domingo, julho 11, 2004

Do Tédio

O tédio que nos domina conseguiu o prodígio que nem a mais detestável religião, filosofia ou política conseguiu: tornar-nos aborrecida a natureza e, por conseguinte, nós mesmos. Abafam-nos ainda os burgueses e os regulamentos...

"-Que beleza! Que beleza! Quero respirar, cheirar, absorver todo o perfume desse divino crepúsculo... Não fora a natureza, os céus, os pássaros, as águas múrmuras, como poderíamos viver?

Depois de uma pausa, acrescentou desolado:

-A vida é tão banal, tão chata... Nós somos também natureza; mas do que nos vale isto? Há os burgueses e os regulamentos que nos abafam..." (Lima Barreto. Clara dos Anjos, X)

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