sábado, novembro 29, 2003

Sententiae Memorandae

Publílio Siro é realmente um tesouro de sentenças memorandas, encher-me-á certametente delas até que termine a sua obra.

Ainda uma nota. Sempre tive a tendência a repudiar toda tentativa de encontrar alguma "natureza humana'", e acusava todos os que a afirmavam de ignorantes. Agora vejo que o ignorantíssimo sou eu. Ao ler o Publílio, e a literatura clássica em geral, é-me impossível não me lhe sentir próximo, e pensar que eu mesmo poderia ter escrito o que ele mesmo escreveu. Assim, deve haver alguma fugidia "natureza" humana escondida em cada um nós. Deve-se, contudo, não extrapolar a medida, e notar a gigantesca diferença existente entre as diversas culturas, além do que, qualquer tentativa de reduzir a história a tal "natureza humana" há de fracassar.

Porfim, estas sentenças, pretendia lançá-las a conta-gotas, comentando-as uma a uma. Urgência, entretanto, impede-mo. Fá-lo-ei a baldadas.



2.Ab alio expectes, alteri quod feceris. - Não faça aos outros, o que não queres que te façam
4.Auxilia humilia firma consensus facit. - A união faz a força
6.Aut amat aut odit mulier, nil est tertium. - A mulher ou ama ou odeia, não há terceira opção.
10.Amici vitia si feras, facias tua. - Se imitas os vícios do amigo, fá-los-ás teus.
17.Ad calamitatem quilibet rumor valet. - Qualquer rumor prevalece na calamidade.
18.Amor extorqueri non pote, elabi pote. - O amor não pode ser extorquido, mas pode escapar.
22.Amare et sapere vix deo conceditur. - Dificilmente o deus concede amar e saber.
24.Astus cinaedum celat, aetas indicat. - A astúcia esconde o pervertido, a idade o indica.
27.Animo dolenti nil oportet credere. - Convém não acreditar em nada a um animo dolente.
28.Aliena nobis, nostra plus aliis placent. - As nossas coisas agradam mais aos outros, e a dos outros a nós.
30.Anus cum ludit, morti delicias facit. - O velho quando brinca, faz delícias à morte.

(Publilius Syrus. Publilii Syri Sententiae)

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