segunda-feira, agosto 25, 2003

Notas para a (re)tomada do mundo

1.O objetivo da revolução não pode ser tomar o Estado, senão tomar o mundo

1.1.Tomar o mundo significa antes de tudo (re)tomar o controle da própria vida.

2.A revolução não se dará de um dia para o outro, através de um confronto direto votado em assembléia ou decidido pelos líderes.

2.1.A experiência dos sécs. XIX e XX mostraram que o confronto direto impede o alastramento da revolução e causa a necessidade do terror.

2.2.A revolução trava-se na vida quotidiana modificando, corrigindo, desviando, comprometendo, erodindo, corrompendo, revolvendo a situação.

2.2.1. A rebeldia quotidiana deve ela mesma dar provas da sua salubridade, e não evocar o sacrifício postergando os pretensos bons tempos a um futuro inexistente.

(Alexander Trocchi. Téchnique du coup du monde, IS 8)

sexta-feira, agosto 22, 2003

Com precisão dizia Picabia acerca da silogística aristotélica e suas proposições categóricas, e, por que não, acerca da lógica em geral:

“La raison n’a que quatre voyelles” (Francis Picabia. Littérature 14)

(bem entendido: A,E,I,O)

segunda-feira, agosto 18, 2003

Em maio de 18 os bolcheviques desarmaram e liquidaram os anarquistas. Em julho os socialistas-revolucionários de esquerda, rejeitando a paz e clamando por uma luta nacionalista contra a Alemanha, levantam-se e são também esmagados.

quinta-feira, agosto 14, 2003

Notas acerca da Fortaleza Vermelha

As tendências foram proibidas no X Congresso, em 1921, entretanto já em 1918 Lênin iniciara uma férrea luta contra a esquerda, bem ao tradicional estilo bolchevique, exigindo a sua dissolução como organização.

sábado, agosto 02, 2003

A questão, que escrever? Os dias alongam-se, o tédio aprofunda-se, no arrastar-se vivo-morrente da mediocridade da vida, ou melhor, da morte-vivente quotidiana só nos resta a opção derradeira, entenda-se aí o que se quiser. Com efeito, Epicuro estava corretíssimo: a morte nada nos é, esqueceu-se contudo, ou talvez nem se lhe afigurasse naqueles bravos tempos em que os homens eram homens, deste estado que assustadoramente aprisiona os homens-mercadoria: a morte-viva, a aniquilação da vida ativa, altiva, pelo tempo morto, a transfiguração daqueles anthropoi em autômatos. Nossa consciência, nosso efetivo eu aquela e mais alta e mais nobre parte da alma acorrentou-se a si mesma e reduziu-se a servil escrava de seus próprios fantasmas. O fetiche da mercadoria revelou-se o mais macabro dos demônios, até os antigos radicais anticlericais sonham com os bons tempos da velha Igreja, com o seu assaz saudável e inofensivo fetiche.

Nada, nada nos cabe a não ser spectare. Morreu a humanidade, por que diabos continuamos nós insignificantes fantasmas rondando por esta terra desolada?