Notas acerca do último espasmo da revolução
3. Contexto – A fome, as greves de Petrogrado
A população de Petrogrado havia diminuído em dois terços. Desde de fevereiro de 17 havia falta de comida, mas a situação vinha piorando progressivamente.
A burocracia só piorara a situação. Cada um buscava alimento do jeito que podia, sendo a permuta direta com os camponeses um dos meios mais comuns.
Os mercados haviam sido abolidas oficialmente, mas em praticamente todas as cidades havia mercados ilegais semi-tolerados. No verão de 1920 Zinoviev decretou ilegal toda atividade comercial, os pequenos negócios foram fechados, entretanto o Estado não tinha capacidade de suprir as cidades. Isso só piorou a situação, obstruindo quase todos os meios que as pessoas tinham para sustentar-se.
As habitações não eram aquecidas, e havia grande falta de roupas e calçados.
O salário dos operários em 1920 era apenas 9% do que fora em 1913.
A população começou a sair da capital, quem tinha parentes no campo para lá foi.
Isso mostra a falsidade da versão oficial, que diz terem sido as greves de Petrogrado causadas por camponeses.
A primeira greve estourou em 23 de fevereiro de 1921, e logo se espalhou pelas fábricas da cidade.
Os grevistas pediam medidas para melhorar o suprimento de comida, como restabelecimento dos mercados locais, liberdade de viajar em volta da cidade.
Mas também tinham exigências políticas, como liberdade de expressão, e a libertação de prisioneiros políticos.
Zinoviev decidiu usar a força para acabar com a greve.
No dia 24 de fevereiro foi montado um Comitê de Defesa pelo Partido, comitês similares foram montados nos distritos. No mesmo dia foi o Comitê declarou estado de sítio em Petrogrado. Foi estabelecido toque de recolher e todas as reuniões públicas sem o consentimento do Comitê foram proibidas.
O Partido mobilizou-se. Todos os líderes da greve foram presos.
4. A posição dos marinheiros de Kronstadt
No dia 26 os marinheiros de Kronstadt enviaram delegados para informar-se sobre a greve. A delegação voltou no dia 28.
Os marinheiros do Petropavlovsk lançaram uma resolução exigindo novas eleições para os soviets, liberdade de reunião e de expressão (para operários, camponeses, anarquistas e socialistas de esquerda), liberdade para formação de sindicatos, libertação dos prisioneiros políticos socialistas, reavaliação das prisões feitas, fim das seções políticas nas forças armadas, equalização das rações, abolição dos guardas do Partido, liberdade para os camponeses trabalharem a terra como quiserem.
Não só a fome fora a causa das greves, mas o desencantamento com a situação política. Os soviets tinham tornado-se órgãos do Partido, cada vez mais degenerado. Era contra o monopólio do Partido que reagiam os trabalhadores.
As idéias lançadas por Kronstadt eram debatidas por todos, e por expressar tais idéias muitos haviam sido mandados para as prisões ou campos de concentração.
O partido usava fundos estatais para aumentar a sua influência na polícia e nas forças armadas.
Kronstadt reclamava terem os trabalhadores perdido o controle para os bolcheviques, que o faziam através de um comissariado, o Rubkrin.
Kronstadt estava defendendo o mesmo que defendera em 1917.
O soviet de Kronstad devia ser renovado em 2 de março.
Os marinheiros reuniram-se no dia primeiro, onde foram divulgadas as notícias dos delegados enviados a Petrogrado, e a resolução dos marinheiros do 'Petropavlovsk' , sendo esta aceita pela assembléia, menos pelos representantes do Soviet e do Comitê Político da frota báltica. Foi também decidido o envio de novos delegados para Petrogrado, a recepção de delegados de Pretogrado, e uma nova reunião envolvendo diversos setores, como o exército e instituições estatais, para o dia seguinte.
No dia seguinte ocorreu a assembléia com o encontro dos delegados, onde foi aceita a resolução do Petropavlovsk. Foi preparada a eleição para o soviet, que deveria “preparar a reconstrução pacífica do regime soviético”.
(Ida Mett. THE KRONSTADT UPRISING 1921, IV. The Kronstadt Events - Background)
sexta-feira, julho 11, 2003
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