terça-feira, setembro 30, 2003

Notas Zero

Kant ? Idée d?une histoire universelle au point de vue cosmpolitique.

A despeito do conceito que se tenha da liberdade do querer, a sua manifestação fenomênica, as ações humanas, são determinadas pelas leis universais da natureza, tanto quanto os fenômenos naturais.

A história propõe-se contar estas manifestações fenomênicas, e, considerando globalmente o jogo da liberdade humana, pode encontrar um curso regular. Assim, o que para os indivíduos parece ser confuso e irregular, do ponto de vista da espécie pode ser reconhecido como um desenvolvimento constante, embora lento, das suas disposições originais.

Do mesmo modo que, os nascimentos, casamentos e mortes sejam enormemente influenciados pela livre vontade, não parecendo seguir regra alguma, podem ser, a partir de dados estatísticos, previsíveis e seguem um determinado curso, segundo leis naturais. Assim como as variações atmosféricas tomadas isoladamente são inconstantes e imprevisíveis, todavia tomadas globalmente submetem-se a leis naturais constantes.

Assim os homens individualmente parecem seguir apenas seus fins individuais incondicionados, no entanto tomados como espécie vê-se que eles orientam-se por determinado fio condutor estabelecido pela natureza.

Não se pode encontrar nos homens nenhum desejo pessoal razoável, cabe portanto buscar na marcha humana um desejo da natureza. Havendo assim uma história segundo um plano determinado da natureza, um fio condutor da história.

.1.
Todas as disposições naturais de uma criatura estão destinadas e se desenvolver de maneira exaustiva e final.

Verificado em todos os animais. Um órgão que não deve ser usado desaparece [? E o apêndice e os pelos?]. Abandonando este princípio, abandona-se uma concepção de natureza conforme a leis, a indeterminação toma o lugar do fio condutor da razão [Rejeitar a teleologia significa rejeita uma natureza mecânica? E todos os materialistas não-teleológicos?].

.2.
No homem as disposições naturais que visam o desenvolvimento da razão devem desenvolver-se completamente não no indivíduo, mas na espécie.

======falha geral======

Kant na História Universal, tenta mostrar que a humanidade enquanto espécie não está dissociada da natureza, e que, portanto, também está sujeita ao seu plano e às suas leis.

O movimento da espécie humana pode ser apreendido pela razão, mesmo que se afirme a liberdade do indivíduo. Afinal, a análise estatística de eventos sociais, como casamentos, parece mostrar uma certa constância, apesar de que hoje isto seja no mínimo muito duvidoso. Da mesma forma que ao se estudar o tempo em um centímetro quadrado da superfície ele parecerá completamente inconstante, ao se o tomar globalmente constar-se-á que ele segue determinadas leis. Kant, contudo parece querer preservar a liberdade do indivíduo, dizendo que a natureza apenas orienta a espécie para a realização do seu plano.

Sendo assim, Kant deseja colocar a nu o fio condutor da história, elaborado pela natureza, sem contudo fazer um estudo da história segundo tal fio.

A natureza teria posto nas criaturas certas disposições a ser plenamente desenvolvidas, no homem as disposições naturais que visam o uso da razão devem realizar-se completamente apenas na espécie e não no indivíduo. Isso se dá por ser a vida humana curta, e a razão necessitar de exercício. Assim é impossível que alguém consiga desenvolver plenamente as suas disposições, entretanto o conhecimento acumulado pelas gerações pode-o.

A natureza quis que o homem tirasse dele mesmo, criando a partir da razão, as felicidades ou perfeições de que toma parte, ultrapassando a mecanicidade da sua existência animal. Ao dar ao homem a razão e a liberdade da vontade, que se funda sobre aquela, fez com que ele não devesse ser guiado pelo instinto, mas deveria tirar o conhecimento de si mesmo.
Notas Zero

Heidegger – O que é uma coisa?, intro.

.1.
A questão “que é uma coisa?” é uma questão fundamental da metafísica, isto é, pertence ao cerne e ao centro da filosofia.

.2.
Pode-se dizer “é uma coisa” dos mais variados objetos, dos mais imediatos, como uma mesa ou um teclado, aos mais abstratos e afastados de nós, como o número 44, Deus ou o ódio. A coisa diz-se, então, em três sentidos: estrito (coisa que está ao alcance de mão), lato (planos, resoluções, convicções, maneira de pensar...) e ainda mais lato (qualquer coisa que não seja o nada). Tal fixação arbitrária dos sentidos de “coisa” fixa também o domínio e a direção da questão.

À questão “que é uma coisa?”, então, precisa-se definir em que sentido está-se dizendo “coisa”, sob pena de procurar algo sem saber o que se está procurando. Heidegger começa pela coisa no sentido estrito.

.3.
As coisas em sentido estrito já foram determinadas pela ciência e pela técnica. O que é um sapato diz-nos rápida e certeiramente o sapateiro. Chegamos demasiado tarde, nada se pode começar pela questão “que é uma coisa”.

Contudo, com a nossa questão queremos saber o que são as coisas enquanto coisas, o que a ciência e a técnica não nos podem responder, pois se preocupam com as coisas em suas relações com as outras coisas.

Com a pergunta “que é uma coisa” deseja-se sabe o que torna-coisa a coisa, e não madeira, mesa, número (tarefa da ciência). Não pergunta-se pela coisa enquanto determinada espécie, mas pela coisalidade da coisa. Esta coisalidade já não pode ser coisa, deve ser incondicionado. Devemos ir até o que já-não-é-coisa.

Devemos saber o que o cientista não quer saber. E não nos trará nenhuma vantagem prática sabê-lo.

Colocamo-nos fora das ciências, sem pretender melhorá-las ou lhe sermos melhores. Cabe a questão: é a ciência a única medida para o saber, ou há um outro saber que fundamenta e determina os limites da ciência? Se há, pode-se passar sem ele?

.4.

Onde está a coisa? Não se encontra jamais a coisa, porém apenas coisas particulares. Por quê? Por causa de nós ou da própria coisa?

O Sol é visto de modo diferente pelo astrônomo e pelo pastor, qual dos dois é o Sol verdadeiro? Para decidi-lo é necessário saber que é uma coisa, e nem o pastor nem o astrofísico no-lo podem responder, nem mesmo necessitam fazê-lo.
.5.

A experiência mostra-no serem as coisas coisas singulares. Não há coisa geral, a coisa é sempre esta coisa e nenhuma outra.

O cientista não se preocupa com este aspecto da coisa enquanto coisa, dado que está interessado não no particular, mas no geral. São-lhe os particulares apenas exemplares do universal. A determinação universal da coisa “consiste no fato de ela ser ‘esta coisa’, a sua ‘istidade’”.

Terá isto validade universal? Não há duas coisas idênticas? Como dois baldes iguais? Mesmo as coisas ditas idênticas dão-se como coisas particulares, pois possui cada uma um espaço-tempo distinto. Nunca há duas coisas iguais.

O questão da coisa inclui então as questões “que é espaço?” e “que é tempo?”. Por que espaço e tempo estão unidos um ao outro? A unidade do espaço e tempo determina a istidade da coisa.

Mas espaço e tempo são determinações da própria coisa? São espaço e tempo apenas um quadro para as coisas (onde as colocamos) ou algo de diferente?

Onde está o espaço e o tempo? No interior das coisas, ou lhes é atribuição exterior? Espaço e tempo são exteriores às coisas. São domínios susceptíveis de acolher as coisas, indiferentes a elas. A coisa só é “esta coisa” na perspectiva do tempo e do espaço. Pode então haver duas coisa iguais?

A questão do modo de ser das coisas está totalmente dependente da questão do Ser.

segunda-feira, setembro 29, 2003

TC – anotações ilegíveis

Edwin Arthr Burtt – As Bases Metafísicas da Ciência Moderna, Cap. III Galileu.

Galileu trocou volumosa correspondência com Kepler, no entanto decidiu investigar não só o movimento dos astros, que desde a antiguidade eram tidos como perfeitos e tendo movimento regulares, logo, previsíveis, mas igualmente o movimento aqui na terra. Fez a aposta de que sublunarmente os corpos dever-se-iam comportar com a mesma regularidade que os supralunares. Assim, era capaz de matematicamente prever fatos, como o alcance máximo de um projétil de canhão. Para ele a natureza possuía uma estrutura matemática, ela era um livro escrito em matemática independente da vontade dos homens. Ao contrário da tradição preocupou-se antes em descrever o movimento (como) do que em o explicar (por que). A visão matemática da natureza induziu-o a vê-la como composta por leis necessárias e universais, apreensíveis pelos homens através da matemática, dando portanto grande importância ao conhecimento a priori (através da matemática pura). O que também, por outro lado, levou-o a excluir o homem da natureza, pois nele nada é universal e necessário. Também relevou a observação como confirmação da teoria, e abandonou a causalidade aristotélica.