Notas acerca do último espasmo da revolução
1.Contexto geral – o fim da guerra, a fome e crise
A revolta de Kornstadt começou apenas três meses após o fim da guerra civil nas frentes européias.
A fome era crônica.
Sob a guerra, muitos aceitaram a disciplina férrea e os sacrifícios como sendo males necessários para vencê-la, mas a guerra já tinha sido vencida..
A burocratização do Estado e do Partido já atingia proporções avassaladoras. Os membros do Partido tinham vantanges e poderes, por serem hierarquicamente superiores, mesmo sobre revolucionários provados nos combates.
A produção industrial e agrícola, já baixa, diminuía.
Os operários com relações no campo iam eles próprios buscar víveres, confiscados caso descobertos pela milícia.
Os camponeses estavam sujeitos a requisições compulsórias.
2.Contexto Específico – Disciplinação das forças armadas e resistência dos marinheiros
Desde Brest-Litovski o governo vinha reestruturando as forças armadas, reintroduzindo a rígida disciplina que havia sido varrida pela revolução. Na marinha este processo fora mais lento, pois nela a tradição revolucionária era mais antiga e forte, além de que pouquíssimo oficiais aderiram à revolução.
As diferenças entre os marinheiros e o alto comando das forças armadas tornou-se, por isso, explosiva.
As tentativas de disciplinar a marinha causaram grandes protestos e descontentamento, mesmo entre o marinheiros do Partido.
Muitos bolcheviques pretendiam aplicar métodos militares para tratar dos problemas da vida quotidiana, especialmente na indústria e nos sindicatos.
No 10 congresso os marinheiros votaram contra os seus “líderes”, Trotsky e Raskolnikov, chefe da frota báltica.
Os marinheiros protestaram contra a situação abandonando em massa o Partido.
(Ida Mett. THE KRONSTADT UPRISING 1921, IV. The Kronstadt Events - Background)
quinta-feira, julho 10, 2003
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