A semana que inicia será uma semana de testes. Uma semana decisiva será.
A fraqueza da vontade é algo que me foi sempre causa de espanto. Se sabemos que uma ação é incorreta, por que mesmo assim a realizamos?! Não parece ser esta uma falha tremenda, abominável mesma da nossa constituição? Sabemos como devemos agir, mas não agimos como sabemos dever. Toda a impressão de que há um Eu profundo sobre o qual não temos poder algum advém daí. A incoerência entre o conhecimento do dever e a ação deveria ser explicada por alguma força oculta, que embora invisível à introspecção, inacessível à consciência, guia todas as nossas ações. Mas qual a justificativa para tal curiosidade, para o desejo de realizar um estudo sistemático e, para alguns, científico do suposto Eu profundo? A que nos levaram as tentativas de cientificizar a fraqueza da vontade, senão àquelas caricaturas grotescas que Zola soube empregar, com maestria, há que dizer, nos seus livros? Lembro da 'Besta Humana', em que a incapacidade do protagonista de controlar seus impulsos assassinos era creditada à essência selvagem, simiesca, coberta por um leve verniz civilizacional, àquele famoso peso de todas as gerações passadas que oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. Por que não se aceita simplesmente a fraqueza da vontade como uma componente básica, portanto irredutível a outros processos ou entidades mais simples, da humanidade? Em lugar de fazermos a ciência da fraqueza, ganharíamos mais fazendo-lhe a poesia, aceitando-a como um dos fardos que devemos carregar por este vale de lágrimas, como uma espécie de pecado original que cada um nós herdou do primeiro humano, e do qual só a morte nos pode liberar.
Vejamos como se dará nesta semana derradeira o meu embate com a vontade, o meu embate comigo mesmo.
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