quarta-feira, junho 04, 2008

Do gosto pela mediocridade

Creio estar involuindo. É como se a Fortuna em vez de punir-me com mais e novas misérias tirasse um prazer especial em fazer-me reviver as velhas. Eis-me novamente diante da mediocridade aborrecida das mulheres, do seu gosto pelo papel de mulherzinha e sua paixão por homens que representam bem o seu papel, o papel de cafajeste, sujo, inculto e tolo. Mais uma vez me enoja como elas preferem o riso fácil dos sensaborões, o elogio vazio dos promíscuos, a previsibilidade dos inautênticos. E, claro, vêm depois choramingar contra os homens.

Pego-me pensando se a preferência das mulheres pela sensaboria causa-me alguma inveja oculta, se ser preterido pelos cultores da mediocridade me enche secretamente de algum desgosto profundo e raivoso. Parece-me que não. Que as mulherzinhas gostem de um homão, entende-se. Que mais era de se esperar? Talvez o que me aflija seja antes o fato de não ter encontrado senão mulherzinhas, o fato de que apenas em raras ocasiões eu tenha encontrado mulheres a quem eu pudesse admirar e considerar como iguais. Um par é o que busco, e só encontro bonecas e peças de decoração.

Mas que digo? Acaso busco eu alguma coisa? Não terei aprendido aquela lição primeira dos estóicos, a de abandonar tudo que não seja estritamente meu, que não esteja estritamente sob meu controle? Terei esquecido o exemplo reverendo de Diógenes, que se bastava a si mesmo?

Não. Nada tenho com os personagem de romance do século XIX. O tipo de frustração sexual e comportamento erótico pintado pelos escritores daquela época sempre me pareceu estranho e distante, e não o pareceriam menos agora se eu já não lhes estivesse acostumado, se depois de tantos romances eu já não analisasse a mim mesmo tendo-lhes como ponto de referência.

Representai bem seu papel, mulherzinhas, que eu estou bem cá, só comigo mesmo.

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