terça-feira, julho 22, 2008

Perigosa coleção de solecismos a ser evitada pelas almas delicadas e ciosas da boa gramática

Hoje descobri que se amigaram a Signorina Contessa e o Marxóide Promíscuo. Duas ou três semanas após conhecerem-se e já se amavam por toda a eternidade. Preterido ainda mais uma vez pelo Marxóide Promíscuo, quem diria! Mas fazem lá um bom par, há que reconhecer.

E por que eu resolvi falar disso? Não sei. É que do mundo dos vivos já nada me causa curiosidade, e a Signorina Contessa era uma das coisas que me davam algum alento para continuar arrastando-me por aqui. O contato com as suas frivolidades e expansões representava uma novidade que dava algum sustento à minha alma quebrantada. Curiosidade rasa, é preciso dizer, mas alguma curiosidade de qualquer modo. Se antes eu permanecia entre os vivos pela curiosidade de ver o que aconteceria no dia seguinte, agora que a curiosidade já não mais me acompanha, falta-me qualquer motivo para flutuar por aqui neste mundo. Talvez venha daí o interesse que ela me causa, foi o último lampejo de vida a atingir-me os olhos. Que me resta a não ser cantar com Schubert:
O komme Tod, und löse diese Bande!
Ich lächle dir, o Knochenmann,
Entführe mich leicht in geträumte Lande,
O komm und rühre mich doch an.


Sabendo que a Morte não é senão serva da Fortuna, e que a Fortuna é surda a todo rogo, é vão tentar seduzi-la por cantos, é preciso agir por si mesmo. Pois se me escapa a curiosidade pelos vivos, resta-me ainda a curiosidade última, a curiosidade pelo nada.

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