Ao que parece todos aqui anseiam pelas tuas carnes, grande Boi. Mas de mim nada tens a temer, que das tuas entranhas prefiro a distância. Não me leves a mal, digo-o respeitosamente, tenho certeza que o mais refinado dos gastrônomos ficaria admirado de tua carne. É que sou esteticamente impossibilitado de comer tudo que tem sangue e palpita, tudo que sofre e deseja, tudo que foi arrancado da grandiosidade ilimitada do nada e atirado a este mundo de limites, condenado a
sofrer prazer e dor. Se for verdade que não estou absolutamente sozinho e que, sendo humano, nada do que é humano é-me estranho, então sou forçado a expandir o argumento e dizer: sofro, nada do que sofre é-me estranho.
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