sexta-feira, dezembro 20, 2002

O ritmo tornou-se mais lento, as conjunções, envergonhadas, começam a aparecer aqui e lá, já não mais só as ríspidas aditivas “e” e adversativas “mas”, uns “como” e uns relativos “que” também se mostram de vez em quando. Mas nada que altere drasticamente a agilidade do texto, que continua veloz e conciso. Telegráfico, portanto.

Contudo, esta agilidade do Plínio Salgado assemelha-se à rapidez mecânica de um motor a explosão: quadrada, não cubista, simplesmente quadrada. É de um gênero completamente diferente ao vagar do Garrett, um representa o compasso discreto da industrialização, o outro o movimento contínuo da natureza.

Lendo agora os modernistas não é difícil intuir por que a literatura morreu. Realmente, ir além do telegrafismo modernista, só com a desconstrução completa da linguagem.

O Estrangeiro é de 26, o João Miramar é de 23, aquele é um desdobramento desse. O misticismo, o cristianismo, o nacionalismo daquele ajudam a colocá-lo num patamar inferior. Sem dúvida é um grande romance modernista, mas cheira a uma cópia deturpada do grande Oswald.

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