividade comercial, os pequenos negócios foram fechados, entretanto o Estado não tinha capacidade de suprir as cidades. Isso só piorou a situação, obstruindo quase todos os meios que as pessoas tinham para sustentar-se.
As habitações não eram aquecidas, e havia grande falta de roupas e calçados.
O salário dos operários em 1920 era apenas 9% do que fora em 1913.
A população começou a sair da capital, quem tinha parentes no campo para lá foi.
Isso mostra a falsidade da versão oficial, que diz terem sido as greves de Petrogrado causadas por camponeses.
A primeira greve estourou em 23 de fevereiro de 1921, e logo se espalhou pelas fábricas da cidade.
Os grevistas pediam medidas para melhorar o suprimento de comida, como restabelecimento dos mercados locais, liberdade de viajar em volta da cidade.
Mas também tinham exigências políticas, como liberdade de expressão, e a libertação de prisioneiros políticos.
Zinoviev decidiu usar a força para acabar com a greve.
No dia 24 de fevereiro foi montado um Comitê de Defesa pelo Partido, comitês similares foram montados nos distritos. No mesmo dia foi o Comitê declarou estado de sítio em Petrogrado. Foi estabelecido toque de recolher e todas as reuniões públicas sem o consentimento do Comitê foram proibidas.
O Partido mobilizou-se. Todos os líderes da greve foram presos.
4. A posição dos marinheiros de Kronstadt
No dia 26 os marinheiros de Kronstadt enviaram delegados para informar-se sobre a greve. A delegação voltou no dia 28.
Os marinheiros do Petropavlovsk lançaram uma resolução exigindo novas eleições para os soviets, liberdade de reunião e de expressão (para operários, camponeses, anarquistas e socialistas de esquerda), liberdade para formação de sindicatos, libertação dos prisioneiros políticos socialistas, reavaliação das prisões feitas, fim das seções políticas nas forças armadas, equalização das rações, abolição dos guardas do Partido, liberdade para os camponeses trabalharem a terra como quiserem.
Não só a fome fora a causa das greves, mas o desencantamento com a situação política. Os soviets tinham tornado-se órgãos do Partido, cada vez mais degenerado. Era contra o monopólio do Partido que reagiam os trabalhadores.
As idéias lançadas por Kronstadt eram debatidas por todos, e por expressar tais idéias muitos haviam sido mandados para as prisões ou campos de concentração.
O partido usava fundos estatais para aumentar a sua influência na polícia e nas forças armadas.
Kronstadt reclamava terem os trabalhadores perdido o controle para os bolcheviques, que o faziam através de um comissariado, o Rubkrin.
Kronstadt estava defendendo o mesmo que defendera em 1917.
O soviet de Kronstad devia ser renovado em 2 de março.
Os marinheiros reuniram-se no dia primeiro, onde foram divulgadas as notícias dos delegados enviados a Petrogrado, e a resolução dos marinheiros do 'Petropavlovsk' , sendo esta aceita pela assembléia, menos pelos representantes do Soviet e do Comitê Político da frota báltica. Foi também decidido o envio de novos delegados para Petrogrado, a recepção de delegados de Pretogrado, e uma nova reunião envolvendo diversos setores, como o exército e instituições estatais, para o dia seguinte.
No dia seguinte ocorreu a assembléia com o encontro dos delegados, onde foi aceita a resolução do Petropavlovsk. Foi preparada a eleição para o soviet, que deveria “preparar a reconstrução pacífica do regime soviético”.
(Ida Mett. THE KRONSTADT UPRISING 1921, IV. The Kronstadt Events - Background)
3. Contexto – A fome, as greves de Petrogrado
A população de Petrogrado havia diminuído em dois terços. Desde de fevereiro de 17 havia falta de comida, mas a situação vinha piorando progressivamente.
A burocracia só piorara a situação. Cada um buscava alimento do jeito que podia, sendo a permuta direta com os camponeses um dos meios mais comuns.
Os mercados haviam sido abolidas oficialmente, mas em praticamente todas as cidades havia mercados ilegais semi-tolerados. No verão de 1920 Zinoviev decretou ilegal toda atividade comercial, os pequenos negócios foram fechados, entretanto o Estado não tinha capacidade de suprir as cidades. Isso só piorou a situação, obstruindo quase todos os meios que as pessoas tinham para sustentar-se.
As habitações não eram aquecidas, e havia grande falta de roupas e calçados.
O salário dos operários em 1920 era apenas 9% do que fora em 1913.
A população começou a sair da capital, quem tinha parentes no campo para lá foi.
Isso mostra a falsidade da versão oficial, que diz terem sido as greves de Petrogrado causadas por camponeses.
A primeira greve estourou em 23 de fevereiro de 1921, e logo se espalhou pelas fábricas da cidade.
Os grevistas pediam medidas para melhorar o suprimento de comida, como restabelecimento dos mercados locais, liberdade de viajar em volta da cidade.
Mas também tinham exigências políticas, como liberdade de expressão, e a libertação de prisioneiros políticos.
Zinoviev decidiu usar a força para acabar com a greve.
No dia 24 de fevereiro foi montado um Comitê de Defesa pelo Partido, comitês similares foram montados nos distritos. No mesmo dia foi o Comitê declarou estado de sítio em Petrogrado. Foi estabelecido toque de recolher e todas as reuniões públicas sem o consentimento do Comitê foram proibidas.
O Partido mobilizou-se. Todos os líderes da greve foram presos.
4. A posição dos marinheiros de Kronstadt
No dia 26 os marinheiros de Kronstadt enviaram delegados para informar-se sobre a greve. A delegação voltou no dia 28.
Os marinheiros do Petropavlovsk lançaram uma resolução exigindo novas eleições para os soviets, liberdade de reunião e de expressão (para operários, camponeses, anarquistas e socialistas de esquerda), liberdade para formação de sindicatos, libertação dos prisioneiros políticos socialistas, reavaliação das prisões feitas, fim das seções políticas nas forças armadas, equalização das rações, abolição dos guardas do Partido, liberdade para os camponeses trabalharem a terra como quiserem.
Não só a fome fora a causa das greves, mas o desencantamento com a situação política. Os soviets tinham tornado-se órgãos do Partido, cada vez mais degenerado. Era contra o monopólio do Partido que reagiam os trabalhadores.
As idéias lançadas por Kronstadt eram debatidas por todos, e por expressar tais idéias muitos haviam sido mandados para as prisões ou campos de concentração.
O partido usava fundos estatais para aumentar a sua influência na polícia e nas forças armadas.
Kronstadt reclamava terem os trabalhadores perdido o controle para os bolcheviques, que o faziam através de um comissariado, o Rubkrin.
Kronstadt estava defendendo o mesmo que defendera em 1917.
O soviet de Kronstad devia ser renovado em 2 de março.
Os marinheiros reuniram-se no dia primeiro, onde foram divulgadas as notícias dos delegados enviados a Petrogrado, e a resolução dos marinheiros do 'Petropavlovsk' , sendo esta aceita pela assembléia, menos pelos representantes do Soviet e do Comitê Político da frota báltica. Foi também decidido o envio de novos delegados para Petrogrado, a recepção de delegados de Pretogrado, e uma nova reunião envolvendo diversos setores, como o exército e instituições estatais, para o dia seguinte.
No dia seguinte ocorreu a assembléia com o encontro dos delegados, onde foi aceita a resolução do Petropavlovsk. Foi preparada a eleição para o soviet, que deveria “preparar a reconstrução pacífica do regime soviético”.
(Ida Mett. THE KRONSTADT UPRISING 1921, IV. The Kronstadt Events - Background)
quinta-feira, julho 10, 2003
Notas acerca do último espasmo da revolução
A revolução russa mostra claramente o caráter contra-revolucionário do sacrifício. Os russos aceitaram sacrificar o seu presente em troca de um futuro prometido pela sua autoproclamada vanguarda. Acreditavam ser necessário postergar a revolução a fim de ganhar a guerra (deveriam ter notado que se a revolução não tem forças para ganhar a guerra ela já está perdida) e, a guerra ganha, deram-se conta que a revolução havia sido derrotada.
A revolução russa mostra claramente o caráter contra-revolucionário do sacrifício. Os russos aceitaram sacrificar o seu presente em troca de um futuro prometido pela sua autoproclamada vanguarda. Acreditavam ser necessário postergar a revolução a fim de ganhar a guerra (deveriam ter notado que se a revolução não tem forças para ganhar a guerra ela já está perdida) e, a guerra ganha, deram-se conta que a revolução havia sido derrotada.
Notas acerca do último espasmo da revolução
1.Contexto geral – o fim da guerra, a fome e crise
A revolta de Kornstadt começou apenas três meses após o fim da guerra civil nas frentes européias.
A fome era crônica.
Sob a guerra, muitos aceitaram a disciplina férrea e os sacrifícios como sendo males necessários para vencê-la, mas a guerra já tinha sido vencida..
A burocratização do Estado e do Partido já atingia proporções avassaladoras. Os membros do Partido tinham vantanges e poderes, por serem hierarquicamente superiores, mesmo sobre revolucionários provados nos combates.
A produção industrial e agrícola, já baixa, diminuía.
Os operários com relações no campo iam eles próprios buscar víveres, confiscados caso descobertos pela milícia.
Os camponeses estavam sujeitos a requisições compulsórias.
2.Contexto Específico – Disciplinação das forças armadas e resistência dos marinheiros
Desde Brest-Litovski o governo vinha reestruturando as forças armadas, reintroduzindo a rígida disciplina que havia sido varrida pela revolução. Na marinha este processo fora mais lento, pois nela a tradição revolucionária era mais antiga e forte, além de que pouquíssimo oficiais aderiram à revolução.
As diferenças entre os marinheiros e o alto comando das forças armadas tornou-se, por isso, explosiva.
As tentativas de disciplinar a marinha causaram grandes protestos e descontentamento, mesmo entre o marinheiros do Partido.
Muitos bolcheviques pretendiam aplicar métodos militares para tratar dos problemas da vida quotidiana, especialmente na indústria e nos sindicatos.
No 10 congresso os marinheiros votaram contra os seus “líderes”, Trotsky e Raskolnikov, chefe da frota báltica.
Os marinheiros protestaram contra a situação abandonando em massa o Partido.
(Ida Mett. THE KRONSTADT UPRISING 1921, IV. The Kronstadt Events - Background)
1.Contexto geral – o fim da guerra, a fome e crise
A revolta de Kornstadt começou apenas três meses após o fim da guerra civil nas frentes européias.
A fome era crônica.
Sob a guerra, muitos aceitaram a disciplina férrea e os sacrifícios como sendo males necessários para vencê-la, mas a guerra já tinha sido vencida..
A burocratização do Estado e do Partido já atingia proporções avassaladoras. Os membros do Partido tinham vantanges e poderes, por serem hierarquicamente superiores, mesmo sobre revolucionários provados nos combates.
A produção industrial e agrícola, já baixa, diminuía.
Os operários com relações no campo iam eles próprios buscar víveres, confiscados caso descobertos pela milícia.
Os camponeses estavam sujeitos a requisições compulsórias.
2.Contexto Específico – Disciplinação das forças armadas e resistência dos marinheiros
Desde Brest-Litovski o governo vinha reestruturando as forças armadas, reintroduzindo a rígida disciplina que havia sido varrida pela revolução. Na marinha este processo fora mais lento, pois nela a tradição revolucionária era mais antiga e forte, além de que pouquíssimo oficiais aderiram à revolução.
As diferenças entre os marinheiros e o alto comando das forças armadas tornou-se, por isso, explosiva.
As tentativas de disciplinar a marinha causaram grandes protestos e descontentamento, mesmo entre o marinheiros do Partido.
Muitos bolcheviques pretendiam aplicar métodos militares para tratar dos problemas da vida quotidiana, especialmente na indústria e nos sindicatos.
No 10 congresso os marinheiros votaram contra os seus “líderes”, Trotsky e Raskolnikov, chefe da frota báltica.
Os marinheiros protestaram contra a situação abandonando em massa o Partido.
(Ida Mett. THE KRONSTADT UPRISING 1921, IV. The Kronstadt Events - Background)
Nota acerca do último espasmo da revolução
Os bolcheviques tentaram fazer passar a revolta de Kronstadt por um motim contra-revolucionário à soldo da França e sob o comando do general branco Kazlovski:
'An insurrection of White generals, with ex-general Kazlovski at its head' proclaimed the papers at the time.
"A new White Plot... expected and undoubtedly prepared by the French counter-revolution."
PRAVDA, March 3. 1921.
"White generals, you all know it, played a great part in this. This is fully proved."
Lenin, report delivered to the 10th Congress of the R.C.P. (B), March 8. 1921. Selected Works, vol. IX, p. 98.
(Ida Mett. THE KRONSTADT UPRISING 1921, III. Introduction to the French Edition)
Os bolcheviques tentaram fazer passar a revolta de Kronstadt por um motim contra-revolucionário à soldo da França e sob o comando do general branco Kazlovski:
'An insurrection of White generals, with ex-general Kazlovski at its head' proclaimed the papers at the time.
"A new White Plot... expected and undoubtedly prepared by the French counter-revolution."
PRAVDA, March 3. 1921.
"White generals, you all know it, played a great part in this. This is fully proved."
Lenin, report delivered to the 10th Congress of the R.C.P. (B), March 8. 1921. Selected Works, vol. IX, p. 98.
(Ida Mett. THE KRONSTADT UPRISING 1921, III. Introduction to the French Edition)
terça-feira, julho 08, 2003
Espetáculo nosso de cada Dia
O que representam as entidades representativas? Nós, os representados, só sabemos o que elas representam quando elas decidem apresentar-se através de carta.
" As entidades representativas estavam distribuindo aos alunos cartas com o posicionamento de cada uma e convocando os estudantes para se mobilizarem na greve, participando das manifestações e apoiando os professores e servidores. "
O que representam as entidades representativas? Nós, os representados, só sabemos o que elas representam quando elas decidem apresentar-se através de carta.
" As entidades representativas estavam distribuindo aos alunos cartas com o posicionamento de cada uma e convocando os estudantes para se mobilizarem na greve, participando das manifestações e apoiando os professores e servidores. "
domingo, julho 06, 2003
A Magnanimidade na Ética a Nicômaco
Escrito defronte à minaz aparição da Loucura.
Dentre a longa lista de excelências apresentada por Aristóteles na Ética a Nicômaco, a que chama mais atenção, talvez até mesmo pela própria grandeza do seu nome, é magnanimidade. Já que todas as excelências parecem submeter-se ou apequenar-se ante a magnanimidade. Antes, porém, de analisá-la especificamente, é preciso saber o que é uma excelência moral em geral, para assim, munidos do conceito de excelência moral, falarmos com justeza da magnanimidade.
Para Aristóteles, antes de tudo, a excelência moral não pode ser algo dado pela natureza. Se assim fosse, simplesmente certos homens nasceriam bons e outros maus, as nossas escolhas e atos apenas expressariam algo que já fora dado antes, o que não parece ser correto, já que temos sempre, a menos que condições externas impeçam-no, a possibilidade de escolher o quê e como agir. Por outro lado, tampouco reduz-se a excelência moral a mero conhecimento, já que o importante é não somente a conhecer, mas comportar-se de acordo com ela. Mas também não se a pode equiparar à ação, posto que é possível agir “virtuosamente” de maneira casual, enquanto a verdadeira ação moral deve ser não obra do acaso, mas resultado consciente de uma deliberação, deve provir não de uma paixão passageira, mas de uma sólida e inabalável disposição de agir moralmente.
A excelência moral está sem dúvida relacionada às emoções, mas também não se a pode reduzir a estas, pois ela não é meramente vivenciar determinada emoção, mas sim as vivenciar de certa maneira. Por conseguinte, Aristóteles define, quanto ao gênero, excelência moral como sendo uma disposição da alma, isto é, “estados de alma em virtude dos quais estamos bem ou mal em relação às emoções” (1105b). Claro que esta disposição não será uma qualquer, mas uma que torne o homem bom, uma disposição que leve a agir e emocionar-se não em excesso ou em demasiado comedimento, mas na justa medida, no termo médio entre o excesso e a falta. Assim a excelência moral é uma disposição da alma relacionada com a escolha de ações e emoções, consistindo num meio termo determinado pela razão. Determinado o que é a excelência moral, pode-se agora uma excelência particular, a magnanimidade.
A magnanimidade é a excelência moral da grandiosidade, isto é, uma disposição da alma aos grandes objetivos. Mas não se trata somente da tendência às grandes coisas, senão também da aptidão a alcançá-las. Assim, pessoas que são capazes de grandes realizações porém não aspirem a elas são pusilânimes, já as que, ao contrário, aspiram à grandeza mas não aptas a alcançá-la são pretensiosas. Se a pusilanimidade é a falta e a pretensão o excesso, a magnanimidade será o termo médio, em que as pessoas aspiram e são capazes de grandes coisas. Mede-se, portanto, a excelência e deficiência de magnitude no justo termo entre as pretensões e os méritos de cada pessoa, e as deficiências a ela relacionada não tornam a pessoa má, apenas as faz erradas. Das duas deficiências morais ligadas à magnanimidade, a que erra por falta é considerada por Aristóteles a pior. O pusilânime priva-se do que merece, isto é, de honrarias, bens materiais e ações nobilitantes, por considerar-se indigno, realmente, o retraimento de alguém que é capaz parece ser pior do que a expansividade de um incapaz, que logo que for posto à prova mostrará a sua incapacidade. Mas, aqui também, os ouvidos hodiernos sentem um certo desconforto, para nós parece ser mais valoroso o humilde, ou mesmo o excessivamente humilde, do que o jactante. É importante notar que pessoas que não têm grandes pretensões e também não tem grandes capacidades, e age, por conseguinte, de acordo com as suas possibilidades, é uma pessoa moderada, e não magnânima ou viciosa. Entretanto, ao definir a magnanimidade, Aristóteles vai além, associando-a à busca de honrarias, isto é, as pessoas magnânimas agiriam tendo em vista as honrarias, de conformidade com os seus próprios méritos. Dar-se-ia tal coisa por serem as honrarias os maiores bens exteriores a alcançar. Ora, isso, para nós homens modernos, soa demasiado estranho, já que o magnânimo deveria aspirar a grandes coisas tendo em vista nada mais do que a grandeza, e não as recompensas recebidas em troca de uma grandiosa ação, ao contrário, uma pessoa parece-nos mais magnânima quanto mais desconhecidas e desprezadas foram as suas grandes realizações. Contudo, Aristóteles também diz que as pessoas magnânimas não dão grande importância às honrarias, aceitam-nas como se recebessem apenas o que lhes é devido, e por isso muitas vezes parecem ser soberbas. Além disso, a magnanimidade caracteriza-se por ser como uma espécie de coroamento da excelência moral, pois a verdadeira magnanimidade exige a grandeza de todas as excelências morais, não se pode pensar em um magnânimo covarde ou em um magnânimo avaro, o que é muito difícil. Aliás, hoje nos parece praticamente impossível a magnanimidade em tal grau, e qualificamos como magnânimo quem tenha realizado grandes coisas, ainda que fraquejasse em algumas excelências, não temos, por exemplo, receios em qualificar um artista como magnânimo, mesmo que fosse concupiscente e incontinente.
As pessoas magnânimas não anseiam pelo perigo, mas também quando nele se vêem não se preocupam com a própria vida. Elas gostam de conceder favores, mas não de pedi-los. Comportam-se de maneira altiva ante pessoas que ocupam posições elevadas, mas são corteses em relação aos mais moderados. Elas não ambicionam as mesmas coisas que a maioria, ou em que há pessoas que lhes são superiores, e são displicentes e discretas, além de serem incapazes de viver em função de outras pessoas. Também não são de muitas palavras, seja para elogiar seja para censurar, falam sempre a verdade e deixam claro os seus sentimentos, já que não têm nada a esconder e sentem certo desdém pelos outros. Nada para elas é grande, por isso não costumam admirar outros, e, o que é bastante interessante, não guardam erros na memória, “pois uma memória implacável não é sinal de magnanimidade, especialmente em relação a erros”(EN, 1125a), hoje diríamos que o magnânimo é justamente o que é consciente dos seus fracassos e não simplesmente o que se esquece deles. Não dão importância às disputas triviais e preferem coisas belas sem grande valor venal a coisas valiosas e úteis.
É razoável concordar que a excelência moral é uma disposição da alma relativa ao meio termo de ações e emoções, porém a definição prática do que são meio termo, excesso e falta revela-se problemática. Depois do cristianismo e todas as outras mudanças que ocorreram no Ocidente, a determinação desta “métrica moral” para nós não é mais a mesma da visão grega de Aristóteles. É bem, entretanto, verdade que o próprio Aristóteles alerta repetidamente para o caráter inexato e particular típico da ética, e que, por exemplo, a noção aristotélica de magnanimidade é bem próxima da atual.
Escrito defronte à minaz aparição da Loucura.
Dentre a longa lista de excelências apresentada por Aristóteles na Ética a Nicômaco, a que chama mais atenção, talvez até mesmo pela própria grandeza do seu nome, é magnanimidade. Já que todas as excelências parecem submeter-se ou apequenar-se ante a magnanimidade. Antes, porém, de analisá-la especificamente, é preciso saber o que é uma excelência moral em geral, para assim, munidos do conceito de excelência moral, falarmos com justeza da magnanimidade.
Para Aristóteles, antes de tudo, a excelência moral não pode ser algo dado pela natureza. Se assim fosse, simplesmente certos homens nasceriam bons e outros maus, as nossas escolhas e atos apenas expressariam algo que já fora dado antes, o que não parece ser correto, já que temos sempre, a menos que condições externas impeçam-no, a possibilidade de escolher o quê e como agir. Por outro lado, tampouco reduz-se a excelência moral a mero conhecimento, já que o importante é não somente a conhecer, mas comportar-se de acordo com ela. Mas também não se a pode equiparar à ação, posto que é possível agir “virtuosamente” de maneira casual, enquanto a verdadeira ação moral deve ser não obra do acaso, mas resultado consciente de uma deliberação, deve provir não de uma paixão passageira, mas de uma sólida e inabalável disposição de agir moralmente.
A excelência moral está sem dúvida relacionada às emoções, mas também não se a pode reduzir a estas, pois ela não é meramente vivenciar determinada emoção, mas sim as vivenciar de certa maneira. Por conseguinte, Aristóteles define, quanto ao gênero, excelência moral como sendo uma disposição da alma, isto é, “estados de alma em virtude dos quais estamos bem ou mal em relação às emoções” (1105b). Claro que esta disposição não será uma qualquer, mas uma que torne o homem bom, uma disposição que leve a agir e emocionar-se não em excesso ou em demasiado comedimento, mas na justa medida, no termo médio entre o excesso e a falta. Assim a excelência moral é uma disposição da alma relacionada com a escolha de ações e emoções, consistindo num meio termo determinado pela razão. Determinado o que é a excelência moral, pode-se agora uma excelência particular, a magnanimidade.
A magnanimidade é a excelência moral da grandiosidade, isto é, uma disposição da alma aos grandes objetivos. Mas não se trata somente da tendência às grandes coisas, senão também da aptidão a alcançá-las. Assim, pessoas que são capazes de grandes realizações porém não aspirem a elas são pusilânimes, já as que, ao contrário, aspiram à grandeza mas não aptas a alcançá-la são pretensiosas. Se a pusilanimidade é a falta e a pretensão o excesso, a magnanimidade será o termo médio, em que as pessoas aspiram e são capazes de grandes coisas. Mede-se, portanto, a excelência e deficiência de magnitude no justo termo entre as pretensões e os méritos de cada pessoa, e as deficiências a ela relacionada não tornam a pessoa má, apenas as faz erradas. Das duas deficiências morais ligadas à magnanimidade, a que erra por falta é considerada por Aristóteles a pior. O pusilânime priva-se do que merece, isto é, de honrarias, bens materiais e ações nobilitantes, por considerar-se indigno, realmente, o retraimento de alguém que é capaz parece ser pior do que a expansividade de um incapaz, que logo que for posto à prova mostrará a sua incapacidade. Mas, aqui também, os ouvidos hodiernos sentem um certo desconforto, para nós parece ser mais valoroso o humilde, ou mesmo o excessivamente humilde, do que o jactante. É importante notar que pessoas que não têm grandes pretensões e também não tem grandes capacidades, e age, por conseguinte, de acordo com as suas possibilidades, é uma pessoa moderada, e não magnânima ou viciosa. Entretanto, ao definir a magnanimidade, Aristóteles vai além, associando-a à busca de honrarias, isto é, as pessoas magnânimas agiriam tendo em vista as honrarias, de conformidade com os seus próprios méritos. Dar-se-ia tal coisa por serem as honrarias os maiores bens exteriores a alcançar. Ora, isso, para nós homens modernos, soa demasiado estranho, já que o magnânimo deveria aspirar a grandes coisas tendo em vista nada mais do que a grandeza, e não as recompensas recebidas em troca de uma grandiosa ação, ao contrário, uma pessoa parece-nos mais magnânima quanto mais desconhecidas e desprezadas foram as suas grandes realizações. Contudo, Aristóteles também diz que as pessoas magnânimas não dão grande importância às honrarias, aceitam-nas como se recebessem apenas o que lhes é devido, e por isso muitas vezes parecem ser soberbas. Além disso, a magnanimidade caracteriza-se por ser como uma espécie de coroamento da excelência moral, pois a verdadeira magnanimidade exige a grandeza de todas as excelências morais, não se pode pensar em um magnânimo covarde ou em um magnânimo avaro, o que é muito difícil. Aliás, hoje nos parece praticamente impossível a magnanimidade em tal grau, e qualificamos como magnânimo quem tenha realizado grandes coisas, ainda que fraquejasse em algumas excelências, não temos, por exemplo, receios em qualificar um artista como magnânimo, mesmo que fosse concupiscente e incontinente.
As pessoas magnânimas não anseiam pelo perigo, mas também quando nele se vêem não se preocupam com a própria vida. Elas gostam de conceder favores, mas não de pedi-los. Comportam-se de maneira altiva ante pessoas que ocupam posições elevadas, mas são corteses em relação aos mais moderados. Elas não ambicionam as mesmas coisas que a maioria, ou em que há pessoas que lhes são superiores, e são displicentes e discretas, além de serem incapazes de viver em função de outras pessoas. Também não são de muitas palavras, seja para elogiar seja para censurar, falam sempre a verdade e deixam claro os seus sentimentos, já que não têm nada a esconder e sentem certo desdém pelos outros. Nada para elas é grande, por isso não costumam admirar outros, e, o que é bastante interessante, não guardam erros na memória, “pois uma memória implacável não é sinal de magnanimidade, especialmente em relação a erros”(EN, 1125a), hoje diríamos que o magnânimo é justamente o que é consciente dos seus fracassos e não simplesmente o que se esquece deles. Não dão importância às disputas triviais e preferem coisas belas sem grande valor venal a coisas valiosas e úteis.
É razoável concordar que a excelência moral é uma disposição da alma relativa ao meio termo de ações e emoções, porém a definição prática do que são meio termo, excesso e falta revela-se problemática. Depois do cristianismo e todas as outras mudanças que ocorreram no Ocidente, a determinação desta “métrica moral” para nós não é mais a mesma da visão grega de Aristóteles. É bem, entretanto, verdade que o próprio Aristóteles alerta repetidamente para o caráter inexato e particular típico da ética, e que, por exemplo, a noção aristotélica de magnanimidade é bem próxima da atual.
segunda-feira, junho 23, 2003
Notas do Paraíso Perdido
O grande problema, até agora, é que o assunto não se presta a um épico. Céu, inferno, caos, espíritos, anjos, demônios não têm nada a ver conosco, é ridículo a descrição do céu, do inferno e do caos como sendo lugares e pessoas como quaisquer outros que conhecemos aqui na Terra. Ademais, todos os acontecimentos passam-se antes de qualquer humano, e, portanto, de qualquer história, fica, assim, demasiado estranho a contínua remissão a fatos humanos e mitológico-históricos.
O grande problema, até agora, é que o assunto não se presta a um épico. Céu, inferno, caos, espíritos, anjos, demônios não têm nada a ver conosco, é ridículo a descrição do céu, do inferno e do caos como sendo lugares e pessoas como quaisquer outros que conhecemos aqui na Terra. Ademais, todos os acontecimentos passam-se antes de qualquer humano, e, portanto, de qualquer história, fica, assim, demasiado estranho a contínua remissão a fatos humanos e mitológico-históricos.
Notícias da Democracia
Mais uma vigorosa ação democrática em defesa do Estado de direito e dos consumidores:
Kremlin manda fechar uma das
maiores TVs particulares do país
MOSCOU - Uma das duas maiores televisões particulares da Rússia foi tirada do ar ontem, em meio a seu envolvimento numa crise financeira que impossibilita a transmissão de sua programação, anunciou o governo russo.
A TVS, uma emissora que irritou o Kremlin nos últimos anos, devido ao teor crítico de suas reportagens, teve sua programação substituída por um canal estatal de esportes, que entrou no ar ontem pela manhã. O fechamento da emissora dá ao governo russo mais poder sobre o que vai ao ar no país.
De acordo com a agência de notícias Interfax, o Ministério de Imprensa da Rússia tirou a TVS do ar ontem pela manhã, quando a emissora transmitia um intervalo comercial. De acordo com um comunicado divulgado pelo ministério, a decisão "não foi fácil". No entanto, a crise financeira e os problemas internos tornaram impossível a manutenção da TVS no ar, segundo o ministério.
Funcionários da TVS estavam estupefatos. "Descobri que tínhamos saído do ar, quando estava a caminho do trabalho", disse a editora Elena Korobova, em entrevista à emissora NTV. "Estou em choque." Lena Vasilkova, outra editora da TVS, disse: "Sinto como se um assassinato tivesse sido cometido. É como a crônica de um crime, os mesmos sentimentos, pena, desespero, falta de esperança."
O editor-chefe do Ekho Moskvy, Alexei Venediktov, comentou que, na prática, o fechamento dá ao governo russo o monopólio sobre as transmissões de televisão na Rússia. "É como se todos os candidatos fossem desqualificados durante uma eleição e só sobrasse um", disse ele à Interfax.
A TVS foi criada a partir as cinzas de duas outras emissoras que entraram em conflito com poderosas companhias ligadas ao Kremlin. Parte de sua crise financeira se deve ao desentendimento entre seus acionistas, segundo a imprensa russa.
Mais uma vigorosa ação democrática em defesa do Estado de direito e dos consumidores:
Kremlin manda fechar uma das
maiores TVs particulares do país
MOSCOU - Uma das duas maiores televisões particulares da Rússia foi tirada do ar ontem, em meio a seu envolvimento numa crise financeira que impossibilita a transmissão de sua programação, anunciou o governo russo.
A TVS, uma emissora que irritou o Kremlin nos últimos anos, devido ao teor crítico de suas reportagens, teve sua programação substituída por um canal estatal de esportes, que entrou no ar ontem pela manhã. O fechamento da emissora dá ao governo russo mais poder sobre o que vai ao ar no país.
De acordo com a agência de notícias Interfax, o Ministério de Imprensa da Rússia tirou a TVS do ar ontem pela manhã, quando a emissora transmitia um intervalo comercial. De acordo com um comunicado divulgado pelo ministério, a decisão "não foi fácil". No entanto, a crise financeira e os problemas internos tornaram impossível a manutenção da TVS no ar, segundo o ministério.
Funcionários da TVS estavam estupefatos. "Descobri que tínhamos saído do ar, quando estava a caminho do trabalho", disse a editora Elena Korobova, em entrevista à emissora NTV. "Estou em choque." Lena Vasilkova, outra editora da TVS, disse: "Sinto como se um assassinato tivesse sido cometido. É como a crônica de um crime, os mesmos sentimentos, pena, desespero, falta de esperança."
O editor-chefe do Ekho Moskvy, Alexei Venediktov, comentou que, na prática, o fechamento dá ao governo russo o monopólio sobre as transmissões de televisão na Rússia. "É como se todos os candidatos fossem desqualificados durante uma eleição e só sobrasse um", disse ele à Interfax.
A TVS foi criada a partir as cinzas de duas outras emissoras que entraram em conflito com poderosas companhias ligadas ao Kremlin. Parte de sua crise financeira se deve ao desentendimento entre seus acionistas, segundo a imprensa russa.
domingo, junho 22, 2003
Notas sobre a Fortaleza Vermelha
Kamenev, Zinoviev e Trotsky formaram um bloco durante 18 meses, de 26 a 27. Segundo Trostky, acabou-se o bloco devido à repressão, à resistência da burocracia e mesmo das massas, e, então, à impossibilidade de conseguir mudanças a curto prazo.
As bases do bloco, de acordo com Trotsky:
TROTSKY: The basis is formulated in our platform published also in English in a book under the title, "The Real Situation in Russia." It is an important document of 150 pages, embracing all the questions of social and political life in the Soviet Union, of its international policy and questions of the Communist International. As I explained, it was a question of democracy against bureaucracy, equality against privileges, more industrialization—at that time, the bureaucracy was against industrialization—for collectivization in villages, an international revolutionary policy as against a narrow national policy in diplomacy, a total change in the policy of the Communist International, more independence of the sections of the Comintern, and, at the same time, more of an international revolutionary policy of the sections.
Kamenev, Zinoviev e Trotsky formaram um bloco durante 18 meses, de 26 a 27. Segundo Trostky, acabou-se o bloco devido à repressão, à resistência da burocracia e mesmo das massas, e, então, à impossibilidade de conseguir mudanças a curto prazo.
As bases do bloco, de acordo com Trotsky:
TROTSKY: The basis is formulated in our platform published also in English in a book under the title, "The Real Situation in Russia." It is an important document of 150 pages, embracing all the questions of social and political life in the Soviet Union, of its international policy and questions of the Communist International. As I explained, it was a question of democracy against bureaucracy, equality against privileges, more industrialization—at that time, the bureaucracy was against industrialization—for collectivization in villages, an international revolutionary policy as against a narrow national policy in diplomacy, a total change in the policy of the Communist International, more independence of the sections of the Comintern, and, at the same time, more of an international revolutionary policy of the sections.
Notas sobre a Fortaleza Vermelha
São Lênin guia-nos certeiramente no caminho da bem-aventurança, devemos sempre confiar nos iluminados. Como o bispo Zinoviev bem dizia:
“I have committed many mistakes. I think that the most important of my mistakes are two in number. My first mistake of 1917 is known to all of you. . . . I consider my second mistake more dangerous because the mistake of 1917 was committed in Lenin's presence, it was corrected by Lenin, and also by ourselves with Lenin's help a few days later.” (Zinoviev, apud Trotsky. The Case of Leon Trotsky, terceira sessão)
São Lênin guia-nos certeiramente no caminho da bem-aventurança, devemos sempre confiar nos iluminados. Como o bispo Zinoviev bem dizia:
“I have committed many mistakes. I think that the most important of my mistakes are two in number. My first mistake of 1917 is known to all of you. . . . I consider my second mistake more dangerous because the mistake of 1917 was committed in Lenin's presence, it was corrected by Lenin, and also by ourselves with Lenin's help a few days later.” (Zinoviev, apud Trotsky. The Case of Leon Trotsky, terceira sessão)
Notas sobre a Fortaleza Vermelha
Primeira Troika: Zinoviev – Kamenev – Stalin. Foi Rompida pelos dois primeiros em 1925 (“oficialmente” em 26, no 14 congresso)
Zinoviev era presidente do Soviet de Petrogrado, Kamenev do de Moscou, por sua vez, Stalin tinha sua força nas províncias. Segundo Trotsky, foi a pressão dos operários de Petrogrado e Moscou que fizeram com que a primeira troika fosse quebrada.
Primeira Troika: Zinoviev – Kamenev – Stalin. Foi Rompida pelos dois primeiros em 1925 (“oficialmente” em 26, no 14 congresso)
Zinoviev era presidente do Soviet de Petrogrado, Kamenev do de Moscou, por sua vez, Stalin tinha sua força nas províncias. Segundo Trotsky, foi a pressão dos operários de Petrogrado e Moscou que fizeram com que a primeira troika fosse quebrada.
Notas sobre a Fortaleza Vermelha
O Politburo não era um órgão do governo, mas do partido. Era ele que guiava o governo oficial: “o governo oficial submete-se às ordens do Politburo, e um membro do Politburo é incomparavelmente mais importante do que o maia alto ministro” (Trotsky. The Case of Leon Trotsky, terceira sessão).
O Politburo não era um órgão do governo, mas do partido. Era ele que guiava o governo oficial: “o governo oficial submete-se às ordens do Politburo, e um membro do Politburo é incomparavelmente mais importante do que o maia alto ministro” (Trotsky. The Case of Leon Trotsky, terceira sessão).
quinta-feira, junho 19, 2003
sexta-feira, junho 06, 2003
MANIFESTO DOS DRAMATURGOS FUTURISTAS (1911)
Mais um experimento translingüístico
MANIFESTO DOS DRAMATURGOS FUTURISTAS (1911)
de F. T. MARINETTI
Entre todas as formas literárias, aquela que pode ter uma capacidade futurista mais imediata é certamente a obra teatral. Nós queremos portanto que a Arte dramática não continue a ser o que é hoje: um mesquinho produto industrial submetido ao mercado dos divertimentos e dos prazeres cidadãos, é necessário varrer para o lixo todos os imundos prejuízos que achatam os autores, os atores e o público.
1. Nós futuristas ensinamos antes de tudo aos autores o desprezo ao público e especialmente o desprezo ao público das primeiras apresentações, do qual podemos sintetizar assim a psicologia: rivalidade de chapéus e de toilettes feminis, - vaidade pelo lugar que se pagou caro, que se transforma em orgulho intelectual, - palcos e platéia ocupados por homens maduros e ricos, com cérebro naturalmente depreciante e com digestão laboriosíssima, que torna impossível todo e qualquer esforço da mente.
O público, variando de mesa para mesa, de cidade para cidade e de bairro para bairro, sujeito aos acontecimentos políticos e sociais, aos caprichos da moda, aos aguaceiros da chuva, ao excesso de calor ou de frio, ao último artigo lido após o almoço, não tendo desgraçadamente hoje outro desejo senão aquele de digerir agradavelmente no teatro, nada pode corrigir, aprovar o desaprovar em um trabalho de arte.
O autor pode esforçar-se em puxá-lo a si, fora da sua mediocridade, como se puxa um naufrago à deriva. Guarde-se, entretanto, de deixar-se aferrar pelas suas mãos pavorosas, uma vez que afundaria com ele, ao som de aplausos.
2. Nós ensinamos, além disso, o horror do sucesso imediato que sói coroar as obras medíocres e banais. Os trabalhos teatrais que aferram diretamente, sem intermediários, sem explicações todos os indivíduos de um público, são obras mais ou menos bem construídas, mas absolutamente privadas de novidade e, portanto, de genialidade criadora.
3.Os autores não devem ter outra preocupação que aquela de uma absoluta originalidade inovadora. Todos os trabalhos dramáticos que partam de um lugar-comum ou tomam de outras obras de arte as concepções, a trama ou uma parte do seu desenvolvimento, são absolutamente depreciáveis.
4.Os leit-motivs do amor e o triângulo amoroso, tendo já sido usados em demasia, devem ser absolutamente desterrados do teatro. Em cena, o amor e o triângulo smoroso devem ser reduzidos ao valor secundário de episódios ou de acessórios, isto é, ao mesmo valor ao qual estão agora reduzidos na vida, por efeito do grande esforço futurista.
5.Uma vez que a arte dramática não pode ter, como todas as artes, outro escopo senão aquele de arrancar a alma do público da baixa realidade quotidiana e de exaltá-la a uma atmosfera deslumbrante de ebriedade intelectual, nós desprezamos todos aqueles trabalhos que querem unicamente comover e fazer chorar, mediante o espetáculo inevitavelmente piedoso de uma mão à qual morre o filho, ou aquele de uma rapariga que não pode esposar o seu namorado, ou outras semelhantes insipidezas.
6.Nós desprezamos em arte, e mais particularmente no teatro, todas as espécies de reconstruções históricas, seja que essas levantem interesse a um herói ou a uma heroína ilustre (Nero, Júlio César, Napoleão, Francesca de Rimini), seja que se baseiem sobre a sugestão exercitada da suntuosidade inútil dos costumes e dos cenários do passado
O drama moderno deve refletir alguma parte do grande sonho futurista que surge da nossa vida hodierna, exasperada pelas velocidades terrestres, marinhas e aéreas, e dominada pelo vapor e pela eletricidade. É necessário introduzir no teatro a sensação do domínio do Automóvel, os grandes calafrios que agitam as multidões, as novas correntes de idéias e as grandes descobertas da ciência, que transformaram completamente a nossa sensibilidade e a nossa mentalidade de homens do século vinte.
7.A arte dramática não deve fazer fotografia psicológica, mas, ao contrário, tender a uma síntese da vida nas suas linhas mais típicas e mais significativas.
8.Não pode existir arte dramática sem poesia, isto é, sem ebriedade e sem síntese.
As formas prosódicas regulares devem ser excluídas. O escritor futurista servir-se-á então, pelo teatro, do verso livre: móvel orquestração de imagens e de sons, que passando do tom mais simples, quando se trata, por exemplo, do ingresso de um doméstico o do fechamento de uma porta, possa elevar-se gradualmente, ao ritmo das paixões, em estrofes cadenciadas ou caóticas de quando em quando, quando se trata de anunciar a vitória de um povo ou a morte gloriosa de um aviador.
9.É necessário destruir a obsessão pela riqueza, entre os literatos, posto que a avidez pelo ganho incitou ao teatro escritores exclusivamente dotados de qualidades de crítico ou de cronista mundano.
10. Nós queremos submeter completamente os atores à autoridade dos escritores, e arrancá-los da domínio do público que os incita fatalmente a procurar o efeito fácil, afastando-os de qualquer busca de interpretação profunda. Por isso, é necessário abolir o hábito grotesco dos aplausos e vaias, que pode servir de barômetro à eloqüência parlamentar, mas certamente não ao valor de uma obra de arte.
11.Enquanto esperamos esta abolição, nós ensinamos aos autores e aos atores a volúpia de ser vaiado.
Todo o que vem vaiado não é necessariamente belo ou novo. Mas tudo o que vem imediatamente aplaudido, certamente não é superior à média das inteligências e é, portanto, coisa medíocre, banal, revomitada ou demasiado bem digerida.
No afirmar-vos estas convicções futuristas, tenho a alegria de saber que o meu gênio, muitas vezes vaiado pelos públicos da França e da Itália, não será mais sepultado sob aplausos demasiado pesados, como um Rostand qualquer!...
Mais um experimento translingüístico
MANIFESTO DOS DRAMATURGOS FUTURISTAS (1911)
de F. T. MARINETTI
Entre todas as formas literárias, aquela que pode ter uma capacidade futurista mais imediata é certamente a obra teatral. Nós queremos portanto que a Arte dramática não continue a ser o que é hoje: um mesquinho produto industrial submetido ao mercado dos divertimentos e dos prazeres cidadãos, é necessário varrer para o lixo todos os imundos prejuízos que achatam os autores, os atores e o público.
1. Nós futuristas ensinamos antes de tudo aos autores o desprezo ao público e especialmente o desprezo ao público das primeiras apresentações, do qual podemos sintetizar assim a psicologia: rivalidade de chapéus e de toilettes feminis, - vaidade pelo lugar que se pagou caro, que se transforma em orgulho intelectual, - palcos e platéia ocupados por homens maduros e ricos, com cérebro naturalmente depreciante e com digestão laboriosíssima, que torna impossível todo e qualquer esforço da mente.
O público, variando de mesa para mesa, de cidade para cidade e de bairro para bairro, sujeito aos acontecimentos políticos e sociais, aos caprichos da moda, aos aguaceiros da chuva, ao excesso de calor ou de frio, ao último artigo lido após o almoço, não tendo desgraçadamente hoje outro desejo senão aquele de digerir agradavelmente no teatro, nada pode corrigir, aprovar o desaprovar em um trabalho de arte.
O autor pode esforçar-se em puxá-lo a si, fora da sua mediocridade, como se puxa um naufrago à deriva. Guarde-se, entretanto, de deixar-se aferrar pelas suas mãos pavorosas, uma vez que afundaria com ele, ao som de aplausos.
2. Nós ensinamos, além disso, o horror do sucesso imediato que sói coroar as obras medíocres e banais. Os trabalhos teatrais que aferram diretamente, sem intermediários, sem explicações todos os indivíduos de um público, são obras mais ou menos bem construídas, mas absolutamente privadas de novidade e, portanto, de genialidade criadora.
3.Os autores não devem ter outra preocupação que aquela de uma absoluta originalidade inovadora. Todos os trabalhos dramáticos que partam de um lugar-comum ou tomam de outras obras de arte as concepções, a trama ou uma parte do seu desenvolvimento, são absolutamente depreciáveis.
4.Os leit-motivs do amor e o triângulo amoroso, tendo já sido usados em demasia, devem ser absolutamente desterrados do teatro. Em cena, o amor e o triângulo smoroso devem ser reduzidos ao valor secundário de episódios ou de acessórios, isto é, ao mesmo valor ao qual estão agora reduzidos na vida, por efeito do grande esforço futurista.
5.Uma vez que a arte dramática não pode ter, como todas as artes, outro escopo senão aquele de arrancar a alma do público da baixa realidade quotidiana e de exaltá-la a uma atmosfera deslumbrante de ebriedade intelectual, nós desprezamos todos aqueles trabalhos que querem unicamente comover e fazer chorar, mediante o espetáculo inevitavelmente piedoso de uma mão à qual morre o filho, ou aquele de uma rapariga que não pode esposar o seu namorado, ou outras semelhantes insipidezas.
6.Nós desprezamos em arte, e mais particularmente no teatro, todas as espécies de reconstruções históricas, seja que essas levantem interesse a um herói ou a uma heroína ilustre (Nero, Júlio César, Napoleão, Francesca de Rimini), seja que se baseiem sobre a sugestão exercitada da suntuosidade inútil dos costumes e dos cenários do passado
O drama moderno deve refletir alguma parte do grande sonho futurista que surge da nossa vida hodierna, exasperada pelas velocidades terrestres, marinhas e aéreas, e dominada pelo vapor e pela eletricidade. É necessário introduzir no teatro a sensação do domínio do Automóvel, os grandes calafrios que agitam as multidões, as novas correntes de idéias e as grandes descobertas da ciência, que transformaram completamente a nossa sensibilidade e a nossa mentalidade de homens do século vinte.
7.A arte dramática não deve fazer fotografia psicológica, mas, ao contrário, tender a uma síntese da vida nas suas linhas mais típicas e mais significativas.
8.Não pode existir arte dramática sem poesia, isto é, sem ebriedade e sem síntese.
As formas prosódicas regulares devem ser excluídas. O escritor futurista servir-se-á então, pelo teatro, do verso livre: móvel orquestração de imagens e de sons, que passando do tom mais simples, quando se trata, por exemplo, do ingresso de um doméstico o do fechamento de uma porta, possa elevar-se gradualmente, ao ritmo das paixões, em estrofes cadenciadas ou caóticas de quando em quando, quando se trata de anunciar a vitória de um povo ou a morte gloriosa de um aviador.
9.É necessário destruir a obsessão pela riqueza, entre os literatos, posto que a avidez pelo ganho incitou ao teatro escritores exclusivamente dotados de qualidades de crítico ou de cronista mundano.
10. Nós queremos submeter completamente os atores à autoridade dos escritores, e arrancá-los da domínio do público que os incita fatalmente a procurar o efeito fácil, afastando-os de qualquer busca de interpretação profunda. Por isso, é necessário abolir o hábito grotesco dos aplausos e vaias, que pode servir de barômetro à eloqüência parlamentar, mas certamente não ao valor de uma obra de arte.
11.Enquanto esperamos esta abolição, nós ensinamos aos autores e aos atores a volúpia de ser vaiado.
Todo o que vem vaiado não é necessariamente belo ou novo. Mas tudo o que vem imediatamente aplaudido, certamente não é superior à média das inteligências e é, portanto, coisa medíocre, banal, revomitada ou demasiado bem digerida.
No afirmar-vos estas convicções futuristas, tenho a alegria de saber que o meu gênio, muitas vezes vaiado pelos públicos da França e da Itália, não será mais sepultado sob aplausos demasiado pesados, como um Rostand qualquer!...
MANIFESTO POLÍTICO FUTURISTA (1915)
Ecos do passado:
MANIFESTO POLÍTICO FUTURISTA (1915)
de Filippo Tommaso Marinetti
No 1o. Manifesto do Futurismo, publicado no “Figaro” de 20 de fevereiro de 1909, isto é, cerca de 2 anos antes da fundação da Associação Nacionalista Italiana e cerca de 3 anos antes da guerra da Líbia, nós nos proclamamos Nacionalistas futuristas, isto é, antitradicionais. Glorificamos o patriotismo, o exército e a guerra; iniciamos uma campanha anticlerical e anti-socialista para preparar uma Itália maior, mais forte e mais inovadora, uma Itália liberada do seu passado ilustre, e por isso apta a criar-se um futuro imenso.
Para reavivar o antitriplicismo e o irredentismo, iniciamos o movimento futurista em Trieste, cidade na qual tivemos a honra de realizar a primeira das nossas Noitadas futuristas (Politema Rossetti, 12 de janeiro de 1910). Fechamos a nossa segundo Noitada futurista (Milão – Teatro Lirico – 15 de fevereiro de 1910) gritando: Viva a Guerra única higiene do mundo! Viva Asinari di Bernezzo! Abaixo a Áustria!
Estes gritos, lançados a quatro mil espectadores e repetidos pela massa de estudantes nos conseguiram, naquele momento de pacifismo e quietismo, um furacão de vaias, as injúrias e as calúnias dos ditos bem-pensantes; Já havíamos lançado em toda Itália o seguinte manifesto (Eleições gerais de 1909):
Eleitores futuristas!
Nós futuristas, tendo por único programa político o orgulho, a energia e a expansão nacional, denunciamos ao país a indelével vergonha de uma possível vitória clerical.
Nós futuristas invocamos a todos os jovens engenhos da Itália uma luta à ulterioridade contra os candidatos que compactuam com os velhos e com os padres.
Nós futuristas queremos uma representação nacional que, desimpedida de múmias, livre de toda vileza pacifista, esteja pronta a desbaratar cada cilada, a responder a todo e qualquer ultraje.
OS FUTURISTAS
A nossa postura abertamente guerreira e ferozmente patriótica foi a principal causa das hostilidades e das calúnias que nos foram sistematicamente esbanjadas pela impressa italiana.
Com milhões de manifestos, volumes e opúsculos em todas as línguas, com muitíssimas brigas e bofetadas, com mais de 800 conferências, exposições e concertos, nós impusemos em todo o mundo e particularmente na Europa, o predomínio do gênio criador e inovador italiano sobre os gênios criadores das outras raças.
Nós assim temos tido a glória de levar a arte italiana à frente da arte mundial, por nós muito superada e deixada para trás.
Ao estourar da guerra da Líbia (1911) publicamos este outro manifesto:
Nós futuristas que há mais de dois anos glorificamos, entre as vaias dos podagrosos e dos paralíticos, o amor ao perigo e à violência, o patriotismo e a guerra, única higiene do mundo, estamos felizes de viver finalmente esta grande hora futurista da Itália, enquanto agoniza a imunda progênie dos pacifistas entocados agora nas profundas cantinas do seu risível palácio de Aia.
Temos recentemente espancado com prazer, nas ruas e nas praças, os mais febris adversários da guerra, gritando-lhes na cara estes nossos sólidos princípios:
1) Sejam concedidas ao indivíduo e ao povo todas as liberdades, salvo aquela de ser velhaco
2) Seja proclamado que a palavra ITÁLIA deve dominar sobre a palavra LIBERDADE
3) Seja apagada a fastidiosa lembrança da grandeza romana, com uma grandeza italiana cem vezes maior.
A Itália tem hoje para nós a forma e a potência de uma bela dreadnought com a sua esquadrilha de ilhas torpedeiras. Orgulhosos de sentir igual ao nosso o fervor bélico que anima todo o País, incitamos o governo italiano, tornado finalmente futurista, a agigantar todas as ambições nacionais, desprezando as estúpidas acusações de pirataria e proclamando o nascimento do PANITALIANISMO.
Poetas, pintores, escultores e músicos futuristas da Itália! Enquanto durar a guerra, deixemos de lado os versos, os pincéis, os cinzéis e as orquestras! Começaram as rubras férias do gênio! Nada podemos admirar, hoje, senão as formidáveis sinfonias dos fragmentos das bombas e as loucas esculturas que a nossa inspirada artilharia forja nas massas inimigas.
F. T. Marinetti
E em outubro de 1913, difundimos entre os eleitores este nosso programa político, que obteve adesão de toda a juventude italiana.
PROGRAMA POLÍTICO FUTURISTA
Itália soberana absoluta – A palavra ITÁLIA deve dominar sobre a palavra LIBERDADE.
Todas as liberdades, salvo aquela de ser velhaco, pacifista, antiitaliano.
Uma maior frota e um maior exército; um povo orgulhoso de ser italiano, pela Guerra, única higiene do mundo e pela grandeza de uma Itália intensamente agrícola, industrial e comercial.
Defesa econômica e educação patriótica do proletariado.
Política externa cínica, astuta e agressiva; Expansionismo colonial – Liberalismo.
Irredentismo – Panitalianismo – Primado da Itália.
Anticlericalismo e anti-socialismo.
Culto do progresso e da velocidade, do esporte, da força física, da coragem temerária, do heroísmo e do perigo, contra a obsessão da cultura, o ensino clássico, o museu, a biblioteca e as ruínas.
Supressão das Academias e dos Conservatórios.
Muitas escolas práticas de comércio, indústria e agricultura. Muitos institutos de educação física. Ginástica quotidiana nas escolas. Predomínio da ginástica sobre o livro.
Um mínimo de professores, pouquíssimos advogados, pouquíssimos doutores, muitíssimos agricultores, engenheiros, químicos, mecânicos e produtores de negócios.
Exatoração dos mortos, dos velhos e dos oportunistas, em favor dos jovens audazes.
Contra a monumentomania e a ingerência do Governo em matéria de arte.
Modernização violenta das cidades passadistas (Roma, Veneza, Florença, etc.).
Abolição da indústria estrangeira, humilhante e aleatória.
ESTE PROGRAMA VENCERÁ
O programa clérico-moderado-liberal o programa democrático-republicano-socialista
Monarquia e Vaticano República
Ódio e desprezo do povo Povo soberano
Patriotismo tradicional e comemorativo Internacionalismo pacifista
Militarismo intermitente Antimilitarismo
Clericalismo Anticlericalismo
Protecionismo mesquinho ou liberalismo fraco Liberalismo interessado
Culto aos avós e ceticismo Mediocracia e ceticismo
Senilismo e moralismoOportunismo e negocismo Senilismo e moralismoOportunismo e negocismo
Conservadorismo Demagogismo
Culto aos museus, aos escombros monumentos Culto aos museus, aos escombros, aos monumentos
Indústria estrangeira Indústria estrangeira
Obsessão pela cultura Sociologia de comício
Academismo Racionalismo positivista
Ideal de uma Itália arqueológica, beata e podagrosa Ideal de uma Itália burguêssuja, avarenta e sentimental
Quietismo ventralista Quietismo ventralista
Velhacaria negroPassadismo Velhacaria rubroPassadismo
MILÃO, 11 de outubro de 1913
Pelo grupo dirigente do Movimento futurista:
Marinetti – Boccioni – Carrà – Russolo
Do 20 de agosto de 1915 a hoje, esperando a alegria de bater-nos na fronteira oriental, organizamos as duas primeiras violentíssimas demonstrações antineutros em Milão. Dirigimos então, em Roma e em Milão, nas universidades e nas praças, mais de 30 demonstrações igualmente eficazes.
Fomos outras tantas vezes presos, e fomos os únicos a sofrer cinco dias de cárcere por ter pedido violentamente a grande e higiênica nossa guerra.
Ecos do passado:
MANIFESTO POLÍTICO FUTURISTA (1915)
de Filippo Tommaso Marinetti
No 1o. Manifesto do Futurismo, publicado no “Figaro” de 20 de fevereiro de 1909, isto é, cerca de 2 anos antes da fundação da Associação Nacionalista Italiana e cerca de 3 anos antes da guerra da Líbia, nós nos proclamamos Nacionalistas futuristas, isto é, antitradicionais. Glorificamos o patriotismo, o exército e a guerra; iniciamos uma campanha anticlerical e anti-socialista para preparar uma Itália maior, mais forte e mais inovadora, uma Itália liberada do seu passado ilustre, e por isso apta a criar-se um futuro imenso.
Para reavivar o antitriplicismo e o irredentismo, iniciamos o movimento futurista em Trieste, cidade na qual tivemos a honra de realizar a primeira das nossas Noitadas futuristas (Politema Rossetti, 12 de janeiro de 1910). Fechamos a nossa segundo Noitada futurista (Milão – Teatro Lirico – 15 de fevereiro de 1910) gritando: Viva a Guerra única higiene do mundo! Viva Asinari di Bernezzo! Abaixo a Áustria!
Estes gritos, lançados a quatro mil espectadores e repetidos pela massa de estudantes nos conseguiram, naquele momento de pacifismo e quietismo, um furacão de vaias, as injúrias e as calúnias dos ditos bem-pensantes; Já havíamos lançado em toda Itália o seguinte manifesto (Eleições gerais de 1909):
Eleitores futuristas!
Nós futuristas, tendo por único programa político o orgulho, a energia e a expansão nacional, denunciamos ao país a indelével vergonha de uma possível vitória clerical.
Nós futuristas invocamos a todos os jovens engenhos da Itália uma luta à ulterioridade contra os candidatos que compactuam com os velhos e com os padres.
Nós futuristas queremos uma representação nacional que, desimpedida de múmias, livre de toda vileza pacifista, esteja pronta a desbaratar cada cilada, a responder a todo e qualquer ultraje.
OS FUTURISTAS
A nossa postura abertamente guerreira e ferozmente patriótica foi a principal causa das hostilidades e das calúnias que nos foram sistematicamente esbanjadas pela impressa italiana.
Com milhões de manifestos, volumes e opúsculos em todas as línguas, com muitíssimas brigas e bofetadas, com mais de 800 conferências, exposições e concertos, nós impusemos em todo o mundo e particularmente na Europa, o predomínio do gênio criador e inovador italiano sobre os gênios criadores das outras raças.
Nós assim temos tido a glória de levar a arte italiana à frente da arte mundial, por nós muito superada e deixada para trás.
Ao estourar da guerra da Líbia (1911) publicamos este outro manifesto:
Nós futuristas que há mais de dois anos glorificamos, entre as vaias dos podagrosos e dos paralíticos, o amor ao perigo e à violência, o patriotismo e a guerra, única higiene do mundo, estamos felizes de viver finalmente esta grande hora futurista da Itália, enquanto agoniza a imunda progênie dos pacifistas entocados agora nas profundas cantinas do seu risível palácio de Aia.
Temos recentemente espancado com prazer, nas ruas e nas praças, os mais febris adversários da guerra, gritando-lhes na cara estes nossos sólidos princípios:
1) Sejam concedidas ao indivíduo e ao povo todas as liberdades, salvo aquela de ser velhaco
2) Seja proclamado que a palavra ITÁLIA deve dominar sobre a palavra LIBERDADE
3) Seja apagada a fastidiosa lembrança da grandeza romana, com uma grandeza italiana cem vezes maior.
A Itália tem hoje para nós a forma e a potência de uma bela dreadnought com a sua esquadrilha de ilhas torpedeiras. Orgulhosos de sentir igual ao nosso o fervor bélico que anima todo o País, incitamos o governo italiano, tornado finalmente futurista, a agigantar todas as ambições nacionais, desprezando as estúpidas acusações de pirataria e proclamando o nascimento do PANITALIANISMO.
Poetas, pintores, escultores e músicos futuristas da Itália! Enquanto durar a guerra, deixemos de lado os versos, os pincéis, os cinzéis e as orquestras! Começaram as rubras férias do gênio! Nada podemos admirar, hoje, senão as formidáveis sinfonias dos fragmentos das bombas e as loucas esculturas que a nossa inspirada artilharia forja nas massas inimigas.
F. T. Marinetti
E em outubro de 1913, difundimos entre os eleitores este nosso programa político, que obteve adesão de toda a juventude italiana.
PROGRAMA POLÍTICO FUTURISTA
Itália soberana absoluta – A palavra ITÁLIA deve dominar sobre a palavra LIBERDADE.
Todas as liberdades, salvo aquela de ser velhaco, pacifista, antiitaliano.
Uma maior frota e um maior exército; um povo orgulhoso de ser italiano, pela Guerra, única higiene do mundo e pela grandeza de uma Itália intensamente agrícola, industrial e comercial.
Defesa econômica e educação patriótica do proletariado.
Política externa cínica, astuta e agressiva; Expansionismo colonial – Liberalismo.
Irredentismo – Panitalianismo – Primado da Itália.
Anticlericalismo e anti-socialismo.
Culto do progresso e da velocidade, do esporte, da força física, da coragem temerária, do heroísmo e do perigo, contra a obsessão da cultura, o ensino clássico, o museu, a biblioteca e as ruínas.
Supressão das Academias e dos Conservatórios.
Muitas escolas práticas de comércio, indústria e agricultura. Muitos institutos de educação física. Ginástica quotidiana nas escolas. Predomínio da ginástica sobre o livro.
Um mínimo de professores, pouquíssimos advogados, pouquíssimos doutores, muitíssimos agricultores, engenheiros, químicos, mecânicos e produtores de negócios.
Exatoração dos mortos, dos velhos e dos oportunistas, em favor dos jovens audazes.
Contra a monumentomania e a ingerência do Governo em matéria de arte.
Modernização violenta das cidades passadistas (Roma, Veneza, Florença, etc.).
Abolição da indústria estrangeira, humilhante e aleatória.
ESTE PROGRAMA VENCERÁ
O programa clérico-moderado-liberal o programa democrático-republicano-socialista
Monarquia e Vaticano República
Ódio e desprezo do povo Povo soberano
Patriotismo tradicional e comemorativo Internacionalismo pacifista
Militarismo intermitente Antimilitarismo
Clericalismo Anticlericalismo
Protecionismo mesquinho ou liberalismo fraco Liberalismo interessado
Culto aos avós e ceticismo Mediocracia e ceticismo
Senilismo e moralismoOportunismo e negocismo Senilismo e moralismoOportunismo e negocismo
Conservadorismo Demagogismo
Culto aos museus, aos escombros monumentos Culto aos museus, aos escombros, aos monumentos
Indústria estrangeira Indústria estrangeira
Obsessão pela cultura Sociologia de comício
Academismo Racionalismo positivista
Ideal de uma Itália arqueológica, beata e podagrosa Ideal de uma Itália burguêssuja, avarenta e sentimental
Quietismo ventralista Quietismo ventralista
Velhacaria negroPassadismo Velhacaria rubroPassadismo
MILÃO, 11 de outubro de 1913
Pelo grupo dirigente do Movimento futurista:
Marinetti – Boccioni – Carrà – Russolo
Do 20 de agosto de 1915 a hoje, esperando a alegria de bater-nos na fronteira oriental, organizamos as duas primeiras violentíssimas demonstrações antineutros em Milão. Dirigimos então, em Roma e em Milão, nas universidades e nas praças, mais de 30 demonstrações igualmente eficazes.
Fomos outras tantas vezes presos, e fomos os únicos a sofrer cinco dias de cárcere por ter pedido violentamente a grande e higiênica nossa guerra.
sexta-feira, maio 30, 2003
quinta-feira, maio 29, 2003
Estupidez em sílabas
Exemplo de uma mal-sucedida sessão de escrita automática
-Ora, pergunto-me, que faço aqui?
-Faço, respondo-me, o que fazia ainda antes de fazê-lo.
-Mui irritado estou com as minhas divagações, digo-me com severidade.
-Calo-me se capaz for, retruco-me com truculência.
Após a eternidade decido-me então a fazer.
Exemplo de uma mal-sucedida sessão de escrita automática
-Ora, pergunto-me, que faço aqui?
-Faço, respondo-me, o que fazia ainda antes de fazê-lo.
-Mui irritado estou com as minhas divagações, digo-me com severidade.
-Calo-me se capaz for, retruco-me com truculência.
Após a eternidade decido-me então a fazer.
terça-feira, maio 27, 2003
segunda-feira, maio 26, 2003
Aristóteles, Platão, e o bem-em-si
Escrito sob a ameaça de um cano de revólver enconstado na têmpora direita
Aristóteles, como bem se sabe, foi discípulo de Platão, portanto, quando menciona na sua obra a existência de um bem supremo não seria estranho se, de algum modo, se este sumo bem fosse confundido com a Idéia de bem dos platônicos. Contudo, o bem supremo aristotélico e o Bem platônico são noções muito diferentes, e é o próprio Aristóteles que procura explicitar esta diferença no primeiro livro da Ética a Nicômaco.
A idéia de um Bem em si, uma forma pura e única, situada num mundo inteligível, da qual todos os bens particulares participam, e que só por isso reconhecemo-los como bens, era para o estagirita algo muito improvável. A crítica dele fundamenta-se essencialmente no seguinte argumento: não é possível existir uma forma única de bem, pois o bem não é um conceito universal, ou seja, não existe um conceito genérico de bem no qual estejam contidos os conceitos de todos os bens particulares. Ora, olhando com atenção, percebe-se que o termo “bem” é usado de muitas maneiras diferentes, entre “nadar bem”, “uma boa mesa” e “uma boa amizade” é realmente difícil, senão impossível, encontrar algo que seja comum a estes bens, afinal, as características que tornam uma mesa boa são certamente bem distintas das que tornam uma amizade boa, isto é, este algo que torna as coisas boas é específico para cada tipo de coisa. Deste modo, pode-se mesmo verificar que “o termo ‘bem’ tem tantas acepções quanto ‘ser’” (EN, 1096a). Ou, numa terminologia mais técnica, o bem não é um gênero, posto que é predicado de todas as categorias. Assim, usando os exemplos dados por Aristóteles, o bem pode ser predicado de uma substância, como de Deus, ou ainda da categoria de qualidade, como as excelências, da de quantidade, como o que é moderado, da de relação, com o útil, da de tempo, como o tempo oportuno, da de lugar, como a localidade conveniente, e assim por diante. Portanto o bem não pode ser algo universal e único, pois para sê-lo deveria ser predicado de apenas uma categoria.
Além disso, como há uma ciência correspondente a cada Idéia, deveria haver uma ciência única do bem, entretanto, o fato é que existem diversas ciências, mesmo do bem em uma determinada categoria. A localidade adequada é estudada, na guerra, pela estratégia, mas também, na construção, pela arquitetura. Mesmo nos bens que são bons em si, desejados por si mesmos, como a inteligência e as honrarias, não se consegue encontrar uma noção comum que os englobe. Por fim, resta ainda uma questão, se de fato existem diversos bens, uns distintos dos outros, como que lhes aplicamos o mesmo nome? Nós chamamos a todos de bem, e certamente não é por acaso que assim procedemos. Aristóteles nos dá três alternativas, das quais uma parece ser a mais correta. Chamamos os diversos bens da mesma maneira, não porque sejam uma só coisa, mas por analogia. Por exemplo, assim como a visão é boa no corpo, a razão é boa na alma.
Aristóteles refuta assim a Idéia universal e única de bem, cabe-lhe então apresentar o seu próprio conceito de bem. Ao contrário de Platão, que parte do inteligível para o sensível, Aristóteles procurará fundamentar a sua noção de bem a partir das coisas mesmas. Partindo daí, notará que toda atividade, todo propósito visa algum fim, e esse fim é algum bem, já que os homens realizam as ações buscando algum bem. Claro que, como foi dito, cada atividade terá em vista um bem diferente, contudo, se há um fim a que todas as coisas visam, este será o melhor fim, ou o bem supremo. Sendo assim, é preciso que este último fim seja algo desejável por si mesmo, sendo tudo o mais desejado em função dele, pois caso contrário cair-se-ia numa sucessão infinita que acabaria por pulverizar e desfazer o próprio bem. Das coisas que aparentam ser desejáveis por si mesmas, a felicidade parece ocupar o mais alto grau, já que não a perseguimos para alcançar outra coisa que não ela mesma, não temos nenhum outro objetivo em alcançar a felicidade senão sermos felizes.
A noção aristotélica de bem supremo e a platônica de bem em si são, portanto, incompatíveis. Platão coloca fora do mundo um único e universal Bem, do qual todos os bens particulares participam. Por sua vez, Aristóteles vê que não é possível reunir todos os bens dentro de um único conceito de bem, já que o bem pode ser predicado de tantas categorias quanto o ser. Destarte, só podemos falar de bem por analogia. O bem supremo é, então, um bem que é bom em si, e ao qual todos os outros bens são subordinados, mas que é algo diferente e separado destes outros bens.
Escrito sob a ameaça de um cano de revólver enconstado na têmpora direita
Aristóteles, como bem se sabe, foi discípulo de Platão, portanto, quando menciona na sua obra a existência de um bem supremo não seria estranho se, de algum modo, se este sumo bem fosse confundido com a Idéia de bem dos platônicos. Contudo, o bem supremo aristotélico e o Bem platônico são noções muito diferentes, e é o próprio Aristóteles que procura explicitar esta diferença no primeiro livro da Ética a Nicômaco.
A idéia de um Bem em si, uma forma pura e única, situada num mundo inteligível, da qual todos os bens particulares participam, e que só por isso reconhecemo-los como bens, era para o estagirita algo muito improvável. A crítica dele fundamenta-se essencialmente no seguinte argumento: não é possível existir uma forma única de bem, pois o bem não é um conceito universal, ou seja, não existe um conceito genérico de bem no qual estejam contidos os conceitos de todos os bens particulares. Ora, olhando com atenção, percebe-se que o termo “bem” é usado de muitas maneiras diferentes, entre “nadar bem”, “uma boa mesa” e “uma boa amizade” é realmente difícil, senão impossível, encontrar algo que seja comum a estes bens, afinal, as características que tornam uma mesa boa são certamente bem distintas das que tornam uma amizade boa, isto é, este algo que torna as coisas boas é específico para cada tipo de coisa. Deste modo, pode-se mesmo verificar que “o termo ‘bem’ tem tantas acepções quanto ‘ser’” (EN, 1096a). Ou, numa terminologia mais técnica, o bem não é um gênero, posto que é predicado de todas as categorias. Assim, usando os exemplos dados por Aristóteles, o bem pode ser predicado de uma substância, como de Deus, ou ainda da categoria de qualidade, como as excelências, da de quantidade, como o que é moderado, da de relação, com o útil, da de tempo, como o tempo oportuno, da de lugar, como a localidade conveniente, e assim por diante. Portanto o bem não pode ser algo universal e único, pois para sê-lo deveria ser predicado de apenas uma categoria.
Além disso, como há uma ciência correspondente a cada Idéia, deveria haver uma ciência única do bem, entretanto, o fato é que existem diversas ciências, mesmo do bem em uma determinada categoria. A localidade adequada é estudada, na guerra, pela estratégia, mas também, na construção, pela arquitetura. Mesmo nos bens que são bons em si, desejados por si mesmos, como a inteligência e as honrarias, não se consegue encontrar uma noção comum que os englobe. Por fim, resta ainda uma questão, se de fato existem diversos bens, uns distintos dos outros, como que lhes aplicamos o mesmo nome? Nós chamamos a todos de bem, e certamente não é por acaso que assim procedemos. Aristóteles nos dá três alternativas, das quais uma parece ser a mais correta. Chamamos os diversos bens da mesma maneira, não porque sejam uma só coisa, mas por analogia. Por exemplo, assim como a visão é boa no corpo, a razão é boa na alma.
Aristóteles refuta assim a Idéia universal e única de bem, cabe-lhe então apresentar o seu próprio conceito de bem. Ao contrário de Platão, que parte do inteligível para o sensível, Aristóteles procurará fundamentar a sua noção de bem a partir das coisas mesmas. Partindo daí, notará que toda atividade, todo propósito visa algum fim, e esse fim é algum bem, já que os homens realizam as ações buscando algum bem. Claro que, como foi dito, cada atividade terá em vista um bem diferente, contudo, se há um fim a que todas as coisas visam, este será o melhor fim, ou o bem supremo. Sendo assim, é preciso que este último fim seja algo desejável por si mesmo, sendo tudo o mais desejado em função dele, pois caso contrário cair-se-ia numa sucessão infinita que acabaria por pulverizar e desfazer o próprio bem. Das coisas que aparentam ser desejáveis por si mesmas, a felicidade parece ocupar o mais alto grau, já que não a perseguimos para alcançar outra coisa que não ela mesma, não temos nenhum outro objetivo em alcançar a felicidade senão sermos felizes.
A noção aristotélica de bem supremo e a platônica de bem em si são, portanto, incompatíveis. Platão coloca fora do mundo um único e universal Bem, do qual todos os bens particulares participam. Por sua vez, Aristóteles vê que não é possível reunir todos os bens dentro de um único conceito de bem, já que o bem pode ser predicado de tantas categorias quanto o ser. Destarte, só podemos falar de bem por analogia. O bem supremo é, então, um bem que é bom em si, e ao qual todos os outros bens são subordinados, mas que é algo diferente e separado destes outros bens.
Kantilenas Kantianas
mais alguns versos a priori
Alguma coisa possível não possui em si filosofia.
Proposições estéticas transcendentais são provas precedentes.
A anfibologia dos conceitos denomina-se ente.
Um fenômeno mantém uma autoridade em si mesmo.
As proposições apodídicas entendem a prova cosmológica.
O repetido acréscimo não é o conceito de possível.
mais alguns versos a priori
Alguma coisa possível não possui em si filosofia.
Proposições estéticas transcendentais são provas precedentes.
A anfibologia dos conceitos denomina-se ente.
Um fenômeno mantém uma autoridade em si mesmo.
As proposições apodídicas entendem a prova cosmológica.
O repetido acréscimo não é o conceito de possível.
domingo, maio 25, 2003
Kantilenas Kantianas
Fragmentos a priori de uma kanção surrealo-crítica da razão pura.
A existência de um ente necessário se renova acima dos limites de toda experiência possível.
O fenômeno tem em nós o segundo.
Frente a isso, o oponente da religião é definido na conclusão de um silogismo.
Exemplo não se trata de lógica.
O primeiro objeto de uma tal idéia entende todo o seu indiminuto valor.
A realidade da liberdade não chega nem a ter o modo.
A tarefa da Metafísica consegue indicar o fim anteriormente proposto sem reflexão.
Fragmentos a priori de uma kanção surrealo-crítica da razão pura.
A existência de um ente necessário se renova acima dos limites de toda experiência possível.
O fenômeno tem em nós o segundo.
Frente a isso, o oponente da religião é definido na conclusão de um silogismo.
Exemplo não se trata de lógica.
O primeiro objeto de uma tal idéia entende todo o seu indiminuto valor.
A realidade da liberdade não chega nem a ter o modo.
A tarefa da Metafísica consegue indicar o fim anteriormente proposto sem reflexão.
sábado, maio 17, 2003
Cinna, de Corneille
Nesta peça o grande clássico francês mostra toda a sua força, toda a sua genialidade. Em impecáveis versos a clemência de Augusto é ilustrada, assim como todas as asquerosas idéias de seu autor.
Emília é filha de C. Toranius, antigo tutor de Augusto, cuja proscrição pelo próprio imperador faz-lhe nascer um inquebrantável ódio, que só aumenta quando ela é adotada pelo imperador como filha. A vingativa nova filha de Otávio convence, ou seduz, Cinna, filho de Pompeu, o seu amante, a liderar uma conspiração contra Otaviano. Cinna, por sua vez, também é um dos preferidos do tirano, mas em vez de detestá-lo, como seu parentesco faria crer, tem-lhe sentimentos amistosos, não só ao tirano, mas também à tirania. Dá-se aí o primeiro conflito, Cinna vê-se dividido entre a chama do amor e a sua amizade e gratitude. Mas é o fogo das paixões, incitado por Emília, que se alastra e aniquila a consciência moral de Cinna. Isto é, as mulheres, intrinsecamente más, corrompem os homens, afastando-os do reto caminho. E assim também as paixões, igualmente más, além de dominantes na mulher, subjugam a razão e transformam o homem numa besta qualquer.
Contudo, esta avalanche de irracionalidade será contida pela clemência do déspota. Máximo, íntimo amigo de Cinna e líder da conjuração, também é apaixonado por Emília. Quando o pompeida confessa que somente a lidera por amor a Emília, Máximo é tomado pelos ciúmes e, encorajado por seu lacaio, torna-se um traidor, esperando que, com a morte de Cinna, seja-lhe mais fácil conquistar o amor de Emília. Assim o ditador é prevenido da conspiração, mas, em toda a sua bondade cristã, acaba por perdoar Cinna, Emília e Máximo. A luminosa clemência do monarca livra das trevas as almas reféns das paixões, levando-as ao bom caminho.
Não há como negar, a peça de Corneille é sublime, perfeita, plena. Qual será o segredo que faz com que uma peça com mensagens tão repugnantes seja ao mesmo tão bela e arrebatadora?
Nesta peça o grande clássico francês mostra toda a sua força, toda a sua genialidade. Em impecáveis versos a clemência de Augusto é ilustrada, assim como todas as asquerosas idéias de seu autor.
Emília é filha de C. Toranius, antigo tutor de Augusto, cuja proscrição pelo próprio imperador faz-lhe nascer um inquebrantável ódio, que só aumenta quando ela é adotada pelo imperador como filha. A vingativa nova filha de Otávio convence, ou seduz, Cinna, filho de Pompeu, o seu amante, a liderar uma conspiração contra Otaviano. Cinna, por sua vez, também é um dos preferidos do tirano, mas em vez de detestá-lo, como seu parentesco faria crer, tem-lhe sentimentos amistosos, não só ao tirano, mas também à tirania. Dá-se aí o primeiro conflito, Cinna vê-se dividido entre a chama do amor e a sua amizade e gratitude. Mas é o fogo das paixões, incitado por Emília, que se alastra e aniquila a consciência moral de Cinna. Isto é, as mulheres, intrinsecamente más, corrompem os homens, afastando-os do reto caminho. E assim também as paixões, igualmente más, além de dominantes na mulher, subjugam a razão e transformam o homem numa besta qualquer.
Contudo, esta avalanche de irracionalidade será contida pela clemência do déspota. Máximo, íntimo amigo de Cinna e líder da conjuração, também é apaixonado por Emília. Quando o pompeida confessa que somente a lidera por amor a Emília, Máximo é tomado pelos ciúmes e, encorajado por seu lacaio, torna-se um traidor, esperando que, com a morte de Cinna, seja-lhe mais fácil conquistar o amor de Emília. Assim o ditador é prevenido da conspiração, mas, em toda a sua bondade cristã, acaba por perdoar Cinna, Emília e Máximo. A luminosa clemência do monarca livra das trevas as almas reféns das paixões, levando-as ao bom caminho.
Não há como negar, a peça de Corneille é sublime, perfeita, plena. Qual será o segredo que faz com que uma peça com mensagens tão repugnantes seja ao mesmo tão bela e arrebatadora?
sexta-feira, abril 04, 2003
Diário da Guerra
Estará o Rambo participando da agressão ao Iraque? Na mais violenta batalha da guerra, batalha que já se arrasta há mais de um dia, morrem 1000 iraquianos e apenas 2 ianques?
Dois americanos e mil iraquianos morrem no aeroporto de Bagdá
Bagdá - Dois soldados norte-americanos morreram hoje em combates com tropas iraquianas que defendiam o aeroporto internacional "Saddam Hussein" em Bagdá, segundo um porta-voz militar dos EUA. Não foi informado as circunstâncias nem a identidade dos combatentes.
As forças norte-americanas informaram que mataram mais de 1.000 soldados iraquianos e destruíram mais de 50 tanques na batalha pelo aeroporto internacional de Bagdá, informou a CBS News.
Estará o Rambo participando da agressão ao Iraque? Na mais violenta batalha da guerra, batalha que já se arrasta há mais de um dia, morrem 1000 iraquianos e apenas 2 ianques?
Dois americanos e mil iraquianos morrem no aeroporto de Bagdá
Bagdá - Dois soldados norte-americanos morreram hoje em combates com tropas iraquianas que defendiam o aeroporto internacional "Saddam Hussein" em Bagdá, segundo um porta-voz militar dos EUA. Não foi informado as circunstâncias nem a identidade dos combatentes.
As forças norte-americanas informaram que mataram mais de 1.000 soldados iraquianos e destruíram mais de 50 tanques na batalha pelo aeroporto internacional de Bagdá, informou a CBS News.
Diário da Guerra
Apenas mais um exemplo da fábrica de mentiras que é o Pentágono e seus seqüazes da imprensa espetacular.
EUA ainda não controlam aeroporto em Bagdá
São Paulo - As tropas norte-americanas ainda buscam assumir o controle total do Aeroporto Internacional Saddam, estrategicamente importante aos aliados para condução da ofensiva em Bagdá. Algumas agências de notícias informaram durante a madrugada que o aeroporto já estaria totalmente sob controle das forças norte-americanas. No entanto, vários sites de notícias internacionais e agências informam esta manhã que os soldados ainda encontravam resistência em partes do complexo.
Militares do porta-aviões Kitty Hawk, disseram que aviões F/A-18 Hornets e F-14 Tomcat decolaram em missão de apoio às forças terrestres no aeroporto na madrugada e esta manhã, onde despejaram bombas guiadas a laser e por satélite. "Temos o controle de partes do aeroporto, com fuzileiros navais e soldados da infantaria no local", disse um porta-voz do Comando Central. "Ainda encontramos alguma resistência. É um aeroporto muito grande e esperamos brevemente assumir seu controle total" acrescentou.
O aeroporto, que inclui um complexo militar, é um dos principais objetivos dos fuzileiros-navais e tropas de infantaria que deslocam-se para Bagdá vindos do sul do país. Sua captura possibilitará à coalizão anglo-americana transportar tropas, equipamento s e suprimentos por via aérea até a capital do Iraque. Militares dos EUA informaram que cerca de 320 soldados iraquianos foram mortos na batalha pelo controle do aeroporto.
Apenas mais um exemplo da fábrica de mentiras que é o Pentágono e seus seqüazes da imprensa espetacular.
EUA ainda não controlam aeroporto em Bagdá
São Paulo - As tropas norte-americanas ainda buscam assumir o controle total do Aeroporto Internacional Saddam, estrategicamente importante aos aliados para condução da ofensiva em Bagdá. Algumas agências de notícias informaram durante a madrugada que o aeroporto já estaria totalmente sob controle das forças norte-americanas. No entanto, vários sites de notícias internacionais e agências informam esta manhã que os soldados ainda encontravam resistência em partes do complexo.
Militares do porta-aviões Kitty Hawk, disseram que aviões F/A-18 Hornets e F-14 Tomcat decolaram em missão de apoio às forças terrestres no aeroporto na madrugada e esta manhã, onde despejaram bombas guiadas a laser e por satélite. "Temos o controle de partes do aeroporto, com fuzileiros navais e soldados da infantaria no local", disse um porta-voz do Comando Central. "Ainda encontramos alguma resistência. É um aeroporto muito grande e esperamos brevemente assumir seu controle total" acrescentou.
O aeroporto, que inclui um complexo militar, é um dos principais objetivos dos fuzileiros-navais e tropas de infantaria que deslocam-se para Bagdá vindos do sul do país. Sua captura possibilitará à coalizão anglo-americana transportar tropas, equipamento s e suprimentos por via aérea até a capital do Iraque. Militares dos EUA informaram que cerca de 320 soldados iraquianos foram mortos na batalha pelo controle do aeroporto.
quarta-feira, abril 02, 2003
Diário da Guerra
Mais das boas ações praticadas pelos ianques no Iraque.
"UNE HORREUR" À AL-HILLA
Au treizième jour de l'opération "Liberté de l'Irak", les bombardements de la coalition américano-britannique ont également fait plusieurs dizaines de victimes civiles sur Bagdad et au sud de la capitale, selon un bilan des autorités irakiennes. Le porte-parole du Comité international de la Croix-Rouge (CICR) à Bagdad, Roland Huguenin-Benjamin, a qualifié mardi d'"horreur" les bombardements de la matinée sur la ville d'Al-Hilla, au sud de Bagdad. "Notre équipe de quatre personnes s'est rendue à l'hôpital d'Al-Hilla. Ce qu'elle a vu là-bas est une horreur. Il y a des dizaines de corps déchiquetés", a-t-il déclaré. Selon lui, ces civils étaient ceux d'"agriculteurs qui se trouvaient dans les champs, avec leur famille". Selon le directeur de l'hôpital de la ville, 33 civils, dont des enfants, ont été tués et 310 personnes ont été blessées. Sur les lieux du bombardement, des dizaines de débris de ce qui semblait être des bombes à fragmentation équipées de petits parachutes jonchaient le sol, a constaté un journaliste de l'AFP.
Près d'Al-Hilla, 15 membres d'une même famille avaient été tués lundi soir dans une camionnette par une roquette tirée d'un hélicoptère Apache, a déclaré mardi à l'AFP le seul survivant. A Bagdad, selon le ministre irakien de l'information, Mohammed Saïd al-Sahhaf, 19 Irakiens ont été tués et plus de 100 personnes blessées depuis lundi soir.
A Washington, le Pentagone a exprimé des "regrets", vingt-quatre heures après la mort de sept femmes et enfants irakiens, tués lundi par des tirs américains à un poste de contrôle près de Nadjaf (150 km au sud de Bagdad). "Je voudrais exprimer nos regrets aux familles des Irakiens tués au barrage routier près de Nadjaf. La perte de toute vie innocente est réellement tragique", a déclaré le général Richard Myers. Le président américain, George W. Bush, a également exprimé ses regrets, mais, selon son porte-parole Ari Fleischer, il a ajouté que "la plupart des innocents qui ont été tués dans cette guerre l'ont été par Saddam Hussein et ses sbires".
Les forces américaines en Irak ont par ailleurs délivré un prisonnier de guerre américain lors d'une opération de sauvetage, a annoncé le commandement central (Centcom) au Qatar. Jessica Lynch, 19 ans, de la 507e compagnie américaine de logistique faisait partie d'un groupe de militaires de cette unité de logistique, capturés ou portés manquants à la suite d'une embuscade près de Nassiriya (350 km au sud-est de Bagdad) dimanche dernier, et exhibés à la télévision irakienne.
Mais das boas ações praticadas pelos ianques no Iraque.
"UNE HORREUR" À AL-HILLA
Au treizième jour de l'opération "Liberté de l'Irak", les bombardements de la coalition américano-britannique ont également fait plusieurs dizaines de victimes civiles sur Bagdad et au sud de la capitale, selon un bilan des autorités irakiennes. Le porte-parole du Comité international de la Croix-Rouge (CICR) à Bagdad, Roland Huguenin-Benjamin, a qualifié mardi d'"horreur" les bombardements de la matinée sur la ville d'Al-Hilla, au sud de Bagdad. "Notre équipe de quatre personnes s'est rendue à l'hôpital d'Al-Hilla. Ce qu'elle a vu là-bas est une horreur. Il y a des dizaines de corps déchiquetés", a-t-il déclaré. Selon lui, ces civils étaient ceux d'"agriculteurs qui se trouvaient dans les champs, avec leur famille". Selon le directeur de l'hôpital de la ville, 33 civils, dont des enfants, ont été tués et 310 personnes ont été blessées. Sur les lieux du bombardement, des dizaines de débris de ce qui semblait être des bombes à fragmentation équipées de petits parachutes jonchaient le sol, a constaté un journaliste de l'AFP.
Près d'Al-Hilla, 15 membres d'une même famille avaient été tués lundi soir dans une camionnette par une roquette tirée d'un hélicoptère Apache, a déclaré mardi à l'AFP le seul survivant. A Bagdad, selon le ministre irakien de l'information, Mohammed Saïd al-Sahhaf, 19 Irakiens ont été tués et plus de 100 personnes blessées depuis lundi soir.
A Washington, le Pentagone a exprimé des "regrets", vingt-quatre heures après la mort de sept femmes et enfants irakiens, tués lundi par des tirs américains à un poste de contrôle près de Nadjaf (150 km au sud de Bagdad). "Je voudrais exprimer nos regrets aux familles des Irakiens tués au barrage routier près de Nadjaf. La perte de toute vie innocente est réellement tragique", a déclaré le général Richard Myers. Le président américain, George W. Bush, a également exprimé ses regrets, mais, selon son porte-parole Ari Fleischer, il a ajouté que "la plupart des innocents qui ont été tués dans cette guerre l'ont été par Saddam Hussein et ses sbires".
Les forces américaines en Irak ont par ailleurs délivré un prisonnier de guerre américain lors d'une opération de sauvetage, a annoncé le commandement central (Centcom) au Qatar. Jessica Lynch, 19 ans, de la 507e compagnie américaine de logistique faisait partie d'un groupe de militaires de cette unité de logistique, capturés ou portés manquants à la suite d'une embuscade près de Nassiriya (350 km au sud-est de Bagdad) dimanche dernier, et exhibés à la télévision irakienne.
Diário da Guerra
A "operation iraqi freedom" é de um platonismo nefando. Querem é libertar as almas dos iraquianos, presas aos seus desprezíveis corpos. Quem disse que os ianques não eram bonzinhos?
Krankenhaus in Bagdad getroffen
Bei den Luftangriffen auf Bagdad ist laut Augenzeugenberichten ein Krankenhaus getroffen worden. Es gab zahlreiche Tote und Verletzte.
Nach Berichten des britischen Fernsehsenders BBC ist in Bagdad ein Geburtsklinik getroffen worden. Mehrere Menschen seien ums Leben gekommen, hieß nach Angaben des Krankenhauses, die von Medien bestätigt wurden. Mindestens 25 Personen seien verletzt worden.
Der Angriff, bei dem auch der städtische Markt und weitere zivile Gebäude getroffen wurde, erfolgte um 9.30 Uhr. Autofahrer seien von dem Angriff überrascht worden, als sie währenden einer vermeintlichen Pause der Bombardierungen unterwegs waren. Mindestens fünf Fahrzeuge seien zerstört worden, ihre Fahrer verbrannten im Wageninnern. (nz)
A "operation iraqi freedom" é de um platonismo nefando. Querem é libertar as almas dos iraquianos, presas aos seus desprezíveis corpos. Quem disse que os ianques não eram bonzinhos?
Krankenhaus in Bagdad getroffen
Bei den Luftangriffen auf Bagdad ist laut Augenzeugenberichten ein Krankenhaus getroffen worden. Es gab zahlreiche Tote und Verletzte.
Nach Berichten des britischen Fernsehsenders BBC ist in Bagdad ein Geburtsklinik getroffen worden. Mehrere Menschen seien ums Leben gekommen, hieß nach Angaben des Krankenhauses, die von Medien bestätigt wurden. Mindestens 25 Personen seien verletzt worden.
Der Angriff, bei dem auch der städtische Markt und weitere zivile Gebäude getroffen wurde, erfolgte um 9.30 Uhr. Autofahrer seien von dem Angriff überrascht worden, als sie währenden einer vermeintlichen Pause der Bombardierungen unterwegs waren. Mindestens fünf Fahrzeuge seien zerstört worden, ihre Fahrer verbrannten im Wageninnern. (nz)
terça-feira, abril 01, 2003
Otimismo
O palhaço do planalto sobre a patuscada-quartelada de primeiro de abril, dia dos mentirosos:
O senador Pedro Simon (PMDB-RS), outro perseguido pela ditadura, comentou que sequer se lembrava da data: "O que tem de bom é que ninguém se lembra mais".
Se ninguém lembra mais então todos estão dispostos a passar por tudo de novo. Tal afirmação é típica do espírito positivo e otimista da nossa época, sempre tentando varrer para baixo do tapete o lado negativo, doloroso da vida. A afirmação do clown também lembra vagamente o redivivo 1984, o inglês profético errou a data por apenas 20 anos, o espetáculo, representado no livro pelo Partido, esvazia a história eternizando o presente.
Os nossos preclaros ancestrais, que, às margens do Tibre, tinham muitos mais motivos para comemorar do que nós, festejavam tanto os dias fastos quanto os dias nefastos. Para eles a realidade não era pura positividade, mas o seu lado negativo também deveria ser aceito.
O estudo dos clássicos mostra-se hoje, sem dúvida, como atividade revolucionária, da mesma forma como o fora há 600 anos.
O palhaço do planalto sobre a patuscada-quartelada de primeiro de abril, dia dos mentirosos:
O senador Pedro Simon (PMDB-RS), outro perseguido pela ditadura, comentou que sequer se lembrava da data: "O que tem de bom é que ninguém se lembra mais".
Se ninguém lembra mais então todos estão dispostos a passar por tudo de novo. Tal afirmação é típica do espírito positivo e otimista da nossa época, sempre tentando varrer para baixo do tapete o lado negativo, doloroso da vida. A afirmação do clown também lembra vagamente o redivivo 1984, o inglês profético errou a data por apenas 20 anos, o espetáculo, representado no livro pelo Partido, esvazia a história eternizando o presente.
Os nossos preclaros ancestrais, que, às margens do Tibre, tinham muitos mais motivos para comemorar do que nós, festejavam tanto os dias fastos quanto os dias nefastos. Para eles a realidade não era pura positividade, mas o seu lado negativo também deveria ser aceito.
O estudo dos clássicos mostra-se hoje, sem dúvida, como atividade revolucionária, da mesma forma como o fora há 600 anos.
Notícias da democracia
Mais um exemplo da liberdade de imprensa no país mas democrático do mundo.
TV demite Arnnett por ter criticado
estratégia em entrevista em Bagdá
LONDRES - A rede de TV norte-americana NBC News e a MSNBC demitiram o repórter Peter Arnett, depois dele, que estava á cobrindo a guerra no Iraque, ter concedido uma entrevista a uma emissora iraquiana, na qual afirma que os planos de guerra anglo-americanos fracassaram e que os estrategistas militares estavam procurando estrututar um novo plano.
"Arnett errou ao conceder uma entrevista à TV iraquiana controlada pelo Estado, especialmente em uma época de guerra. Ele errou ao discutir suas observações pessoais e opiniões em uma entrevista. Por esse motivo, Arnett não vai mais mandar matérias para a NBC News e MSNBC", informou a NBC.
Arnett foi enviado ao Iraque como funcionário do "National Geographic Explorer", um programa da MSNBC. Quando outros repórteres da NBC deixaram Bagdá por razões de segurança, a rede começou a transmitir suas matérias. Segundo a NBC, Arnett também foi dispensado pela National Geographic.
Ao saber da decisão, Arnett pediu desculpas à NBC e ao público norte-americano por ter criado uma controvérsia. "Eu peço desculpas à população norte-americana por ter feito um julgamento errado, ao dar uma entrevista à televisão iraquiana no fim de semana. Basicamente, eu disse à TV o que nós todos sabemos sobre a guerra - que ocorreram atrasos na implementação da estratégia de guerra, que ocorreram surpresas. Mas, ao dar essa entrevista à TV iraquiana, eu criei um incêndio nos Estados Unidos e, por isso, estou verdadeiramente arrependido", disse Arnett.
Ontem à noite, o jornal britânico "Daily Mirror"- um dos que mais reagem à guerra- anunciou a contratação de Arnett.
Pulitzer
Vencedor de um prêmio Pulitzer por sua cobertura sobre a Guerra do Vietnã para a agência de notícias The Associated Press, Arnett foi correspondente da rede CNN durante a Guerra do Golfo, em 1991. Naquele conflito, Arnett foi criticado pela Casa Branca por sua cobertura, especialmente, ao denunciar que as bombas da então força aliada tinham atingido uma fábrica produtora de leite para bebês por engano, pois imaginava ser um depósito de armas químicas.
Arnett foi demitido da CNN, depois de acusar as tropas norte-americanas de usarem gás sarin num vilarejo do Laos, em 1970, para matar traidores do governo norte-americano.
Mais um exemplo da liberdade de imprensa no país mas democrático do mundo.
TV demite Arnnett por ter criticado
estratégia em entrevista em Bagdá
LONDRES - A rede de TV norte-americana NBC News e a MSNBC demitiram o repórter Peter Arnett, depois dele, que estava á cobrindo a guerra no Iraque, ter concedido uma entrevista a uma emissora iraquiana, na qual afirma que os planos de guerra anglo-americanos fracassaram e que os estrategistas militares estavam procurando estrututar um novo plano.
"Arnett errou ao conceder uma entrevista à TV iraquiana controlada pelo Estado, especialmente em uma época de guerra. Ele errou ao discutir suas observações pessoais e opiniões em uma entrevista. Por esse motivo, Arnett não vai mais mandar matérias para a NBC News e MSNBC", informou a NBC.
Arnett foi enviado ao Iraque como funcionário do "National Geographic Explorer", um programa da MSNBC. Quando outros repórteres da NBC deixaram Bagdá por razões de segurança, a rede começou a transmitir suas matérias. Segundo a NBC, Arnett também foi dispensado pela National Geographic.
Ao saber da decisão, Arnett pediu desculpas à NBC e ao público norte-americano por ter criado uma controvérsia. "Eu peço desculpas à população norte-americana por ter feito um julgamento errado, ao dar uma entrevista à televisão iraquiana no fim de semana. Basicamente, eu disse à TV o que nós todos sabemos sobre a guerra - que ocorreram atrasos na implementação da estratégia de guerra, que ocorreram surpresas. Mas, ao dar essa entrevista à TV iraquiana, eu criei um incêndio nos Estados Unidos e, por isso, estou verdadeiramente arrependido", disse Arnett.
Ontem à noite, o jornal britânico "Daily Mirror"- um dos que mais reagem à guerra- anunciou a contratação de Arnett.
Pulitzer
Vencedor de um prêmio Pulitzer por sua cobertura sobre a Guerra do Vietnã para a agência de notícias The Associated Press, Arnett foi correspondente da rede CNN durante a Guerra do Golfo, em 1991. Naquele conflito, Arnett foi criticado pela Casa Branca por sua cobertura, especialmente, ao denunciar que as bombas da então força aliada tinham atingido uma fábrica produtora de leite para bebês por engano, pois imaginava ser um depósito de armas químicas.
Arnett foi demitido da CNN, depois de acusar as tropas norte-americanas de usarem gás sarin num vilarejo do Laos, em 1970, para matar traidores do governo norte-americano.
sábado, março 29, 2003
sexta-feira, março 21, 2003
Ai, ai de mim! Aurora, de Murnau
Que dizer? Com alguns minutos a menos este poderia ser o maior filme de toda a história, contudo o fim apenas confirma os preconceitos e o otimismo idiota que se fazem perceber aqui e ali no começo. Toda a força do filme se esvai em cinco minutos, em apenas cinco minutos uma das maiores obras da humanidade transforma-se em mais um ridículo hollywoodianismo. Ai, ai de mim!
Que dizer? Com alguns minutos a menos este poderia ser o maior filme de toda a história, contudo o fim apenas confirma os preconceitos e o otimismo idiota que se fazem perceber aqui e ali no começo. Toda a força do filme se esvai em cinco minutos, em apenas cinco minutos uma das maiores obras da humanidade transforma-se em mais um ridículo hollywoodianismo. Ai, ai de mim!
quinta-feira, março 20, 2003
Reflexão após uma conversa com um mago
Uma oitava de Ariosto vale mais do que todos os fazedores de chuva da história.
Se podeis realmente fazer chover, sois então uma malta de velhacos desprezíveis, que não acabam com o problema da água no mundo por simples vilania ou por um ressentimento infantil.
Uma oitava de Ariosto vale mais do que todos os fazedores de chuva da história.
Se podeis realmente fazer chover, sois então uma malta de velhacos desprezíveis, que não acabam com o problema da água no mundo por simples vilania ou por um ressentimento infantil.
Diário da Guerra
Sabemos de outras guerras como as bombas inteligentes ianques têm uma queda por civis.
Ataque americano fere civis em Bagdá
Bagdá - Os ataques norte-americanos de mísseis de cruzeiro a Bagdá atingiram alguns alvos não militares, ferindo civis, disse um funcionário do governo iraquiano.
"As informações iniciais indicam que alvos civis foram atingidos na área de Doura, e civis foram feridos", disse a repórteres Uday al-Taei, funcionário iraquiano.
Há uma refinaria de petróleo em Doura, um subúrbio na região sudeste de Bagdá.
Os Estados Unidos começaram uma guerra para derrubar o presidente do Iraque, Saddam Hussein, com ataques seletivos aéreos e de mísseis à capital iraquiana.
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, dissera que as forças americanas e inglesas tinham atingido "alvos selecionados de importância militar".
Sabemos de outras guerras como as bombas inteligentes ianques têm uma queda por civis.
Ataque americano fere civis em Bagdá
Bagdá - Os ataques norte-americanos de mísseis de cruzeiro a Bagdá atingiram alguns alvos não militares, ferindo civis, disse um funcionário do governo iraquiano.
"As informações iniciais indicam que alvos civis foram atingidos na área de Doura, e civis foram feridos", disse a repórteres Uday al-Taei, funcionário iraquiano.
Há uma refinaria de petróleo em Doura, um subúrbio na região sudeste de Bagdá.
Os Estados Unidos começaram uma guerra para derrubar o presidente do Iraque, Saddam Hussein, com ataques seletivos aéreos e de mísseis à capital iraquiana.
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, dissera que as forças americanas e inglesas tinham atingido "alvos selecionados de importância militar".
Diário da Guerra
A sede de sangue do mercado é a mesma de 200 séculos atrás.
Ataque americano ao Iraque faz bolsas asiáticas subirem
São Paulo - O início dos ataques americanos ao Iraque fez com que os mercados do sudeste da Ásia registrassem grandes altas nesta quinta-feira. Em Seul, o índice Kospi disparou 4,92%. Segundo um trader, o início da guerra “era o que todos estavam esperando”. Todas as blue chips subiram, liderada por Samsung Electronics, que avançou 5,20%.
Taiwan subiu 1,86%, mas há forte suspeita de que o resultado tenha sido provocado por compras realizadas por fundos ligados ao governo. Logo após a transmissão das primeira imagens do ataque americano do Iraque, a bolsa caiu, recuperando-se logo em seguida.
O mercado filipino registrou alta de 1,85%, liderado pelos papéis da blue chip Long Distance Telephone Co., que subiram 4,20%. O pregão japonês encerrou em alta de 1,79%. Às 5h30 (horário de Brasília), as demais bolsas do sudeste asiático registravam: Hong Kong: +0,64%; Indonésia: +1,53%; Malásia: +1,11%; Tailândia: +1,20% e Cingapura: +2,53%.
A sede de sangue do mercado é a mesma de 200 séculos atrás.
Ataque americano ao Iraque faz bolsas asiáticas subirem
São Paulo - O início dos ataques americanos ao Iraque fez com que os mercados do sudeste da Ásia registrassem grandes altas nesta quinta-feira. Em Seul, o índice Kospi disparou 4,92%. Segundo um trader, o início da guerra “era o que todos estavam esperando”. Todas as blue chips subiram, liderada por Samsung Electronics, que avançou 5,20%.
Taiwan subiu 1,86%, mas há forte suspeita de que o resultado tenha sido provocado por compras realizadas por fundos ligados ao governo. Logo após a transmissão das primeira imagens do ataque americano do Iraque, a bolsa caiu, recuperando-se logo em seguida.
O mercado filipino registrou alta de 1,85%, liderado pelos papéis da blue chip Long Distance Telephone Co., que subiram 4,20%. O pregão japonês encerrou em alta de 1,79%. Às 5h30 (horário de Brasília), as demais bolsas do sudeste asiático registravam: Hong Kong: +0,64%; Indonésia: +1,53%; Malásia: +1,11%; Tailândia: +1,20% e Cingapura: +2,53%.
Diário da Guerra
Inspetor desmente informe de Washington
OSLO - Um inspetor de armas da Organização das Nações Unidas (ONU) que retornou ontem do Iraque disse que os Estados Unidos forneceram informações incorretas e enganosas sobre as armas de destruição em massa iraquianas.
Jorn Siljeholm afirmou que as garantias de autoridades dos Estados Unidos, inclusive do secretário de Estado, Colin Powell, sobre o arsenal do Iraque e sua tentativa de escondê-lo não foram comprovadas por suas investigações.
"Nenhuma de suas pistas quentes foi confirmada", relatou. "Não sei de nenhum suposto caminhão de descontaminação que, no final, era um caminhão de bombeiro ou um caminhão-pipa".
Siljeholm, 48 anos, um cientista do Massachusetts Institute of Technology (MIT), passou 100 dias no Iraque como integrante da equipe de inspeções da ONU. "Quando você não encontra nada e repete a hipótese de que eles (os iraquianos) estão escondendo algo, isso só enfraquece a hipótese", considerou. "Isto não é agradável".
Ele garantiu que os inspetores não encontraram laboratórios de armas do tipo descrito por relatórios de inteligência dos EUA, que ele classificou de "políticos" e não factuais.
Inspetor desmente informe de Washington
OSLO - Um inspetor de armas da Organização das Nações Unidas (ONU) que retornou ontem do Iraque disse que os Estados Unidos forneceram informações incorretas e enganosas sobre as armas de destruição em massa iraquianas.
Jorn Siljeholm afirmou que as garantias de autoridades dos Estados Unidos, inclusive do secretário de Estado, Colin Powell, sobre o arsenal do Iraque e sua tentativa de escondê-lo não foram comprovadas por suas investigações.
"Nenhuma de suas pistas quentes foi confirmada", relatou. "Não sei de nenhum suposto caminhão de descontaminação que, no final, era um caminhão de bombeiro ou um caminhão-pipa".
Siljeholm, 48 anos, um cientista do Massachusetts Institute of Technology (MIT), passou 100 dias no Iraque como integrante da equipe de inspeções da ONU. "Quando você não encontra nada e repete a hipótese de que eles (os iraquianos) estão escondendo algo, isso só enfraquece a hipótese", considerou. "Isto não é agradável".
Ele garantiu que os inspetores não encontraram laboratórios de armas do tipo descrito por relatórios de inteligência dos EUA, que ele classificou de "políticos" e não factuais.
terça-feira, março 18, 2003
Kino - Méliès, o mago louco da câmera
Georges Méliès (1861-1938) foi um dos primeiros realizadores da história do cinema, podendo ser mesmo tido como um dos fundadores do cinema enquanto arte.
Méliès fez literalmente centenas de filmes, em que o seu passado de mágico somado à incrível criatividade ligada ao absurdo e ao fantástico e um tremendo saber técnico fazem não só com que Méliès seja um grande mestre, mas também com que os seus filmes sejam extremamente instigantes ainda hoje.
A sua obra, contudo, ainda é fortemente baseada no teatro. Vendo seus filmes tem-se a impressão de estar assistindo um teatro de variedades bufo, cujo principal quadro é o de um mágico-palhaço que realiza coisas absurdas, como tirar a sua cabeça, e, com um fole, inflá-la até explodi-la. Há também pequenas peças com um enredo e personagens bem definidos, como no Barbe-bleu. Mas não só o conteúdo dos filmes é diretamente retirado do teatro, a câmera sempre estática e sempre no mesmo ângulo, o ângulo da visão de um espectador de teatro, e os cenários pintados passam claramente a sensação de estar-se vendo um espetáculo teatral. É principalmente o uso de todos os recursos que o cinema lhe fornece, seus filmes transbordam de efeitos especiais, e a caráter absurdo/fantástico dos seus filmes que marca a diferença.
De todos os seus filmes talvez o mais importante tenha sido o grande clássico Voyage dans la Lune. É um dos primeiros filmes que, apesar de conter também as características acima, mais se afasta do teatro e ruma a uma arte que lhe é verdadeiramente diferenciada. É uma história completa com personagens não bem definidos mas personagens de alguma forma individualizados, com ampla variedade de cenários e cenas que jamais caberiam numa peça de teatro.
A obra de Méliès não é, ou não deveria ser, hermético objeto de historiadores do cinema, mas sim amplamente acessível a todos. Entretanto, não se pense que seus filmes sejam meras produtos descartáveis o fantástico neles deixa marcas e faz pensar, ou, ao menos, são memoráveis palhaçadas. Além disso, importante para o espectador moderno que vê seus filmes, é notar que muitos dos expedientes a que recorrem os desenhos animados ou comédias, feitos posteriormente, não passam de mera cópia do que o mestre Méliès já tinha criado décadas antes, o que certamente nos fará pensar que o cinema hoje não passa da repetição do que já foi feito de maneira muito melhor e mais sincera antigamente.
Georges Méliès (1861-1938) foi um dos primeiros realizadores da história do cinema, podendo ser mesmo tido como um dos fundadores do cinema enquanto arte.
Méliès fez literalmente centenas de filmes, em que o seu passado de mágico somado à incrível criatividade ligada ao absurdo e ao fantástico e um tremendo saber técnico fazem não só com que Méliès seja um grande mestre, mas também com que os seus filmes sejam extremamente instigantes ainda hoje.
A sua obra, contudo, ainda é fortemente baseada no teatro. Vendo seus filmes tem-se a impressão de estar assistindo um teatro de variedades bufo, cujo principal quadro é o de um mágico-palhaço que realiza coisas absurdas, como tirar a sua cabeça, e, com um fole, inflá-la até explodi-la. Há também pequenas peças com um enredo e personagens bem definidos, como no Barbe-bleu. Mas não só o conteúdo dos filmes é diretamente retirado do teatro, a câmera sempre estática e sempre no mesmo ângulo, o ângulo da visão de um espectador de teatro, e os cenários pintados passam claramente a sensação de estar-se vendo um espetáculo teatral. É principalmente o uso de todos os recursos que o cinema lhe fornece, seus filmes transbordam de efeitos especiais, e a caráter absurdo/fantástico dos seus filmes que marca a diferença.
De todos os seus filmes talvez o mais importante tenha sido o grande clássico Voyage dans la Lune. É um dos primeiros filmes que, apesar de conter também as características acima, mais se afasta do teatro e ruma a uma arte que lhe é verdadeiramente diferenciada. É uma história completa com personagens não bem definidos mas personagens de alguma forma individualizados, com ampla variedade de cenários e cenas que jamais caberiam numa peça de teatro.
A obra de Méliès não é, ou não deveria ser, hermético objeto de historiadores do cinema, mas sim amplamente acessível a todos. Entretanto, não se pense que seus filmes sejam meras produtos descartáveis o fantástico neles deixa marcas e faz pensar, ou, ao menos, são memoráveis palhaçadas. Além disso, importante para o espectador moderno que vê seus filmes, é notar que muitos dos expedientes a que recorrem os desenhos animados ou comédias, feitos posteriormente, não passam de mera cópia do que o mestre Méliès já tinha criado décadas antes, o que certamente nos fará pensar que o cinema hoje não passa da repetição do que já foi feito de maneira muito melhor e mais sincera antigamente.
Revelações da Santíssima Igreja Bolchevique
Diz o evangelho de São Mao, sobre o Mistério do Partido:
"Devemos confiar nas massas e devemos confiar no Partido. Esses são dois princípios fundamentas. Se duvidarmos deles nada poderemos fazer." (Livrinho Vermelho, Capítulo I)
O caminho da salvação só é atingido tendo fé no Partido, as massas só são confiáveis pois o Partido é o seu "núcleo dirigente" (idem).
Diz o evangelho de São Mao, sobre o Mistério do Partido:
"Devemos confiar nas massas e devemos confiar no Partido. Esses são dois princípios fundamentas. Se duvidarmos deles nada poderemos fazer." (Livrinho Vermelho, Capítulo I)
O caminho da salvação só é atingido tendo fé no Partido, as massas só são confiáveis pois o Partido é o seu "núcleo dirigente" (idem).
Novas do Front
Eis um, provável, exemplo dos resultados da nefanda agressão contra o Iraque. Atos como este alastrar-se-ão vigorasamente.
Yemeni kills U.S., Canadian oil workers
From the International Desk
Published 3/18/2003 8:19 AM
View printer-friendly version
SANAA, Yemen, March 18 (UPI) -- A Yemeni shot and killed two oil workers from the United States and Canada and then killed himself in an oil field east of Sanaa, according to a Yemeni oil source.
The shooting took place at the oil field of Safer, the source told United Press International. The killer, who used a handgun, was identified as Naji al-Hadaa, also a worker in the Safer field run by the Hunt Oil company.
Another American was seriously wounded in the shooting. No further details were given about the slain workers.
An investigation was underway into how al-Hadaa was able to take the weapon into the oil field despite tight security measures.
The Safer oil field is located in the Marib area and employs a great number of U.S. and other foreign workers.
Copyright © 2001-2003 United Press International
Eis um, provável, exemplo dos resultados da nefanda agressão contra o Iraque. Atos como este alastrar-se-ão vigorasamente.
Yemeni kills U.S., Canadian oil workers
From the International Desk
Published 3/18/2003 8:19 AM
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SANAA, Yemen, March 18 (UPI) -- A Yemeni shot and killed two oil workers from the United States and Canada and then killed himself in an oil field east of Sanaa, according to a Yemeni oil source.
The shooting took place at the oil field of Safer, the source told United Press International. The killer, who used a handgun, was identified as Naji al-Hadaa, also a worker in the Safer field run by the Hunt Oil company.
Another American was seriously wounded in the shooting. No further details were given about the slain workers.
An investigation was underway into how al-Hadaa was able to take the weapon into the oil field despite tight security measures.
The Safer oil field is located in the Marib area and employs a great number of U.S. and other foreign workers.
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