Acabadas as Viagens parto para O Estrangeiro, estranha coincidência de nomes. Bukharin, eis o acaso!
Ainda estou nas primeiras páginas, mas que diferença! Brutal, para dizer o mínimo. Períodos breves, parágrafos curtíssimos, linguagem rápida, ríspida e agitada, paisagem eminentemente urbana, verdadeira obra da São Paulo industrializante. A linguagem é cinematográfica:
“As lanternas piscavam na escuridão.
Achara-se em Gênova, para escapar ao fuzil em Moscou.
O céu baixo abafava a planície da Mooca e do Brás, esmagada pelo casario em atropêlo.
Como conseguira, ante as maiores dificuldades, encaixar-se entre os imigrantes italianos?“
A brevidade dos períodos e dos parágrafos, as elipses freqüentes e rasteiras, a linguagem, não contida, mas sintética, as metáforas urbanas e velozes, tudo soma para a criação de um ritmo frenético.
Depois do tom lento, pensativo, meio bucólico das Viagens, com sua crítica à modernização de Portugal, este elogio da modernização paulista torna-se chocante.
quinta-feira, dezembro 19, 2002
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