quarta-feira, dezembro 18, 2002

Notícias da democracia

Mais um exemplo democrático: os senadores do PT "esquecem" tudo o que afirmavam até quatro meses atrás e passam a agir exatamente como seus supostos adversários agiam.

Criticavam o Fraga, abraçam um seu clone, criticavam a servilitude dos parlamentares do governo, servem sem questionar as ordens de Lula, e assim poderíamos ir ad infinitum, visto que é infinita a desfaçatez da nossa iluminada vanguarda.


Senadores do PT são questionados na sabatina de Meirelles

Brasília - Os senadores petistas ouviram calados, durante a sabatina de Henrique Meirelles na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), nesta terça-feira, críticas de colegas sobre a forma como eles condenaram a escolha do atual presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e por não terem feito o mesmo agora, embora ambos tenham atuado no mercado financeiro internacional.

O senador Geraldo Althoff (PFL-SC) afirmou que, desde então, passaram-se 1.390 dias. “E, tanto antes como hoje, se buscou satisfazer a expectativa do mercado”, disse. “Mas não trataremos nenhuma pessoa que aqui vier como sendo uma raposa cuidando do galinheiro”, ironizou, referindo-se à forma como os parlamentares do PT reagiram à indicação de Fraga.

O senador Fernando Bezerra (PTB-RN), que presidia a comissão na ocasião, disse que a oposição ao governo do presidente Fernando Henrique Cardoso afirmava que Armínio iria operar no Banco Central os interesses financeiros internacionais. “E o que ele fez foi uma gestão honrada, competente e ética”, disse.

No mesmo tom provocativo, o senador Eduardo Siqueira Campos (PSDB-TO) relacionou as “agressões verbais” da oposição contra Armínio: “Diziam que estavam amarrando cachorro com linguiça, que seria uma vampiro tomando conta do banco de sangue ou uma raposa tomando conta do galinheiro”.

Outra ironia da sabatina foi que, pela primeira vez, senadores tidos como os mais empenhados na defesa da moralidade, como o líder Eduardo Suplicy (PT-SP) e José Eduardo Dutra (PT-SE), mostraram-se indiferentes às denúncias feitas pelo senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), contra Henrique Meirelles.

Segundo o senador tucano, o ex-presidente do BankBoston comandava o esquema de sonegação existente naquele banco, como constaria do relatório final da CPI dos Bancos, realizada no Senado entre janeiro e fevereiro de 1999. Antero leu trechos do relatório da comissão.

O documento afirma que o BankBoston teria cometido uma série de irregularidades para mascarar a remessa de lucros ao exterior, sonegar impostos e obter ganhos nas operações realizadas em função da mudança do regime cambial.

O senador acusou Meirelles de “dificultar a fiscalização do Banco Central”: “Como é que a fiscalização do BC vai sentir-se quando for comandada pelo outro lado que dificultava sua ação?”, questionou.

Ele pediu ao presidente em exercício da CAE, Waldeck Ornelas (PFL-BA), que suspendesse a sabatina para que os senadores tomassem conhecimento da denúncia. Ornelas mandou distribuir cópia de trechos do relatório da CPI, mas deu prosseguimento à sessão, ignorando o pedido do colega.

Henrique Meirelles se defendeu alegando que se tratava de um relatório preliminar da CPI, que não chegou a ser confirmado. Os senadores petistas mantiveram-se impassíveis, como se não tivessem ouvido a denúncia. Eles não atacaram nem defenderam o escolhido do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, para o comando do Banco Central.

Apoio, mesmo, Henrique Meirelles só recebeu do governador de Goiás, Marconi Perillo, que se sentou a seu lado, na mesa diretora da CAE, e de parlamentares goianos de todos os partidos, presentes à sabatina.

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