sábado, dezembro 28, 2002

Anotações de um Cético

"Ora, se conhecemos por experiência que eles [os sentidos] nos enganam, com respeito à superfície do globo no qual nos encontramos [...]" (Giodarno Bruno. Sobre o Infinito, Diálogo Primeiro)

Os nossos sentido não nos enganam, é o discurso que fazemos acerca do que os sentidos apresentam-nos que é enganoso. A partir de uma altura suficiente a visão mostrar-nos-á claramente a curvatura da terra, apesar de ela não nos ser aparente nas alturas em que os homens normalmente têm acesso. Isso significa que os sentidos mentem? Que se contradizem dizendo ora que a terra é plana e ora que a terra é curva? Ou será que foi uma opinião apressada afirmar categoricamente que a terra é plana?

Mais acima Sr. Bruno diz:

"Não são os sentidos que percebem o infinito, não é pelos sentidos que chegamos a esta conclusão, porque o infinito não pode ser objeto dos sentidos"

Ora, chegamos à conclusão do infinito partindo de dados fornecidos pelos nossos sentidos, isto é, a noção de espaço e da matemática. O infinito não é imediatamente reconhecível pelos sentidos, mas lhe é completamente subordinado.

Nenhum comentário: