“Formou Deus o homem, e o pôs num paraíso de delícias; tornou a formá-lo a sociedade, e o pôs num inferno de tolices” (GARRETT, Almeida. Viagens na minha terra, cap. XXIV)
Sim vivemos num inferno de tolices, quem nunca reparou nisso? A artificialidade tola da vida social apequena o indivíduo, quando deveria ser o solo que o faz crescer.
Pois então vivemos num inferno de tolices, resta agora saber como o encarar. Como Demócrito, que ria das tolices dos homens, ou como Heráclito, que, ao contrário, chorava-as. A senda democritiana parece a mais altiva e eficaz, mas talvez a contraparte heraclitiana seja a mais sincera.
Contudo, a mais cômoda é, sem dúvida, a apatia cética.
quarta-feira, dezembro 18, 2002
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